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    O blog Projetos para o Brasil visa ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.

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Archive for the 'Série 2010' Category

Brilho nos olhos e coração quente

Posted by waltersorrentino on 15th outubro 2010

PCdoB reuniu sua militancia em SP por Dilma Presidente

PCdoB reuniu sua militancia em SP por Dilma Presidente

O PCdoB de São Paulo foi o primeiro a atender ao chamado nacional. Realizou ontem pujante plenária, com centenas de militantes e quadros, para discutir o segundo turno no Estado. A mobilização é geral e irrestrita, própria de quem tem consciência do quanto é estratégico o resultado eleitoral de 31 de outubro.

Convivo há 38 anos com esse partido. Junto com ele colhemos vitórias e revezes. Mas desde 2002, nunca mais vi o brilho nos olhos de todos pela vitória alcançada, justa e merecida.

A palavra da presidente Nadia Campeão em nome de todos, representou esse orgulho, ao lado das homenagens prestadas a Jamil Murad. Ela liderou a brava direção estadual na vitória. Lá falaram as lideranças de alto significado que foram vitoriosas nas urnas. Pedro Bigardi, hoje já um quadro que parece estar há décadas conosco, líder querido por todos. Leci Brandão, com expressiva vitória, a deputada federal que é a cara dos paulistas e que dá cara nova ao partido na capital. Protógenes Queiroz, da mesma forma, que se reencontrou com o partido, agora na condição de deputado federal. Festejamos a vitória estratégica de Aldo Rebelo ao sexto mandato de federal, estrategicamente por São Paulo, feito de alta significação em meio a uma disputa política intensa que ele travou nesta campanha. Presente Gustavo Petta, um vencedor que (ainda) não foi eleito, mas promissor líder do partido no Estado, mais dezenas dos outros candidatos que foram indispensáveis à vitória. Não pode estar presente outro grande líder, o Ministro Orlando Silva Jr., entretanto um dos grandes condutores da campanha de Dilma em todo o país.

O sentimento falou alto também por meio de Netinho, o comunista mais votado de nossa história e negro mais votado do país, embora não tenha feito uma campanha étnica. Netinho representou o capital político acumulado pelos comunistas em décadas, agregando sua experiência, sua popularidade e simpatia, sua qualificação e capacitação política. Contra ele se moveu a mais infame campanha deste ano, à qual ele respondeu de forma elevada e serena, alcançando 7,763 milhões de votos.

Parabéns, comunistas de São Paulo, a vitória foi justa. É devida à lucidez, firmeza, sagacidade e mesmo espírito de sacrifício com que o partido em SP enfrentou os anos magros recentes. Parabéns sobretudo à militância, a incansável militância, antiga e nova, que deu o melhor de si para a vitória. Dentre eles, saúdo aqueles das direções que conduziram o partido à vitória. Agora, põe-se um caminho largo para o PCdoB seguir se abrindo para a sociedade, constituir projetos de disputa política mais avançados, e filiar dezenas de milhares de novas lideranças para o partido.

Mas a guerra não findou. Entrou em fase mais aguda e dura. O resultado do 2º turno é que define o resultado final. E para ele o papel dos comunistas e sua mobilização é decisivo, sobretudo em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Temos uma obra a defender, um legado a apresentar, um programa a disputar. Contra isso, move-se uma campanha de ódio, vinda dos subterrâneos e ecoada pela grande mídia, que faz o serviço sujo de terraplenagem para o candidato da oposição apresentar-se como aquele que une para avançar, na verdade para retroceder aos velhos caminhos que levam à ruína da nação.

Não se une o povo com ódio, com guerra religiosa e falsos ataques morais subterrâneos. Isso, ao contrário, divide o povo. Dividir o povo enfraquece a nação. Os brasileiros já haviam optado pela esperança para vencer o medo. Agora devem vencer o ódio para permitir ao Brasil afirmar-se enquanto nação desenvolvida, moderna, democrática, evitar o retrocesso e os ziguezagues em sua trajetória..

O que une o povo e a nação é desenvolvimento pujante, com liberdade política e distribuição de renda, para que o Brasil ocupe seu lugar merecido no mundo e o povo ocupe seu lugar na nação. Essa obra não pode parar. Lula abriu o caminho. A vida de todos os segmentos da população melhorou. Não vamos dar as costas a essas realizações. Vamos com assertividade para o corpo a corpo com trabalhadores, a juventude, o povo da periferia. Vamos disputar os segmentos médios tradicionais da sociedade, com idéias avançadas como as do Manifesto de Artistas e Intelectuais que será lançado nesta terça feira às 19 hs no TUCA. Vamos agregar novas lideranças, mostrar a força setorial de nossas propostas nos mai diversos campos. Vamos disputar os novos segmentos médios populares, a quem se volta a pregação do ódio – mostrar que somos pela vida, pelo respeito às leis, pela liberdade e tolerância religiosa. Vamos manter nossas bases eleitorais populares garantindo as política públicas que caracterizam um governo de todos mas sobretudo voltado para extirpar a miséria no país.

Nunca ganhamos só nas pesquisas, embora já tenhamos perdido para elas. Depende das ruas, dos corações e mentes de milhões de brasileiros de São Paulo. Pesquisas nestas horas estão muito voláteis e indicam tão somente o inevitável: a disputa é dura, ganha-se ou perde-se por pouco. Creiam: todo trabalho que puder ser feito é absolutamente indispensável.

