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    O blog Projetos para o Brasil visa ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.

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Archive for the 'Opinião' Category

Opiniões

Os dilemas das eleições-2012 em São Paulo

Posted by waltersorrentino on 22nd fevereiro 2012

Difícil a situação de José Serra. Isolado em seu afã de ter um “foco nacional”, visando às eleições presidenciais de 2014, está pressionado por todos os lados a se candidatar a prefeito. Seria contra sua vontade manifesta. Não sendo, se isola mais e deixa a oposição em dificuldades, a começar pela possível perda da prefeitura de São Paulo, com reflexos nas eleições ao governo em 2014. Candidatando-se, precisa vencer. Derrotado, sai do páreo político.

Alckmin age com a mão do gato, não quer queimá-la. Seu foco é a reeleição em 2014, visa a manter os dedos. Vencendo na capital, com Serra, teriam que se recompor entre si, o que é sabidamente conflitivo. Alckmin sempre teria a alternativa, não sendo Serra o candidato, de se apoiar em acordo com Chalita, do PMDB, às claras ou por baixo do pano.

Kassab faz seu jogo. Também visa a 2014, algum cargo majoritário. Líder de seu novo PSD, precisa no mínimo não ser derrotado de forma acachapante nestas eleições. O melhor seria de fato apoiar Haddad, compondo-se diretamente com o governo Dilma, de quem pode almejar um Ministério. Seu governo não seria bombardeado na campanha, por nenhum dos lados. O PT tem o governo federal para induzir engenharia política para manter Kassab, vencedor ou derrotado, no seu campo de atração.

Sendo Serra o candidato, diz Kassab que o apoia e adia seu projeto em dois anos. Não é a única hipótese crível, apenas a mais otimista. O seu projeto poderá sair enfraquecido. Se  Serra perde, Kassab fica dois anos sem a mesma força para liderar o seu partido. A composição com o governo federal perde substância. No pleito para 2014 dependeria de uma das forças polares, PSDB e PT. Acresce que a aliança Kassab-Serra pode mudar os termos da relação PSDB-DEM e, igualmente, a de PSD-PSB. Nem sequer garante maior tempo de TV a Serra, já que essa matéria está sob exame da justiça eleitoral todavia. Se vencesse com Serra, a dificuldade pessoal seria minorada para se candidatar ao senado, possivelmente, mas fica atrelado ao campo tucano. Por isso, possivelmente, Kassab não desenha nenhum papel de protagonista central na eleição à prefeitura, busca um segundo plano honroso que lhe possibilite margem de manobra em qualquer das duas situações.

Quanto ao PT e seu projeto de fincar raízes definitivas em SP, na prefeitura agora e no governo estadual em 2014, as dificuldades aumentam com Serra candidato e apoiado por Kassab. Ou o PT formaria um amplo arco ou pode perder mais uma vez em outubro próximo. As candidaturas de Netinho de Paula pelo PCdoB, Russomano pelo PRB, Chalita pelo PMDB e Paulinho da Força pelo PDT, têm dificuldades diferenciadas mas um ponto de partida forte e incidem fortemente no quadro de possibilidades que o PT traçou para si.

O jogo está sendo jogado. De todo modo, Serra seria um candidato contra a vontade, a sustentar uma postura oposicionista no plano federal. Apoiado por Kassab, teria que sustentar um governo municipal que só tem 22% de aprovação e 37% de insatisfação popular. Se não for apoiado, teria dificuldade em fazer a crítica frontal a seu ex-aliado.

O dilema de Serra tem muito de obstinação pessoal, mas é, no fundo, o dilema da oposição profundamente enfraquecida, que se vê acossada no ninho central dos tucanos.

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Rússia e China: gestos de alto teor

Posted by waltersorrentino on 13th fevereiro 2012

Há gestos que concentram em si uma perspectiva de mudança epocal. Gandhi o fizera com o “punhado de sal”: desatou o movimento independentista na Índia.

No Conselho de Segurança da ONU, a Rússia vetou novas medidas contra a Síria. Mas, em seguida, a China levantou a mão, somando-se ao veto. Nem era mais necessário. Mas o gesto é clamoroso!

EUA e OTAN pretendem a guerra civil na Síria para enfraquecê-la (e, junto, a Rússia) e preparar o terreno para isolar e agredir o Irã. A nova doutrina militar de Obama não deixa dúvida qual o alvo para eles, no presente e futuro: a China.

China e Rússia estão em reaproximação e aliança. Isso constitui um dos grandes fatos da atualidade de um mundo em transição acelerada.

