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    O blog Projetos para o Brasil visa ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.

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Archive for the 'Notícias' Category

Notícias do Blog

Do sertão araguaiano para Dilma Rousseff

Posted by waltersorrentino on 2nd janeiro 2012

Recomendo a leitura da Carta Aberta da Associação dos torturados da Guerrilha do Araguaia à Presidente Dilma Rousseff, tratando do resgate histórico da dívida do Estado brasileiro para com aqueles bravos camponeses.

Exma. Sra.
DILMA ROUSSEFF
Presidenta da República
Brasília/DF.

Por Sezostrys Alves da Costa
Vimos por meio deste, informar a Vossa Excelência que, enquanto Associação dos Torturados da Guerrilha do Araguaia – ATGA, somos uma instituição que representa centenas de camponeses que foram vítimas das truculências do Regime Militar durante a Guerrilha do Araguaia e que, desde a nossa organização, temos primado pela luta em busca da conquista da Anistia Política aos referidos camponeses, além do resgate histórico daquele movimento, observando que estes camponeses foram duramente perseguidos pelo regime de exceção nesta região araguaiana.

Fruto desta luta, em Junho de 2009, em um ato público nesta cidade de São Domingos do Araguaia/PA, na gestão do Saudoso e então Presidente da República- Luiz Inácio Lula da Silva, o então Ministro de Estado da Justiça, Tarso Genro, em praça pública pediu perdão a 44 camponeses que estavam sendo anistiados e consequentemente sendo agraciados com uma reparação econômica em prestação mensal, permanente e continuada, que não paga a dor e nem o sofrimento, mas ameniza e demonstra que o Estado Brasileiro está fazendo o seu dever, consolidando sua democracia.

Contudo em Setembro do mesmo ano, uma Liminar concedida pela 27ª Vara Federal do Rio de Janeiro no Processo Originário n° 200951010152454, suspendeu tais direitos adquiridos junto a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, invalidando os atos do Ministério da Justiça. Desde então uma grande batalha jurídica foi travada e graça a atuação de diversos atores, em especial da AGU, OAB e os advogados constituídos pelos Camponeses, onde esta decisão (Liminar) foi revogada em 28 de Outubro de 2011, dois (02) e cinco (05) meses depois.

Diante da decisão judicial proferida em favor dos Camponeses do Araguaia, a Justiça Federal do Rio de Janeiro oficiou o Ministério da Justiça e a Comissão de Anistia da decisão e a partir de então o Ministério da Justiça enviou à sua CONJUR para análise, que emitiu seu parecer recomendando o envio imediato do referido parecer para o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MPOG, para que através da Coordenação Geral de Benefícios de Caráter Indenizatório – CGBIN, iniciasse a restauração dos pagamentos e implantasse os demais conforme suas portarias ministeriais emitidas pelo Ministério da Justiça.

Tendo em vista o tempo decorrido e o direito adquirido anteriormente, que havia sido suspenso pela medida judicial já julgada improcedente, a Comissão de Anistia emitiu o comunicado oficial através do Oficio nº 950/2011/CA-MJ, onde informa da decisão judicial proferida em favor da retomada dos pagamentos das indenizações aos Camponeses do Araguaia anistiados e com suas devidas portarias enviadas e tramitando em seus respectivos processos junto a CGBIN/MPOG.

Solicitamos, portanto, que seja demandado a CONJUR/MPOG que dispense uma atenção especial a este caso, no sentido de que a esta possa emitir o devido parecer jurídico acerca da documentação enviada pela CGBIN, para que no menor tempo possível seja iniciado o cumprimento da decisão judicial, pois antes o que nos impedia de acessarmos esses direitos e benefícios era judicial e hoje se tornou administrativo, o que deveria ser menos burocrático, onde estamos há sessenta (60) dias da decisão judicial e ainda estamos a depender deste ato administrativo ministerial.