Vamos estar com Dilma no trabalho e nas ruas, na internet, em carreatas e comícios com ou sem a presença dela, em eventos setoriais, mas sempre com brilho nos olhos e o coração quente. A vitória é mais importante para nós brasileiros do que para a própria pessoa de Dilma Rousseff. O que ela poderá fazer por nós como Presidenta depende do que formos capazes de fazer agora, já, por sua eleição dia 31.

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Manifesto de artistas e intelectuais por Dilma Presidente

Posted by waltersorrentino on 15th outubro 2010

Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff. Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.

Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desigualdade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.

Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.

Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.

Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.

Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.

Encabeçam o Manifesto Leonardo Boff, Chico Buarque, Fernando Morais, Emir Sader, Eric Nepumuceno. Até agora já está com centenas de adesões. Some-se a isso.

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Dois campos políticos e valorativos em disputa

Posted by waltersorrentino on 11th outubro 2010

O grande manipulador é um sujeito que manipula tanto e tão completamente, que chega a acreditar ser verdade aquilo que foi produzido pela manipulação da verdade.

Fernando Pessoa que nos perdoe. Serra é um sujeito tão obstinadamente manipulador, tão feroz na disputa de projeto de poder, que atingiu nesta campanha o seu clímax. O fato de ter terceirizado a manipulação não o isenta. Na verdade, é até pior, porque covarde: ele se esconde atrás das pesadas falsificações dos subterrâneos da informação, filtrada pela grande mídia, para diversionar o foco do debate, demonizando Dilma e Lula enquanto Serra possa fazer sua “diferenciação”.

De fato está em jogo, mais que nunca, a capacidade de as forças progressistas e o povo decodificarem o que está por trás dessa baixaria, para pôr em foco efetivamente o campo de valores e de políticas pretendidas para o país por cada um dos candidatos.

Não se trata apenas de plataformas das candidaturas, mas de um campo de forças facilmente reconhecível em cada uma delas. Com Dilma ou Serra ganham ou perdem setores sociais inteiros. Vamos a elas.

Pré-Sal: novo regime de partilha ou as velhas concessões? O Estado deve fortalecer suas posições para o futuro do país ou mercado dando as cartas?

Petrobrás fortalecida com a descoberta do Pré-sal com maior participação estatal ou favorecer os acionistas privados?

Retomar indústria naval ou sucateá-la como ocorreu até 2002?

350 milhas náuticas ou IV frota dos EUA no Atlântico Sul? Base de Alcântara e domínio do ciclo do átomo ou seguir o diktat norte-americano?

UNASUL forte ou Tratados de livre-comércio dos EUA com cada país sul-americano?

Plano de defesa nacional autônomo junto com a UNASUL ou jogar o “dividir para enfraquecer” dos norte-americanos? Questionar ou calar-se perante as bases militares dos EUA no continente?

Ter papel altivo na cena internacional ou inserção subordinada aos interesses das grandes potências dos EUA e Europa?

Voto proporcional em listas e financiamento público ou voto distrital com financiamento privado como defendido por Aloysio Nunes?

Reforma tributária progressiva (quem ganha mais paga mais impostos) ou a serviço do ajuste fiscal contra o povo assalariado?

Reforma agrária antilatifúndio improdutivo e com o estoque de terras da União ou continua a ser caso de polícia?

Meio Ambiente: ser exemplo para o mundo em termos de redução de emissão de CO2 em aliança dos países em desenvolvimento ou alinhar-se com EUA e Europa?

Negociação e respeito com a Bolívia e Paraguai ou política de big stick dos arrogantes?

Distribuição de renda como fator de desenvolvimento econômico via mercado interno ou programas sociais compensatórios focados?

Valorização do salário mínimo como o foco concentrado para a distribuição de renda no país, ou a sonegação de direitos aos trabalhadores? Apoio de praticamente todas as centrais sindicais ou os trabalhadores como inimigos?

Serviço público fortalecido ou Organizações Sociais e terceirizações na Saúde?

Cumprir os direitos do cidadão e deveres do Estado ou priorizar o choque de gestão e os ajustes fiscais?

Fortalecer o aparelho de Estado ou sucateá-lo para reduzir custeio?

Funcionalismo público: valorização salarial e plano de carreira ou sucateamento perpétuo em nome da responsabilidade fiscal?

Movimento social: negociação democrática ou continua sendo questão de polícia?

Educação: investir pesado no setor e valorizar os salários dos profissionais de educação ou deixá-la como em São Paulo que não lidera o ranking nacional?

Polícia Federal apurando crimes contra a moralidade pública ou a lei apenas para os inimigos, como sempre foi antes de Lula?

Atender ou prender a mulher que provocou aborto em condições precárias e está em risco de vida?

Aborto: respeito a todas as visões existentes na sociedade ou imposição de uma visão sobre a outra a qualquer preço?

Mídia: liberdade com responsabilidade de serviço de comunicação social ou liberdade dos monopólios pura e simplesmente?

Aborto: manter o rumo do país ou abortá-lo? País aplicar um projeto consistente e duradouro ou andar em zigue-zagues?

Minha casa Minha vida ou o Minha Casa nunca mais do CDHU de São Paulo?