Sem dúvida, com a evolução da crise capitalista, o mundo não é e não será mais o mesmo. A receita neoliberal faliu, criou a crise e, com sua ideologia e política econômica, só tem “mais do mesmo” a oferecer.

O velho morreu; o novo não nasceu. Os próximos vinte anos serão bem, bem interessantes mesmo.

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Brasil: pensamento crítico é necessário

Posted by waltersorrentino on 2nd fevereiro 2012

Pensamento crítico é o que importa. Isso vale para a situação da oposição e sua notória falta de bandeiras. Ela não pode se opor frontalmente ao projeto dominante, então tenta uma manobra colateral de sequestrar a agenda de Dilma. Dá para sobreviver… A chave foi dada por Dilma. Sem traquejo político prévio maior, nem capital político próprio, o jogo foi não se fazer refém da base; a oposição compreendeu rapidamente o jogo e o jogou. Soma-se, de certo modo, à onda, enquanto procura o eixo. Governadores tucanos fazem parcerias (é bom, “republicano”); FHC aceitou os afagos; a oposição frontal ficou com Serra, isolado em seu afã de se manter à tona para as eleições presidenciais.

Mas não cabem ilusões: depois vai se opor em novas condições. A agenda da faxina procurará, se possível, responsabilizar a própria presidenta por “mal-feitos” de equipe com a qual trabalhou desde o governo Lula. Viu-se desde o início, a agenda da diferenciação entre Lula e Dilma, que estaria às voltas com o “legado de um governo populista”. Agora, o choque de gestão a põe, em certos termos, no terreno da… gestão. É uma pauta de certo modo despolitizada, mas vai também reforçada pelos índices de popularidade, algo no rumo de “como queríamos demonstrar” do teorema posto pela presidenta.

É certo que a condução econômica saiu do fiscalismo puro e que a presidenta se revela firme e corajosa quanto ao desenvolvimento do país. Medidas importantes na macroeconomia deixaram o país menos afetado pela crise. Os juros podem cair a patamares de uma nova fase econômica no Brasil, possibilitando outro mix de medidas cambiais e fiscais para levar a situação a um desenvolvimento – senão mais acelerado – ao menos de contraponto à crise mundial.

Mas os desafios estratégicos estão perante todos: como elevar investimentos para acelerar o desenvolvimento? Este é um país que precisa desenvolver a Amazônia de forma sustentável. A sua cadeia industrial, afetada duramente pela conjuntura mundial e a valorização da moeda nacional. Há dez anos tenta a terceira pista no maior aeroporto do país. Não alcançamos educação universal, o gargalo no ensino fundamental e médio em termos de qualidade permanece. O SUS, única política pública efetivamente nascida das lutas sociais, luta por se firmar. Não tem infraestrutura para o escoamento adequado da produção agrícola nem sequer para a produção de cana. O maior fenômeno que afeta o meio ambiente é o lixo e esgoto não tratado levado às águas dos rios, contaminando o solo – só 10% do esgoto é tratado no país. O rio Tietê, após dezoito anos de obras e 20 bi segue morto nas imediações da capital. Não há transporte de massa para os maiores aeroportos do país, como Guarulhos e Brasília e maior cidade do país sequer tem Rodoanel pronto. Ademais: o veículo lançador de satélite e a agenda espacial brasileira? O submarino atômico para guardar as águas do pré-sal? Os aviões da FAB, há dez anos em exames? Tudo muito prolatado. O etanol? Importamos, dos EUA, enquanto a indústria sucro-alcooleira está sem plano estratégico, num país que foi vanguardeiro na matéria. As hidrelétricas?  As bases das políticas existem, mas muita coisa engatinha.

Por isso, a necessidade de desenvolvimento acelerado. No plano econômico, dificilmente isso se realizará apenas mediante alteração no mix das medidas macroeconômicas. Certo é que se caminha e se manobra nesse plano. Mas foram 236 bi em 2011 as despesas com juros, 21% a mais que em 2010, hoje 5,72% do PIB. O défice em conta corrente alcança 2,12% em 2011. Por esse caminho tem que se garantir superávite primário de 3,1% ao ano (não bastou Lula ter afirmado, quando assumiu o segundo governo, que já bastava o sacrifício feito) e, pior, o sistema financeiro cobra juros de mais de 100% ao ano no crédito privado, contendo o consumo em mais uma medida que afeta desigualmente as classes mais desfavorecidas.

O chamado modelo “social-desenvolvimentista dá as bases, como se vê, para o que vem ocorrendo, tanto em termos de positividade quanto de limites. Sem desfazer a equação do peso relativo descomunal do sistema financeiro na dinâmica atual, não se rompem esses limites. Para isso, não é na condução econômica que reside o maior desafio.