Isto será um gesto de solidariedade e justiça social, que só consolida ainda mais a nossa democracia, pois estará a atender dezenas de cidadãos e cidadãs, que se encontram na terceira idade e que vivem em situação de extrema pobreza nestes sertões araguaianos, que há décadas aguardavam por esta ação do Estado Brasileiro.

Esta situação tem causado um atraso significativo no efetivo cumprimento da Sentença Judicial, observamos ainda que o tempo é o pior inimigo destes camponeses, alem dos que já foram a óbito, outros tomarão o mesmo destino nos próximos dias, amargurando a possibilidade de não mais usufruir deste benefício em vida, pois muitos encontram-se hospitalizados.

Dos sertões araguaianos, desde já esperamos providências imediatas, observando que mais um ano se vai e a esperança se mantém firme nos corações camponeses.
Assinam esta carta:

JOSÉ MORAES SILVA – ZÉ DA ONÇA
Presidente da ATGA

PEDRO MATOS DO NASCIMENTO
Vice Presidente da ATGA

SEZOSTRYS ALVES DA COSTA
Tesoureiro da ATGA.

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Fanny Edelman, inesquecível

Posted by waltersorrentino on 2nd novembro 2011

Morreu Fanny Edelman, mais que centenária, um monumento de integridade de consciência comunista e humanista. Dessas que marcam uma época!

Conheci pessoalmente Fanny Edelman na mesma viagem em que conheci Armando de Magdalena (*), ambos no Congresso do Partido Comunista Argentino. Inolvidável a figura daquela mulher comunista, história viva do século 20, suas lutas, seus sonhos, sua coragem. Partilho com vocês a homenagem do poeta Armando de Magdalena a ela, pela passagem de seus 100 anos de vida.

AdeM_-_Afiche_Homenaje_a_Fanny

No pasarán sobre el Ebro ni el Nalón

ni aunque inunden (como lo hacen) bajo las presas la memoria

allá bajo el agua están intactos los estampidos de las balas

y los versos de Miguel acunado por bellotas

no

no pasarán sobre la huelga aunque cierren la mina

aunque maten al carbón en una fragua

ni sobre el V ni sobre las Brigadas pasarán

aunque muertos estén (bien muertos) y las trincheras rotas bajo la escarcha

ni aún sobre los que yacen olvidados en las cunetas podrán pasar

ni aún entre los muertos muertos tan lejos de la viña y los olivares

revuelo espantado de palomas sinceras

ni aún sobre sus lágrimas, su rabia o el exilio, no

no pasarán,

Amar

amar nunca puede ser pecado

tú que eras tan pálida y tan joven y mirabas celeste como tu bandera

aun no han logrado pasar sobre los ademanes de tu ternura

sobre tu acero, menos

ni aun sobre tus palabras

ni aun sobre tu estar al lado

ni aun sobre tu propia muerte

no

yo te lo digo y te lo prometo

no

no pasarán

…ni ahora

ni nunca

ni por el río

o la montaña

ni por la mar

o la ladera

ni de día

ni de noche

aún muertos tendrán que sortearnos

y tal vez aun les escupamos en la cara.

(*) Armando de Magdalena nasceu  em 1963 em Buenos Aires Argentina. Poeta, ensaista, fotógrafo, homem de radio, muralista. www.armandodemagdalena.com.ar

Fanny Edelman completa 100 anos de vida e 70 de lutas em defesa do socialismo

Fanny Edelman completa 100 anos de vida e 70 de lutas em defesa do socialismo

Sobre Fanny Edelman

Na quarta-feira, 24 de novembro, aconteceu no Teatro Nacional Cervantes na Argentina, uma homenagem à camarada Fanny Edelman.  Ela está prestes a completar 100 anos de uma bonita vida, dedicada à militância, à construção de um mundo melhor.  O teatro se vestiu de gala para receber a Presidenta do Partido Comunista da Argentina. Uma das mais valorosas heroínas do povo argentino, a camarada Fanny Edelman, com mais de 70 anos de militância é um desses personagens lendários que enchem de orgulho os comunistas do mundo inteiro, por sua coerência, exemplo de vida e combatividade revolucionária.