Unir o país, integrá-lo social e regionalmente, ou dividi-lo pela campanha de ódio destilado pela grande mídia de São Paulo e Rio?

País menos desigual regionalmente ou plutocracia de São Paulo dando as cartas?

Unir o país sem ódios, sem manipulações religiosas, para um projeto de nação, ou dividi-lo pelo ódio sectário? Por exemplo, sobre o aborto.

Jacob Zuma ou Angela Merkel? Deng Xiao Ping ou Bill Clinton? Assad ou Toni Blair? Abbas ou Bibi Netaniahu?

Palestina ou Sionismo? Paz ou guerra? União dos povos e nações ou imperialismo?

A rede social democrática alternativa na mídia ou Veja, FSP, Globo e OESP?

Humberto Costa ou Marco Maciel? Ministro Pimentel ou Tasso Jereissati? Vanessa Grazziotin ou Arthur Virgílio?

Tarso Genro ou Yeda Crusius? Oscar Niemeyer ou Bornhausen? Dona Canô ou seu filho?

Luis Fernando Veríssimo ou Arnaldo Jabor? Eros Grau ou Gilmar Mendes?

Lula ou FHC? Dilma ou Serra?

A lista pode continuar, com apoio do leitor.

Esse será o bom debate. A nação só terá a ganhar com a verdadeira contraposição em torno de problemas tão fundamentais para o futuro do país.

Dilma já retomou a ofensiva. Está certa. Temos um país que se desenvolve a 7-7,5% ao ano – e é preciso ter clareza quanto a quem interessa abortar esse processo. Só Dilma pode unir a nação e prosseguir nesse rumo. O ódio da campanha midiático-tucana condena o país ao atraso.

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Dilma X Serra: projetos e valores

Posted by waltersorrentino on 7th outubro 2010

Muy amigo: FHC na campanha Serra

Muy amigo: FHC na campanha Serra

O oito anos de governo de FHC voltam ao proscênio. É a nova estratégia da oposição para o segundo turno. Não é crível que a oposição pense em vencer a partir do legado de FHC; ele próprio reconheceu que “as chances de Serra são mínimas”. Mais crível é a tentativa de soerguer a oposição para o futuro. Ela foi superada nas urnas – ao governo, senado e câmara dos deputados. Simbolicamente, muitas de suas lideranças mais expressivas tiveram negada a reeleição. E ficou sem bandeira a apresentar na campanha de Serra.

Isso é tanto melhor para politizar e disputar um projeto de nação entre dois campos políticos polares. Pois não se tratará apenas de disputar os votos de Marina – isso também – mas explicitar o que se quer para o Brasil, galvanizar forças para realizar esse projeto, forjar compromissos de amplos setores da nação em torno dele.

Por esse caminho Dilma tem as melhores condições para vencer. A partir dos 47% dos votos já obtidos, confirmá-los e por em movimento a força dos governadores, senadores e deputados eleitos para uma campanha vibrante e colada ao sentimento popular. Ao mesmo tempo, que reconstrua elos com segmentos médios, tradicionais e emergentes.

Quanto aos tradicionais, reconhecer e apoiar o anseio da sociedade em desnudar, apurar e punir os desvios com relação à coisa pública, doa a quem doer. Sobretudo nos grandes centros urbanos do sul e sudeste do país, é sentimento que tem importante peso na formação da opinião pública, amplificado porém pela grande mídia que o manipula facciosamente numa cruzada (pretensamente) moralista.

Já disse uma vez que a pior desmoralização da política é a que se realiza em nome de sua pretensa moralização, como faz a grande mídia brasileira, à revelia do eleitor. O problema, no Brasil, não é de atributo pessoal, mas do próprio sistema político. A legislação brasileira é até avançada; os mecanismos de fiscalização e o papel da Polícia Federal se aprimoraram no governo Lula. Mas a raiz é política. Argumenta-se que a exigência de governabilidade de um presidencialismo de coalizão alimenta o uso da máquina pública – aliás, ocorreu pesadamente no governo FHC quando nasceu o demotucanismo, se comprou a reeleição e se chegou ao limite da irresponsabilidade nas privatizações – e busca-se atribuir ao partido A ou B tal desvio. Mas o fundo do problema precisa ser atribuído ao sistema político, partidário e eleitoral. Sem valorizar os partidos políticos, mudar esse sistema só conduzirá a mais elitização restritiva da participação da sociedade. Como exemplo, o novo senador tucano eleito por SP propõe o sistema distrital com financiamento exclusivamente privado; pergunte-se a dez pessoas onde isso conduz e onze dirão o mesmo: bipolarização política e elitização do sistema partidário. Ao contrário, partidos políticos se fortalecem com voto em listas partidárias (mesmo combinada com a tradição de voto nominal) e financiamento público exclusivo (com pesada fiscalização). No sistema proporcional – que é o mais democrático para representar a nação – isso dá chances a todos e purga o sistema político. Eis um bom debate: que reforma política propõem os candidatos?