São, bem vistas as coisas, elementos que desafiam a política, a liderança política, a capacidade de agregar forças impetuosas para ir além. Gestão? Também, revolver a máquina do Estado. Mas muito além disso. Trata-se de empreender reformas profundas que desfaçam os nós presentes, para o que se necessita, sim, forças amplas, no ambiente próprio da política brasileira.

O desafio de Dilma é político. Repactuar as forças para induzir ao maior investimento e defesa de patrimônio nacional. Dar a perceber um núcleo político do governo. Olimpicamente nada se resolverá, até porque repactuação envolve forças – que não faltarão a Dilma na sociedade se mobilizadas. Por isso, para seguir adiante, com Dilma à frente, o pensamento e ação críticos são uma forma importante de contribuir.

Porque, ao fim e ao cabo, o mundo em transição que se vai instalando com alguma celeridade não comporta procrastinações, nem se pode imaginar que os elogios da “comunidade internacional” de hoje não se desfaçam amanhã (foi por exemplo o notório agiornamento no caso da Espanha). A rigor, a China já descolou ou deslanchou. Ficam Índia, Rússia, Brasil e África do Sul, com enormes assimetrias, pelas quais os dois últimos ainda são retardatários no grande jogo mundial em defesa de seus interesses nacionais.

Não bastará boa gerência nem boa situação fiscal do Estado. É preciso, antes, um Estado nacional que conheça seus interesses mais profundos.

É dura a vida das nações. Há no Brasil um rumo a ser aprofundado, pela via política: desenvolvimento acelerado, metas de crescimento e de investimentos. Voltar o esforço das forças sadias da nação para esse mister. O Brasil não só tem pressa como tem mar grosso pela frente. Até porque, pelo bem ou mal, os próximos vinte anos serão os mais interessantes em termos da grande luta por um novo estágio civilizatório para a nação.

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São Paulo, 458 anos

Posted by waltersorrentino on 24th janeiro 2012

Sanpa 1

458 anos de Sanpa, nossa querida cidade, a maior metrópole do país e uma das maiores mundiais.

Vão aqui as homenagens de um paulistano da gema, aproveitando imagens e reflexões da melhor coisa que se fez sobre São Paulo nos últimos anos. Refiro-me à revista editada pelo mandato do querido companheiro Aldo Rebelo, por ocasião de sua candidatura a prefeito em 2008. Assim, homenageio também a ele: um alagoano que se fez um dos símbolos da cidade que o acolheu e, antropofagicamente, o fez paulistano ao mesmo tempo em que a cidade se fez síntese do Brasil, integrando gente de todo o país e de praticamente todas as partes do mundo. Esse é o belo cosmopolitismo da aldeia.

No início era a escola. Ao contrário da maioria das cidades, que surgiram de quarteis, Sanpa nasceu abnçoada pela educação. Os jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta ergueram, em janeiro de 1554, com ajuda de índios e caboclos, a escola que foi semente da metrópole, o Páteo do Colégio. O projeto evangelizador era baseado na educação e na igualdade. A ideia dos fundadores ainda mora no coração dos paulistanos.

As torres da Catedral da Sé apontam a grandeza do horizonte de SP, no marco zero da cidade. Símbolo de esperança dos paulistanos, alma e corpo da metrópole.

O museu do Ipiranga é dos monumentos que mais representam a cidade. Berço da Independência do Brasil, Sanpa destaca-se por conduzir as transformações do país. Para que São Paulo cumpra seu ideal é preciso preservar sua alma, sua beleza, sua cultura.

A cidade líder do Brasil. O espírito bandeirante de São Paulo desbravou o Brasil. O Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, impõe-se como símbolo da cidade como que para lembrar-nos que a marcha continua. Primeiro foi Raposo Tavares, Borba Gato, Fernão Dias e outros. Agora é o tempo dos Severinos, dos Giovannis, dos Mustafás, dos Yamadas. Sanpa tem de exercer sua liderança também na América Latina e no mundo. Para isso sua população precisa estar preparada e unida. O brasão municipal já diz tudo: “Não sou conduzido, conduzo”.

São Paulo é terra de sonhos e oportunidades mediante o trabalho. Os brasileiros que aqui nascem e os que aqui chegam querem construir suas vidas, estabelecer raízes, plantar e colher os frutos do crescimento com educação, saúde, paz e justiça social. O trabalho é a força de São Paulo, de onde nasce o quadro “Operários” de Tarsila do Amaral como retrato sensível da vida do povo tyrabalhador, homens e mulheres simples, mistura de raças e povos que, de São Paulo, ninspiraram a luta sindical nacional.