Ao longo de sua militância, a camarada Fanny participou dos principais acontecimentos das lutas dos povos e, especialmente, do povo argentino no século 20, e continua firme em sua batalha pela emancipação humana. Voluntária nas Brigadas Internacionais da guerra civil espanhola, presidente da Federação Democrática das Mulheres, reconhecida lutadora pelos direitos humanos na Argentina, Fanny representa o que de mais generoso a espécie humana produziu no século 20. Ela disse: “O imperialismo, apesar de perverso e belicoso, não poderá frear a massa humana que se move em favor da libertação dos povos e dos oprimidos”.

Nota:

Faça download do Suplemento Especial a Fanny Edelman publicado pelo Semanário do PCA:  “Nuestra Propuesta” em homenagem à Fanny.

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PCdoB de São Paulo honra os comunistas de todo o país

Posted by waltersorrentino on 9th setembro 2011

A nova direção eleita para dirigir o PCdoB em São Paulo

A nova direção eleita para dirigir o PCdoB em São Paulo

Concluiu-se no fim de semana passado a Conferência do PCdoB-SP. Pujante pela qualidade da intervenção política e força partidária, ela deixa lições na trajetória dos comunistas no maior e mais poderoso Estado da Federação, para todos nós.

Este é um momento extraordinário na vida da nação, em termos de desafios e oportunidades, num mundo em acelerada transição. Momento em que a centralidade dos dilemas recai na magna questão nacional pelo desenvolvimento autônomo do país, como pólo articulador das históricas demandas democráticas e sociais.

Daí a centralidade de São Paulo, ou seja, o centro dessa contenda se decide em São Paulo. Alinhar São Paulo com o Brasil em termos de projeto é não apenas uma possibilidade, mas exigência mesmo para abrir caminho ao novo projeto nacional de desenvolvimento. Aqui se trava o combate central contra a dependência do país. Aqui, em todo o século 20, predominaram no governo forças conservadoras, hoje representadas pelos grandes interesses financeiros que visam frear a soberania e o desenvolvimento em função de interesses antinacionais e antipopulares.

O PCdoB de São Paulo demonstrou essa compreensão. Um partido de ideias, com estratégia definida, com projeto de ação política e de massas, com conformação organizativa militante definida foi a questão assumida como o grande desafio do PCdoB no Estado. Apenas dois anos após a reformulação programática, o partido colhe frutos acelerados em seu desenvolvimento, como em todo o país.

Isso andou unido à visão de que isso se persegue pela política. Em São Paulo se abre caminho para superar a polarização política forçada entre PSDB e PT; como se sabe, há vinte anos venceram os setores conservadores. Abre-se uma grande oportunidade em 2014 e ela começa a se delinear já em 2012. O PCdoB de São Paulo protagoniza isso na primeira linha da cena política. Sempre unindo forças, pelo progresso nacional e direitos do povo, a liberdade, cientes de que um projeto de nação não se faz com esquemas mesquinhos e hegemonistas. A candidatura de Netinho de Paula a prefeito da maior cidade do país, uma das maiores do mundo, tem elevado significado para todo o país.

O PCdoB-SP tem quadros da mais elevada expressão nacional, como Aldo Rebelo e Orlando Silva. Aqui está presente a liderança comunista de massa mais forte e expressiva do povo de todo o país, que é Netinho de Paula, hoje liderando pesquisas à prefeitura  junto com outros nomes do primeiro escalão da política paulista. Aqui há a força e exemplo de lideranças como Jamil Murad e Leci Brandão, Pedro Bigardi – futuro prefeito de Jundiaí – e as maiores lideranças sindicais que encabeçam a CTB. A juventude e as mulheres são no PCdoB paulista um bastião de força.