Certamente a questão ambiental é também tema emergente para segmentos esclarecidos da população. É bom. Entretanto, deve ter sido minoria na (mal) chamada “onda verde”. Além disso, nada nesse terreno é instransponível para a experiência do nosso campo nos últimos 8 anos nem para Dilma. O Brasil fez bom papel em Copenhague, onde liderou em termos políticos e morais (só não entrou no jogo estratégico dos EUA querendo isolar a China e outros países emergentes). Eis outro bom debate: a questão ambiental, para além de seu papel indispensável à preservação da vida no planeta, é certamente um dos terrenos de disputas estratégicas num mundo profundamente assimétrico em poder. Com FHC o país buscava (quase oficialmente) uma inserção subordinada no mundo, integrar-se à onda da globalização, liderada pelos EUA, o que não era nem é bom projeto para o Brasil haja vista os impasses aos quais conduziu a nação. E, no plano interno, a questão ambiental contempla enormes possibilidades de consenso entre desenvolvimento e preservação, não sacrificando um projeto nacional indispensável para o país ocupar seu lugar no mundo e o povo encontrar seu lugar digno na nação.

Já para outros setores médios, emergentes e mais aproximados das crenças católicas e evangélicas, o veneno posto foi subterrâneo, o aborto. Raros são os países onde há maiorias substanciais a favor ou contra o aborto. Em geral, as sociedades se polarizam. No Brasil também, embora não seja lugar onde se alimente ódios perenes e sectários. A oposição conseguiu isso: forjou um debate moral fora de lugar e de proporções, explorando pretensos conflitos religiosos, acirrando-os e com isso dividindo o povo.

A legislação brasileira é clara e inquestionável sobre o aborto em casos de risco de vida para a mãe ou de estupro. É avançada dentro do consenso possível na sociedade. A quem interessa violar esse consenso? É hora de discutir isso? A campanha presidencial é a ocasião para discutir isso? É um reclamo da sociedade? Nem uma coisa nem outras. Foi forjado pela grande mídia e pelos subterrâneos virais de uma campanha inescrupulosa. Não é uma questão que entrave o projeto nacional, e é impróprio ser transformado em tema de campanha presidencial. Se fosse o caso – que efetivamente não é – a sociedade proporia um plebiscito, mediante o Congresso Nacional, pois que não é o Executivo a quem cabe a iniciativa.

Enquanto isso, Dilma acerta em explicitar seu respeito à vida, própria da tradição e religiosidade brasileira, porque o aborto é, quase sempre, indesejável e um drama na vida das mulheres e dos casais. Repito: não é isso o que entrava o Brasil e não pode dividir o povo.

O que entrava é abortar o projeto nacional, soberano, democrático, desenvolvimentista, de integração do sub-continente. O que entrava o Brasil é dividir o povo, enfraquecer a nação. Combinadas as questões, certamente Serra não é a alternativa, malgrado sua capacidade pessoal, porque não concorda com elas e porque sua base de apoio já demonstrou, precisamente nos anos FHC, ter outro projeto, outro rumo a oferecer. Fizeram dos anos 90, anos de triunfalismo cosmopolita antinacional. Os tucanos tiveram sua chance. Desperdiçaram-na com privatizações contrárias ao interesse nacional, vulnerabilidade externa, inserção subordinada, arrocho fiscal e desmonte do Estado. Uma lástima.

Perderam. Deverão perder de novo, não pelo passado, mas porque não aggiornaram o projeto, enquanto o Brasil e o mundo mudaram aceleradamente. Os tucanos pisaram nos astros distraídos, esqueceram-se de ver o que ocorreu com o povo brasileiro. Escudaram-se na grande mídia açulando a matilha para ir ao segundo turno. Improvisarão uma terceira versão da estratégia eleitoral e um programa para o país. Serra tinha razão ao julgar melhor tentar vencer sem o chumbo de FHC no cangote, não deu. Agora tem que deixar a alma ao diabo. Mostrou-se mais apto a dividir a nação, primeiro passo para o insucesso do projeto nacional.

Que venha à tona o legado FHC. Dilma tem tudo a ganhar com a presença disso no debate eleitoral. E tem apoios para fazer uma campanha vibrante, dasperspectivas e valores da democracia, do amor ao povo e patriotismo, questões que só coexistem com uma nação forte, integrada e respeitada. Dilma, com o legado de Lula, é que a une.

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Aos guerreiros e guerreiras

Posted by waltersorrentino on 4th outubro 2010

O blog saúda efusivamente os guerreiros e guerreiras do PCdoB de todo o país pelos esforços na grande luta nacional em curso. Tivemos lado, combatemos nas linhas de frente, alcançamos resultados positivos no contexto da disputa eleitoral. Satisfação é o sentimento prevalecente. Humildade para aprender com as lições das urnas. Orgulho de ter travado o bom combate.

No Amazonas que nos brindou com a grande vitória de Vanessa senadora, ao Rio Grande do Sul, onde Manuela obteve votação consagradora e Assis também chega a deputado federal.

No Ceará, que além do senador, alcança duas cadeiras de federal, à Bahia, estupenda, com três federais.

Em São Paulo, que com extraordinário esforço retoma suas posições e penetra fundo no meio popular, com os mais de 7,7 milhões de votos de Netinho, a eleição de Protógenes Queiroz, mais a bancada estadual de dois deputados, puxada pela votação expressiva de Leci Brandão. Confirmando a indispensável liderança nacional de Aldo Rebelo, mais uma vez.

No Acre, da Perpétua que se confirma como maior liderança popular a deputada federal.