Em São Paulo, brasileiros e estrangeiros se fundiram em uma só cultura. Uma multidão que acorda cedo e dorme tarde movida pelo sonho comum de crescer com São Paulo e fazer São Paulo crescer. Na terra onde os sotaques e os temperos se misturam, as diferenças se encaixam para criar unidade. A cidade é generosa, mãe que acolhe todos de braços abertos. A luta é para que todos tenham direito a tudo que a cidade oferece.

Generosas foram as contribuições de todas as forças democráticas, progressistas e de esquerda para com São Paulo. Os comunistas a honraram desde sua fundação, na mesma década em que ocorre a Semana de Arte Moderna, fundam-se importantes periódicos nacionais, ocorrem as maiores greves operárias em 1917, até as célebres jornadas grevistas de 1953 e as  lideradas por Lula no fim da década de 1970. Segue nas lutas democráticas contra o Estado Novo, o fascismo, a força expedicionária brasileira, a luta contra a ditadura militar, com forte protagonismo de São Paulo.

Em 1945 foi no Pacaembu que o maior líder comunista da época, Luiz Carlos Prestes, comandou gigantesco comício de esperança. O Petróleo é nosso, na esteira da histórica vitória de Getúlio Vargas em São Paulo em 1950, foi outro marco. Depois, na década de 1970, aqui ocorreu a tristemente célebre Chacina da Lapa, assassinando dirigentes  comunistas.

Aqui foi semeada a luta por justiça social e direitos, com o movimento unificado dos trabalhadores, o movimento contra a carestia, a luta pela anistia e pela constituinte, a vigorosa imprensa alternativa democrática como Movimento. Na cultura, em São Paulo foram semeadas as correntes artísticas mais influentes do país. Em todos os momentos, os comunistas presentes. Desde 1989, construindo as vitórias políticas da última década, que abrem novo tempo para a nação.

São Paulo está destinada a liderar, ombro a ombro os brasileiros de todos os recantos, a grande jornada por novo ciclo civilizatório desenvolvimentista no Brasil. De 2008 para cá, os números expostos se alteraram. Já são 74,3 km de metrô, 35 mil táxis, 7 milhões de veículos. Não para de crescer. Mas segue um défice civilizatório: moradia, educação, saúde, nem sequer há um rodoanel pronto nem transporte de massa para o maior aeroporto do país. O principal rio da cidade, após vinte anos de obras, não está saneado. Sua vida política é um funil estreito para a participação da cidadania: elege-se um prefeito e 55 vereadores, não há subprefeituras ativas.

Por isso também a fecunda sociedade civil da metrópole. Nela residem as esperanças. O principal défice da cidade é a vida democrática participativa, para o que o poder público precisa se fazer mais descentralizado.

Com tudo isso, São Paulo é uma síntese do Brasil. Viva São Paulo.

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A CGU e o Ministério do Esporte

Posted by waltersorrentino on 6th janeiro 2012

Começo de desvendamento, é o que permite a Folha de São Paulo hoje, em

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/18530-uniao-demora-20-anos-para-cobrar-desvio-de-r-300-mi.shtml.

Os “desvios” em Ministérios nos últimos 10 anos, segundo a Controladoria Geral da União, somam 7,7 bilhões e são assim oriundos: 34% do Ministério da Saúde, 14,5% da Integração Nacional, 12,5% da Educação, 8,1 da Fazenda, 6,2% do Trabalho, 5,7 do Planejamento, 3,5% do Meio Ambiente, 2,6% da Cultura, 1,7% da Ciência e Tecnologia, 1,6 % da Previdência. O restante são 9,6% de outros, onde se inclui o Ministério do Esporte.

Tamanho não é documento, por suposto, quando se trata de práticas com a coisa pública. Mas para enfrentar o problema – e a CGU já alegou que nem funcionários suficientes tem para toda a ação fiscalizatória – deve-se pô-lo em perspectiva adequada, hierarquizá-lo. Por que não indicar as ações que os Ministérios adotaram frente aos processos indicados? Quantos deles estão ou estiveram em processos do TCU?

Sabe-se que o Ministério do Esporte, sob a direção de Orlando Silva, condenou o denunciante João Dias a devolver aos cofres públicos perto de 4 milhões desviados. O processo chegou a termo no TCU, por iniciativa do Ministro. Sabe-se que a percentagem de convênios do Ministério com entidades não governamentais era cadente, chegariam a termo no ano de 2011, e a soma envolvida era menos de 1% do total de convênios feitos por todos os demais ministérios.