Em Minas Gerais – da Jô Moraes consagrada líder da esquerda, e mais o bom resultado alcançado no senado – ao Amapá, onde Milhomem se reelege federal.

No Piauí, do extraordinário político Osmar Jr, a Pernambuco, com Luciana Santos ponteando como líder nacional promissora.

No Rio de Janeiro, levando de volta Jandira Feghali à Câmara dos Deputados.

Mas igualmente nos orgulha os que, neste momento, não venceram nas urnas. Os guerreiros maranhenses, incríveis em determinação, capazes de levar uma disputa absurdamente desigual aos décimos de fração na decisão. Grande Flávio Dino! Igualmente, Netinho de Paula. Talvez o que mais foi mencionado no blog nestas semanas, pelos ataques incruentos e permanentes que sofreu. Netinho nunca conseguiu nada fácil. É temperado pela vicissitudes que marcam a luta do povo. Está sereno. A meu ver, é um vitorioso, também na disputa ao senado, com seus mais de 7,5 milhões de votos. Edvaldo no Acre, Biga no Sul, Bonfim em Alagoas, Ghisoni em Santa Catarina, Sávio no Norte.

Saudar ainda os que elegeram apenas os deputados estaduais, como Santa Catarina, Rondônia, Rio Grande do Norte e Roraima, quem sabe Pará, após ingentes esforços de acumulação de forças.

Saudar o esforço para eleger Governadores destacados, no RS, RJ, ES, BA, se, PE, CE, AM, AC, MT além de outros ainda por confirmar no segundo turno.

É disso que se trata, acumulação de forças. Ver as coisas em perspectiva. Por isso, mesmo onde não se alcança êxito eleitoral, é possível que tenhamos acumulado, ou saibamos extrair lições para alterar os rumos partidários.

*

O PCdoB progride. Acertos e erros serão devidamente pesados para os resultados alcançados. Mas antes de tudo está o combate que não cessa: o da soberania, democracia, desenvolvimento da nação. Dilma foi o vetor do projeto pelo qual lutamos eleitoralmente estes meses. Seguirá estando, numa batalha tão difícil quanto decisiva para os rumos nacionais e do próprio partido. Mais que nunca os comunistas são necessários na linha de frente.

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“Só a Política e o povo para transformar a realidade social”

Posted by waltersorrentino on 2nd outubro 2010

Dilma-Lula

A força provém dos trabalhadores

O Brasil pode dar mais um passo histórico neste domingo de outubro.

Uniram-se amplas forças para um projeto nacional, de desenvolvimento e inserção soberana no mundo, com democracia e um povo integrado socialmente aos benefícios do desenvolvimento. Um novo Brasil, nação em retomada de sua construção, cujos antecedentes modernos datam de 1930, onde pontearam estadistas como Vargas, Kubitschek e Lula.

Lula abriu caminho, Dilma precisa consolidá-lo e aprofundá-lo.

Habemus president(a) pode ser o recado das urnas já às vinte horas deste domingo.

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Havia e há dois projetos em confronto, embora a oposição não tenha conseguido formular o seu abertamente. Ela esperou poder enfrentar Dilma; mas Dilma mais Lula e a obra de seu governo estava além de suas forças. Apostaram numa onda verde, que também se revelou a serviço de projeto contrário ao que está em curso no país. A capa de VEJA é expressão direta de que a oposição perdeu o debate político no país, frente ao projeto que está em curso com Lula.

Mas a força conservadora é grande, todavia. As urnas precisam confirmar se a vitória será já no primeiro turno.

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Dilma é uma vitoriosa. Convicta, experiente, ganhou habilidade e agregou forças. O fato de ser mulher é outro símbolo forte dos tempos. Era mais que hora, o tempo gestou as personagens que encarnam seu espírito.

É previsível sua vitória, nem por isso menos extraordinário que se confirme. Terceiro governo desenvolvimentista, de um projeto soberano, democrático e social para o país, amparado essencialmente em forças populares! Jamais isso ocorreu em nossa história republicana, só isso. Getúlio se imolou, JK enfrentou tentativas de golpe, Jango foi derrubado pelas armas. Mais que extraordinário, espetacular, bem vistas as coisas, se confirmada presidenta já no primeiro turno.

Mais: Lula e Dilma farão maioria política. Dilma terá condições de fazer um grande governo. Muitos são os dilemas a enfrentar para consolidar e avançar no rumo aberto no país. Obstáculos são formidáveis, internos e externos. Mas as urnas nos dão força.

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O PCdoB pode florescer ainda mais nesse ambiente. Teve lado, teve clareza e firmeza, teve candidatos identificados e comprometidos com esse rumo. Será justo que colha vitória nas urnas.

Netinho de Paula como possível senador por São Paulo será um dos maiores emblemas desta eleição. Para o governador Requião, o Obama de São Paulo. Outro sinal dos tempos. Atacado, vilipendiado, alvo de preconceitos nem sequer disfarçados, com uma campanha simples, o negro, comunista e artista emerge na cena política como expressão de que as camadas populares querem ter voz própria e se reconhecem na trajetória dele.

Netinho está na estrada há quase duas décadas; venceu mas manteve lado, sempre se voltou para os seus. Teve a visão e a convicção de que não bastava seu papel de artista comprometido com o desenvolvimento social. “Só a Política permite transformar a realidade social de milhões”, foi a alma de seu projeto. A política e o povo. Não deveria surpreender, mas de há muito a emergência do povo (e dos negros) é invisível para a “opinião pública oficial” do país.

O projeto de Netinho senador tem décadas de amadurecimento. Concretamente começou a ser forjado há três anos, quando ingressou no PCdoB explicitamente comprometido com a construção da candidatura a senador. O PCdoB de São Paulo soube acolhê-lo e fazer consigo essa construção.

Terá sido também uma vitória política histórica e extraordinária. Sinal de que São Paulo tem povo, que ocupa seu espaço político, afirma que um novo processo político está em curso. A força do povo paulista irrompe de tempos em tempos eleitoralmente, como provinda de um extenso aqüífero subterrâneo. Assim foi com Erundina e Marta. Antes, com Luiz Carlos Prestes e Cândido Portinari, o senador comunista “furtado” nas planilhas eleitorais. Depois, com Lula em 2002. Desta vez, Netinho foi o vetor que abriu a fissura da fadiga de material tucano em São Paulo. Com isso, poderão ser três senadores de esquerda pelo Estado, uma mulher e um negro comunista. Mas, emblematicamente, Netinho vitorioso será muito mais que isso para o povo de todo o país.

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A campanha presidencial, entretanto, ficou despolitizada. Os outrora célebres debates ficaram engessados em regras de espírito colegial, estiveram voltados para gerar sensações em grupos de “qualis” que representam pretensamente o microcosmo da nação. Frieza, mais que mornidão foi o produto de uma oposição que não soube se situar na disputa e cometeu erros políticos estratégicos. Marina foi uma tentativa de terceira via desconectada dos verdadeiros desafios de afirmação nacional. Dilma tinha e tem a seu favor a obra que está em curso e que foi reconhecida pelos eleitores como extremamente positiva.

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A oposição terá que se reinventar. Não haverá tempo num eventual segundo turno. Descobrir seu eixo perdido vai exigir clareza que não tem. Abrir-se para o novo Brasil, saber dialogar com o que ocorre nas profundezas da sociedade. Ela é importante, mas tem que abandonar as veleidades golpistas de coroneis modernos, arrogantes e pretensiosos no uso do poder para aplastar a vontade do povo. Precisariam disputar ideias e projetos. Vai demorar um pouco para isso ocorrer.

Mas o país precisa, além de amplas forças para dar sustentabilidade ao novo governo, também de uma oposição séria, programática, responsável. Que não seja antinacional ou antipopular. A democracia é feita de dissensos e disputas, mas os interesses da nação e do povo brasileiro precisam estar acima disso.

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Um aspecto mais recôndito do novo quadro que emergirá, nem por isso menos importante, a de que os paulistas não ocuparão a presidência e possivelmente nem o núcleo central da oposição.

O país se integrou mais, as desigualdades regionais ficaram mais equilibradas, igualmente as sociais. O Nordeste arranca em desenvolvimento da infraestrutura e no consumo popular, o Rio volta a ocupar papeis centrais na vida econômica, o Sul se põe a caminho com Tarso Genro. Norte e Centro Oeste tem seu papel no projeto estratégico nacional.

Mais que uma questão apenas política, tem alcance social e econômico e é fenômeno positivo que São Paulo não polarize partidariamente toda a vida política do país.

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As forças populares e de esquerda em sustentação a Dilma presidenta terão grandiosos desafios. Se é preciso governabilidade, com ampla sustentação política no Congresso, mais ainda é necessário um núcleo firme de condução, em bases programáticas sustentada nas forças populares.

Esse núcleo precisa ser a união histórica que, desde 1989, vem sendo gestada no país e conduziu às vitórias alcançadas. Possivelmente sairá muito fortalecido nas urnas. No novo quadro, se exigirá uma releitura de relações de força, outras atitudes políticas. Mas a unidade ampla com base nas forças populares e um projeto de nação é a chave de tudo.

O Brasil do povo vencerá e pode ser, de fato, uma grande nação internamente integrada social e regionalmente, desenvolvida de forma soberana, parceira de seus vizinhos sul-americanos, com uma democracia aprofundada e o povo beneficiado por progresso social.

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O Brasil vencerá. A democracia se consolida à medida em que se transforma num bem popular, como vem ocorrendo.

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Democracia fortalecida

Posted by waltersorrentino on 30th setembro 2010

O clima da reta final de campanha sofreu uma pequena inflexão, alterando o tônus pretendido pelos possivelmente derrotados no domingo próximo.

Maria Inês Nassif, em Valor de hoje, vai ao ponto: “Os velhos medos conservadores não cabem no novo mundo. Nem no Brasil de 2010. E são eles que estão sendo chamados às urnas, na impossibilidade de interlocução com setores que fogem ao controle da política tradicional”. (veja aqui: http://bit.ly/baBELn).

Ela se referiu à pregação “anti-totalitária” que encheu as páginas de jornais e revistas (nascida em São Paulo e Rio, diga-se, e com efeitos menores fora desses Estados). Longe da realidade democrática do país e do sentimento popular – um presidente com 80% de aprovação, que reflete assentimento com o projeto em curso no país – esses setores perderam uma boa chance de dizer o que pretendiam para o país. Não havia oposição de projetos, tampouco houve projeto alternativo de Serra para o país. Eles perderam o debate político na sociedade. Sobrou pretensão e exasperação. Com isso, certamente, também levaram para o segundo plano o debate do próprio projeto de Dilma para a situação imediata do país.