A verdade toda tem que aparecer e um trabalho permanente tem que ser mantido nesse sentido. Fiscalizar ação pública é uma coisa. A denúncia contra Orlando Silva é outra: foi armada, sem nenhum indício e menos ainda prova. A mídia oposicionista criou um factóide aproveitando a suposta denúncia de um criminoso. A questão fez parte da luta política contra o governo Dilma e renovou insuspeito – ao menos para alguns – anticomunismo.

A questão é que o Ministério do Esporte, sob comando de Orlando Silva, agiu corretamente, em defesa da coisa pública. Por que a mídia  se assume como um poder unilateral infenso a qualquer norma de direito, que “fiscaliza”, indicia, julga e condena? A verdade bastará para desvendar a trama. Quem tem medo dela?

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Dispersar usuários de drogas não é enfrentar o problema

Posted by waltersorrentino on 6th janeiro 2012

Repercute de maneira forte a ação iniciada pelo prefeito Kassab, em São Paulo, na chamada cracolândia. Trata-se, como se sabe, de uma chaga de múltiplas proporções na cidade. Mas é um tema universal, não só no país como em boa parte do mundo.

Por isso a celeuma. Uma ação da PM, ocupando permanentemente a região, é referida ao efeito “dispersão” dos usuários. O secretário alega uma “estratégia de dor e sofrimento”, advindo da “noia” dos usuários, para forçá-los à busca de assistência sanitária. Ao mesmo tempo, diz-se que visa a coibir o tráfico local.

De outra parte, há crítica ao caráter “higienista” da ação, referida ao meio urbano, e ao desvinculamento de medidas mais integradas, especialmente no tocante à saúde pública. É fato, até o momento, essa falta de estratégia integrada.

Em meio a isso, vai tomando corpo mais uma disputa política: a ação de Kassab (e Alckmin) seria uma antecipação aos intentos do governo federal enfrentar o problema das drogas nos grandes centros metropolitanos. Nesse sentido, o Ministro da Saúde, Padilha, estaria projetando ações nessa direção, com assistência de saúde fornecida por unidades volantes.

A questão é séria. Recuperar o meio urbano é importante, mas deveria ser compreendido como recuperá-la para seus cidadãos, por suposto. A questão dos usuários de drogas em geral, daqueles a “céu aberto” em especial, precisam de uma estratégia combinada, de largo prazo, envolvendo desde o tráfico até, sobretudo, o oferecimento de condições de saúde e sanitárias a quem dela necessita. A presença do poder público naquela região, de modo permanente e multilateral, é parte dessa estratégia.

A questão não comporta disputas políticas menores. É factível e indispensável. Aliás, um dos compromissos de campanha de Dilma Rousseff. Isso exige parcerias para o bem da cidade e sua população.

Ocorre, dizer, entretanto, que há um vício genético recorrente no poder público municipal e estadual de São Paulo: não têm olhos para ver a questão em sua dimensão social abrangente, falta-lhes sensibilidade própria para esse processo de políticas públicas. Veem a cidade de outro ponto de vista, que não a de integração dos cidadãos (ou, por outro ângulo, a veem do ponto de vista de sua base social decisiva para a qual, uma visão meramente higienista se põem). Consequentemente, suas equipes de trabalho não têm substrato para uma ação mais estratégica.

Para ser consequente, do outro lado, em São Paulo especialmente, tem se posto uma disputa permanente em torno de políticas públicas e sua paternidade. Isso, em última instância, configurou o mapa “político” da cidade, com um largo halo vermelho petista na periferia cercando o halo azul dos tucanos no centro expandido. É uma polarização a ser superada com visão política mais consentânea com o que acontece no país.

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Solidariedade ao povo da Coreia do Norte

Posted by waltersorrentino on 22nd dezembro 2011

É uma perda dolorosa para qualquer povo o desaparecimento inesperado de seu principal líder. O falecimento de Kim Jong-Il marcará profundamente a experiência do povo da República Popular da Coreia e as manifestações populares naquele país assim o demonstram.

Os povos têm cultura e identidade próprias. No caso da Coreia, forjada milenarmente. A dor é manifestada em público de modos singulares, dada essa cultura, e mais possivelmente as características do regime político. No caso brasileiro há o paralelo da revolta e dor com o suicídio de Getúlio Vargas, e a solidária impotência com que assistiu o triste episódio da morte de Tancredo, presidente que não assumiu seu mandato.

O povo e o governo da Coreia do Norte são merecedores de nossa solidariedade por tão dolorosa experiência. Trata-se de uma nação ainda em estado de guerra que já dura 60 anos, uma chaga legada pela Guerra Fria.

A nenhuma força progressista interessa o isolamento da Coreia do Norte, ao contrário. A pressão e agressão do imperialismo dos EUA merecem todo o repúdio dessas forças, em nome da soberania, da paz e da não-ingerência nos assuntos internos, como condição essencial para a reunificação da península coreana. Isso será fator de estabilização naquela conflagrada região da Ásia e Pacífico, alvo central hoje, mais uma vez, das manobras geopolíticas e militares dos EUA.

Cada nação e cada povo, necessariamente, devem determinar seus próprios caminhos de afirmação, do desenvolvimento e de regime político. Há tempos uma conclusão se impôs às forças que lutam pelo socialismo: não há modelo único de regime político-social para abrir caminho a transformações socialistas. A solidariedade devida ao povo da Coreia do Norte, ao Partido do Trabalho da Coreia e seus dirigentes, não implica identidade com qualquer modelo. Neste momento de dor, é mais uma vez indispensável, para afirmar a continuidade da luta frente às ameaças covardes do imperialismo para a afirmação da República Popular Democrática da Coreia, auto-determinados por seu povo.

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2012 feliz e de boas lutas para todos

Posted by waltersorrentino on 21st dezembro 2011

Renovo os votos para 2012, com a foto da amiga Vanessa Stropp, nossa querida colaboradora.

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A memória de luta de um povo é parte de sua própria luta

Posted by waltersorrentino on 15th dezembro 2011

Convite para o ato

Convite para o ato

A memória de luta de um povo é parte de sua própria luta. As nações são feitas dessas lutas, produtoras de experiências e aprendizados, identidades sociais e políticas estruturais da luta política de classes nas nações modernas, herois e mártires. Sempre estão associadas a simbologias ideológicas, costumeiramente interpretadas e reinterpretadas a posteriori. Tudo se soma num poderoso processo de hegemonias e contra-hegemonias que perduram às vezes por décadas. No plano histórico e cultural, a batalha pela hegemonia enquanto liderança política, cultural e moral da nação tem um peso maior do que se supõe em meio às refregas cotidianas. Elas provêm também da memória.

Por isso o direito à verdade é fundamental, mormente após os regimes ditatoriais. As classes econômicas dominantes no Brasil foram em geral crueis com respeito à memória da luta popular. Instituiu a “terra arrasada” sobre tudo que restou delas. Ao contrário, mesmo que ao nível apenas da história oral, a experiência ficou marcada no imaginário coletivo de uma multidão popular e foi, cedo ou tarde, resgatada “oficialmente”. Daí, na luta política, a importância de o Estado nacional apoiar esse resgate e assumir a responsabilidade pelos crimes cometidos. Ponto para a decisão do governo em promover a Comissão da Verdade. Não nos move a vingança, mas a justiça

Amanhã se completam 35 anos da chamada Chacina da Lapa, na qual foram trucidados Pedro Pomar e Ângelo Arroyo, que participavam de uma reunião clandestina da direção nacional do PCdoB. Também foram presos diversos outros dirigentes entre os quais Drummond, assassinado poucas horas depois em dependência da repressão. A operação foi bárbara e cruel. O comandante da operação foi o general Dilermando Gomes, inesquecível pela covardia do feito em nome das Forças Armadas brasileiras. Todo um povo havia sido proclamado “inimigo interno”, dissociando as forças armadas dos interesses da nação naquela quadra.

Não tardou e o episódio foi levado às dimensões que tinha de fato, desde a conquista da redemocratização. Foi um marco, seguido da prisão e assassinato de Manoel Fiel Filho e de Wladimir Herzog. Repercutiu internacionalmente, isolou o regime militar  e até mesmo acelerou a sua queda. Demarcou o lugar do PCdoB na luta democrática, ao lado de extensas forças, e produziu um giro político na orientação do partido a partir dali. Coube ao PCdoB o preço mais elevado por esses avanços.

Dos que morreram na Chacina da Lapa não nos esquecemos, igualmente dos que foram detidos. Com sua luta eles regaram o solo não só da redemocratização, mas de uma vaga popular, que foi alcançando conquistas até a histórica vitória presidencial de 2002, com avanços importantes hoje num quadro de acumulação de forças para as correntes avançadas. O  exemplo deles permitiu, de vários modos, alcançar conquistas importantes para os rumos da nação e do fortalecimento daquele mesmo partido, o PCdoB, empenhado em abrir ao caminho a uma perspectiva socialista.

Ontem, 14 de dezembro, o vereador Jamil Murad promoveu um Ato na Câmara de Vereadores de São Paulo em registro dos 35 anos passados. Na ocasião, me veio à mente que ninguém entre nós, que esteja na luta desde esses anos de chumbo no início da década de ‘970, jamais esquece as circunstâncias em que teve notícia do episódio. A história oral enriquece também a memória.