A lúcida jornalista, entretanto, argui o “chamado à caserna” por parte dos setores conservadores como estratégia superada. Esqueceu talvez de referir o que ela mesma vem elaborando nos últimos anos: as casernas estão nas redações da mídia monopolizada. Esta não está superada, haja vista o que ocorre não só com Dilma em São Paulo, como com o próprio Netinho de Paula.

Neste domingo será dada mais uma demonstração de que a democracia brasileira está de fato caminhando adiante. O voto secreto e direto resolverá as questões, a vontade popular é inequívoca. Felizmente, ela não se pauta mais apenas pela grande mídia, decodifica à sua maneira o que interessa de fato em sua vida cotidiana.

O mais preocupante neste momento – e que veio se instalando nos útlimos anos – é a postura da Justiça, a eleitoral e o próprio Supremo. Judicializaram a política – ocupando vácuo deixado em alguns casos pelo Congresso Nacional – e politizaram o judiciário.

Verdadeiramente, não era o caso de o eleitor ir às urnas domingo sem certeza da validade completa do ato de votar e da decisão de seu voto. Nunca houve problemas com a necessidade de dois documentos para votar, a exigência é descabida. Entretanto, o Supremo deixa em suspenso a matéria, com o pedido de vistas de Gilmar Mendes quando a votação já estava em sete a zero. Consta pela imprensa que o fato ocorreu depois de Mendes e Serra terem se falado ao telefone.

Já a questão do julgamento da Ficha Limpa comprometeria mais pesadamente o pleito. O eleitor não sabe se valerá integralmente seu voto, pois que candidatos majoritários podem ser impugnados (e alterar o resultado das urnas) e a confusão quanto a candidatos proporcionais eventualmente impugnados seria monumental.

Mais que esses percalços, entretanto, a democracia é um bem popular em nosso país, profundamente respeitada no governo Lula. A grita da oposição nesse quesito é falseadora. Resta consolidá-la, avançar contra a impunidade, pela moralização da máquina pública, aperfeiçoar mecanismos de fiscalização que não limitem a própria vontade popular. Isso só será possível com fortalecimento dos partidos políticos e com financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais.

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Armação contra Netinho é constrangimento eleitoral inaceitável

Posted by waltersorrentino on 29th setembro 2010

Ontem, em Ato de apoio de artistas, intelectuais, personalidades do movimento contra a discriminação racial, enfim, centenas de pessoas reunidas em torno da candidatura Netinho de Paula ao Senado, o candidato fez uma denúncia emocionada.

Durante o dia, quando ele estava em campanha na rua, policiais com viatura entraram sem mandato no condomínio onde mora e buscaram entrar em sua residência, onde estavam seus filhos, “para fotografar” o interior da residência. Não lhes foi dada entrada na residência, mas isso significou um aparato policial dentro do condomínio, transtorno aos vizinhos e pressão sobre os familiares.

Nenhuma justificativa e nenhum mandato foram apresentados no momento.

O caso, obscuro, representa um constrangimento eleitoral inaceitável, completamente ao arrepio da lei. Ocorrer um episódio desse em São Paulo, com participação do poder público de uma delegacia de polícia, exige que as autoridades se expliquem, sob pena de demonstrar descaso governamental com os direitos civis.

Netinho de Paula é a candidatura em São Paulo que mais vem atraindo armações, dossiês fajutos, jogadas escusas e covardes, ataques mentirosos. O ponto de partida foi dado pelo candidato ao senado pela oposição, que derrapa nas pesquisas. Sua TV e rádio permanentemente apresentaram ataques a Netinho. A grande mídia, em peso, alimentou o esquema.

Agora, as autoridades têm que deixar bem claro que não estão envolvidas nessas armações. Cabe a elas manter a lisura do pleito e não permitir conspurcar o processo eleitoral.

Netinho de Paula está tranqüilo, mas indignado, como demonstrou ontem. Recebeu apoio, solidariedade e carinho de todos os presentes. A compreensão de todos é que o episódio revela mais uma vez o ódio ao povo, sobretudo aos negros, quando avançam na vida política e social. Na falta de argumentos, recobrem a realidade com denúncias falsas para, pelo menos, disfarçar o pesado preconceito de classe e etnia que existe na vida de São Paulo.

A melhor resposta a isso é eleger Netinho neste domingo. Repito: ele é personagem que alia grande popularidade pelo carinho com que se manteve ao lado dos seus nestes anos todos de sua carreira, com grande conteúdo e qualificação política. Quem não o conhece de perto se surpreende com essas qualidades. Merece o voto. Também porque é o caminho de fortalecer o time de Dilma, elegendo em São Paulo dois senadores. E virar mais uma página do preconceito contra os que vêm de baixo. Netinho Senador é a expressão do novo Brasil que emerge, com a força do povo, na política nacional.

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História do futuro imediato

Posted by waltersorrentino on 27th setembro 2010

Quais os maiores vitoriosos da eleição que se realizará daqui a seis dias?