Pessoalmente, estava em Ribeirão Preto, terminando o quinto e penúltimo ano da Faculdade de Medicina da USP. Havíamos vencido algumas semanas atrás as eleições ao Centro Acadêmico Rocha Lima. Em 15 de novembro, havíamos eleito um vereador comunista, absolutamente clandestino, na corrente popular do PMDB – era Antonio Calixto. Dirigi sua campanha como presidente do Centro Acadêmico. Estávamos avançando no trabalho partidário extensamente, mas em absoluta clandestinidade e ilegalidade – o diretor da Faculdade e o superintendente do DOPS local (homem excomungado pelo papa por tortura contra uma madre) brandiam abertamente contra os comunistas pela imprensa e davam nomes a seus líderes.

Dei plantão de 24 horas dia 16 de dezembro, voltando às 7 horas da manhã para encontrar-me com os companheiros em casa (estudávamos e reuníamos muito pelas madrugadas, fora dos horários de aulas e atividades). Senti algo ruim no ar: uma tristeza profunda, gente chorando. Já haviam saído os jornais, que eu não lera. Foi um choque que nos paralisou instantaneamente. Tudo ruíra: o difícil trabalho para reestruturar o PCdoB a partir da direção nacional que se recompunha, após o pesado golpe da derrota da experiência no Araguaia. Um baque profundo.

Aquilo nos deixou sem contato partidário por vários meses, durante os quais não o cessamos entretanto. Foi difícil recuperar os contatos e tudo tardou. Quando o fizemos, outra dificuldade: a experiência em Ribeirão Preto estava exposta, devia eu me retirar rapidamente. Entretanto, entrava no último ano de Medicina e liderava a primeira greve nacional pelo direito à residência médica automática, a qual foi vitoriosa (nela repus relações com o amigo Sócrates Brasileiro, da mesma turma). Não podia sair de lá nessas circunstâncias. Orientação: submergir politicamente! Passei ‘977 nessa condição, formei-me dia 16 de dezembro, casei-me dia 23 para, na “lua-de-mel” servir de estafeta e apoio a uma nova reunião da direção nacional., absolutamente clandestina em Guarujá, durante uma semana internado num aparelho. Feliz porque se passara um ano da Chacina da Lapa e já tínhamos novo núcleo de direção instituído. Foi aí que conheci Dynéas Aguiar, amigo de todas as horas, e José Duarte, já falecido.

O resto da história foi duro. Recém formado, fomos indicados, eu e minha companheira Sara Sorrentino, a montar um aparelho sob a fachada de médico, em cidade remota da Grande São Paulo, onde funcionava a gráfica que permitiu produzir A CLASSSE OPERÁRIA, que possibilitaria reestrutrurar o PCdoB. Alguém a captava pela rádio Tirana, a transformávamos em jornais depois distribuídos à direção partidária. Trabalho pesado, feito às madrugadas, com maquinário que precisava ser escondido. Anos depois soube que o “captador” eram Carlos e Lúcia, o admirado jornalista e publicista Carlos Azevedo, amigos diletos até hoje. Fiquei três anos nisso, quando nasceram dois de meus filhos, Pedro e Isa. Ocasião houve em que uma enchente invadiu a casa, Sara grávida, as máquinas sob risco, não podíamos chamar ninguém para nos ajudar, um quase-pânico.

Enquanto isso a luta pela redemocratização avançava, e era alavancada pelo movimento popular. Em 1979 a anistia trouxe de volta do exílio outros dirigentes nacionais, que houveram realizado, em condições também difíceis, a 7ª. Conferência Nacional em Tirana, Albânia. A ditadura caiu, fez-se a Constituinte, enfrentou-se a crise do socialismo e a ofensiva neoliberal. Mas o povo venceu em 2002 e mantém o governo central em mãos de forças avançadas.

A democracia venceu, o povo venceu, o PCdoB venceu. Pagou preço elevado, mas venceu. Seu desenvolvimento foi retardado pela perseguição, mas venceu.

Por isso, quando se debate hoje a questão democrática, sob os auspícios falaciosos da oposição, é preciso lembrar: ninguém pode dar lições de democracia aos comunistas brasileiros, pode-se no máximo ombrear-se com eles, mas não ao preço do sangue derramado. Outra lição: não se pode desligar a luta democrática da ingente luta nacional, ou seja, por uma nação desenvolvida, moderna, de progresso material e espiritual para todo o povo. O PCdoB existente hoje, em crescente expansão e afirmação, recolhe todo esse manancial de experiências para seguir adiante na mesma luta. Sabe-se por quê: porque se luta por ideais elevados, revolucionários, com paixão e ciência políticas.