O povo brasileiro. Ele estará no proscênio político. Formou sua própria opinião eleitoral pela experiência de vida. Terá rechaçado baixarias, não se enganou com pregações dos barões da mídia, separou joio de trigo.

A democracia. Mais de cem milhões de votos dos 135 milhões de eleitores. Será resposta cabal à apelação de matiz golpista que consistiu em atribuir ao campo democrático e popular restrição de qualquer ordem à democracia, às liberdades, às instituições.

O rumo que o Brasil adotou nestes oito anos. Sairá fortalecido porque o povo compreendeu, aderiu e sustentou. Rumo do desenvolvimento soberano, democrático, distribuidor de renda e de integração regional do continente sul-americano.

Dilma, a maior vitoriosa, pessoalmente. Pela capacidade, tenacidade, firmeza, serenidade. Vai nos liderar nos próximos anos.

Lula. Magistral e corajosa condução, que não se dobrou. Um brasileiro extraordinário cuja liderança alcança dimensão internacional. Paralisou a estratégia oposicionista já com o pronunciamento de 7 de setembro.

A base aliada. Governadores importantes, inusitada ampliação da bancada de senadores, maioria de deputados que dará conforto ao novo governo. No seio da base, ganha a esquerda – PT, PCdoB, PSB e PDT – terá elevado substancialmente sua participação. O PT de fato maior partido do país, liderado por Lula.

Netinho de Paula, expressão simbólica das mais concentradas do novo Brasil que emerge na política. Popularidade ao lado de grande conteúdo político, terá vencido porque tem lado e sempre o lado do povo. Um negro, comunista e artista no Senado pelo maior Estado da Federação, com uma campanha pobre. Sinal de novos tempos.

Somando tudo, terá vencido o Brasil.

Junto com ele nosso querido PCdoB, que deu o melhor de si para que esses dias se confirmassem no Brasil. Seus candidatos e candidatas, vitoriosos ou não nas urnas, suas direções em todos os níveis, sua militância esforçada, ganha com o avanço do Brasil.

Faltam só seis dias para confirmar ou não a história do futuro. Enquanto é futuro, está ainda nas nossas mãos transformar pretensões em realidade. Ao voto, cidadãos e cidadãs!

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Dez dias “sanguinários” em SP

Posted by waltersorrentino on 23rd setembro 2010

A mídia no Brasil é tão livre que é absolutamente monopolizada em meia dúzia de famiglias. O que eles querem é manter o monopólio de poder, só isso. Tanto nas comunicações quanto na esfera política. PIG é o maior partido da oposição, subsome até os demo-tucanos.

Serra terminará tristemente esta eleição. Ele deveria concorrer na Colômbia… Lá ele poderia invocar sequestros, paramilitares… Imaginar que o processo futuro da oposição se dará sob as bandeiras exasperadas que estão sendo levantadas (ameaças fascistas) é um mau passo, para eles e para o Brasil. Nem Aécio entra nessa, e Geraldo está calado. Os outros daquela laia estarão derrotados daqui a dez dias em seus estados. Enquanto isso, não se põe em foco que presidência de Dilma não é a de Lula com sua força própria. Dilma vai somar e já está somando politicamente. A alegação oposicionista é coisa de isolamento político.

Enquanto isso, o verdadeiro pano de fundo da disputa desaparece. Outro dia, mais uma grande matéria foi publicada para mostrar os “êxitos” de FHC na presidência, como suposta base para os avanços de Lula. O que não se diz é o essencial: o rumo do país sob FHC era outro, antagônico ao atual – inserção subordinada ao campo dos EUA, dependência, desregulamentação financeira, desestatização, do que proveio vulnerabilidade externa extrema. Os tempos de Clinton e Blair já eram.

O Brasil está escolhendo manter o rumo. Luis Fernando Veríssimo vai ao ponto: “Desde UDN x Vargas nenhum presidente brasileiro foi tão atacado quanto Lula. Nenhum acabou governo tão bem cotado”.

Estes serão dez dias em que a mídia sangrará, num facciosismo absoluto.  Lula fascista é coisa de energúmenos. A grita da oposição é do isolamento político. Essa gente contabiliza quantas capas de Veja faltam até a data do cadafalso. Tais tipos de denúncias só repercutem em segmentos determinados, estreitos, e mais em São Paulo. OESP, FSP, Veja mais o sistema Globo sustentam os absurdos. Por que?

O que está em jogo na verdade, é o 2º turno, mas em SÃO PAULO. Visam interditar a onda capaz de eleger dois senadores e levar a eleição de governador ao 2º turno, com Mercadante. Eles têm receio da onda da reta final.

Por exemplo: há quantas semanas Tuma está internado? Alckmin é respeitoso com o eleitor utilizando o candidato para fechar 2º voto?  A mídia informa corretamente a situação? El Cid foi no século XI. No século XXI isso não tem cabimento democrático.

Denúncias moralizantes são facciosas. Tudo vai sendo apurado, nos conformes da lei. Se fosse para valer, então a mídia deveria embarcar decididamente na luta pelo financiamento público exclusivo de campanha, fortalecendo os mecanismos de controle já existentes. Por que não o faz? Há aí a mesma questão: manter o controle de poder político em mãos convenientes, amparada pelo poder econômico. Para o povo, as políticas compensatórias.

Nós queremos o contrário. Um projeto de nação soberana, democrática e com as forças populares no comando.

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