É por isso que a honra e dignidade do PCdoB está inscrita na história política nacional nós a honramos a cada dia e cada hora. Nada haverá de toldá-la. Sabem o que as alimentam, além dos ideais? A vigilância e a confiança de toda essa geração de militantes e amigos, até hoje conosco, somados a uma multidão que veio para nossas fileiras. Por isso digo: há sempre que falar das “velhas coisas” para as novas gentes. É a memória da luta!

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Mercados reagem ao acordo da União Europeia

Posted by waltersorrentino on 13th dezembro 2011

A Inglaterra está onde sempre se manteve pelas mãos dos conservadores: “o Continente está isolado”, dizem, após Cameron ter decidido não apoiar o acordo de Merkozy para a União Europeia. Shakespeare vai atualizado: “a rainha está nua”, o que seria de mau gosto mas verdadeiro. Cameron poderá cair. Diz que buscou salvar o sistema financeiro inglês, ora! Mas a Inglaterra perderá influência nos pólos dinâmicos da economia mundial, embora a esta altura dizer que são “dinâmicos” os países centrais do sistema é notável exagero.

Bem vistas as coisas, todos e não apenas a Inglaterra buscaram salvar “seus” sistemas financeiros, a higidez dos bancos, cujos passivos cruzados envolvem todos os países da Europa. Quer dizer, nesta crise capitalista há uma diferença com respeito à de 1929: nela, faliam empresas e corporações, muitos grandes magnatas foram levados ao suicídio perante a catástrofe. Nesta atual, falem as empresas sim, navegando na maionese dos derivativos. Mas a marca principal é que falem Estados nacionais, pois a banca foi salva pelos défices públicos. Itália, a 5ª economia da Europa, é a bola da vez, depois de Irlanda, Grécia e Portugal.

A questão nodal é essa: a soberania de Estados nacionais sobre a economia incluindo a moeda versus a pantagruélica voracidade dos “mercados”, em primeiríssimo lugar o “mercado financeiro”, a engrenagem poderosa que hegemoniza a reprodução do capital nestes tempos.

A mim me parece que nessa situação atenuam-se provisoriamente as contradições interimperialistas, elas ficam latentes sob a forma de um “diretório” que envolve EUA, UE e Japão, visando não submergir ainda mais. Mas acentuam-se as contradições entre esse bloco e as economias de países emergentes, e fundamentalmente na Europa as contradições capital- trabalho. Agora é Itália em greve contra o governo; antes foram a França, Portugal, Grécia…

Há poderoso jogo de hegemonias e contra-hegemonias incubando as guerras do presente e do futuro imediato, sob a forma não apenas de agressões militares e geopolítica imperialista para o domínio do Oriente, conter Rússia e enfrentar a China, mas também de guerras cambiais, protecionistas, financeiras etc.

A crise produz um choque de realidade para os trabalhadores e o povo em geral. Para além do choque da realidade econômica imediata que afeta centenas de milhões de trabalhadores, ela alcança em cheio a dimensão de crise política, pondo em evidência as forças que mascaram o engano e produzem o auto-engano que ainda promove eleitoralmente governos e políticas de direita como na Europa e EUA (bem, Obama rendeu-se à política da direita). É questão de tempo que isso seja refratado na consciência política, abrindo espaço para acumulação de forças pela esquerda. A condição é que saibam apresentar alternativas exequíveis, mesmo que progressivas, para romper com o atual estado de coisas.

Não há saídas redentoras para a atual crise, haja vistas que prevalecem no comando as forças financistas, com forte apoio midiático, no plano das ideias e na força bruta (política, diplomática, monetária e militar). É período de acumulação de forças, que vai acelerada pela crise. Não só na luta social-econômica, embora básica e essencial; sobretudo na luta política é que se avança. Sem a política, a esquerda não tem nada.

Mas a luta política tem por base a luta de ideias – atualizar a teoria revolucionária, para fazer frente ao capitalismo e imperialismo contemporâneos, o papel da Política, do Estado e da Democracia, a questão da transição para um regime progressista que representem caminhos para uma formação econômico-social avançada. Nesse caldo, retorna com força o que nunca deveria ter saído de pauta central: a questão da soberania dos Estados nacionais e seu papel para alavancar o desenvolvimento. Os “mercados” falharam e a conta para os trabalhadores, os povos e nações inteiras está sendo brutal na Europa. Em uma palavra: esta é a cerimônia de cremação do Estado de bem-estar social produzido nos “trinta anos dourados” do pós-segunda guerra mundial.

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