A conferência erigiu um elevado processo partidário como suporte a essa retomada de sua presença política. Superou as metas de mobilização em 15% e alcançou, mais uma vez, o maior contingente militante absoluto de todo o país. Não só: aplicou com maestria as diretivas nacionais da política organizativa, promovendo revisão das fileiras que encabeçam os esforços nacionais.  É grande o dinamismo dos comunistas paulistas. Na Conferência desfilaram várias gerações de militantes, os que persistem há décadas em seu compromisso, mais os enormes novos contingentes que se filiaram. Um ato político representativo demonstrou o prestígio do partido e o respeito que inspira a aliados. Os comunistas aprenderam com o passado, para um presente protagonista aberto à oportunidade que se abre para o futuro em termos de governo estadual alinhado com a onda progressista nacional.

Os anos vindouros serão promissores. Há quatro-cinco anos atrás, apenas, o partido no Estado colheu significativo revés político, perdendo acentuadamente posições.  Nasceu aí a grande definição de, em prazo concentrado, repor o papel central do PCdoB-SP para um partido nacionalmente forte. Isso foi alcançado nas eleições de 2010 e em 2011 ultrapassou todas as expectativas em termos de relançamento das perspectivas. Por isso, congratulamo-nos com toda a militância, sobretudo com o grande número de quadros partidários maduros e coesos que cumpriram a função. São Paulo tem uma direção coletiva de fato, liderada por Nádia Campeão nesses anos, ombro a ombro com todo esse conjunto de quadros. A eles todos, parabéns efusivos pelo que se alcançou. Seu exemplo estimula todo o país; os comunistas em São Paulo honraram, uma vez mais, o PCdoB.

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Terrorismo de Estado

Posted by waltersorrentino on 9th maio 2011

O sítio Rebelión vem de postar vídeo que me foi enviado por Sérgio Barroso. É documento de época, traduzindo mais que os crimes do imperialismo dos EUA, a regressão civilizatória a que está conduzindo o capitalismo. Não deixe de ver. A autoria é do excelente John Pilger.

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=127891

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Walter Sorrentino: Foz do Iguaçu é uma cidade piscante no mapa

Posted by waltersorrentino on 11th fevereiro 2011

Reproduzo aqui  no Blog, uma reportagem sobre minha visita a Foz do Iguaçu, no jornal ClickFoz.

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O Blog fez um ano

Posted by waltersorrentino on 26th outubro 2010

Um ano de Blog

Um ano de Blog

Um ano se passou desde que inaugurei o blog Projetos para o Brasil. Pouco antes do 12º Congresso do PCdoB ele teve início, e esse ano se finaliza com a esperada vitória do povo, domingo próximo, com a eleição de Dilma Roussef à presidência da República..

Nele desfilaram 514 matérias postadas. Foi enriquecido com 553 comentários de leitores atenciosos. Semana passada, ele alcançou o pico diário de 4.180 impressões de páginas, auditado pela locaweb que é seu provedor. No mês de setembro passado, manteve a marca que já houvera sido alcançada de 100 mil impressões de páginas no mês, 150 mil hits. A média, por dia, foi de 259 sessões, com 3238 impressões e 4952 hits.

Nessa trajetória predominou o escopo que eu havia pensado para o blog Projetos para o Brasil. A nuvem de tags demonstra isso: projeto nacional, distribuição de renda e democracia foram constantemente tratados, convivendo com eleições 2010. Mas não faltou algo muito caro para mim: cultura e artes, fotografia,  música, vídeos, cinema e literatura. América Latina, nada me impressiona mais que o Brasil governado por séculos de costas dadas aos irmãos latino-americanos (de joelhos para o Norte).

uma_ano_de_blog2

E o mais gratificante, as conversas.com sempre contando com gente interessante, de pensamento vivo, antenados com o projeto. Mais ainda: predominaram largamente jovens e mulheres. Foi uma espécie de esforço de pôr na tela do radar gente nem sempre com a visibilidade merecida.

Ah, claro, o tema partido. Talvez o mais profuso, porque de fato creio que não há projeto para o Brasil sem um partido do estofo do PCdoB e sua construção permanente realmente me ocupa e estimula.

No início, foram 25 sessões ao dia e eu já me alegrei deveras. Hoje, mais que alegria, tenho reconhecimento. Reconhecimento aos que foram indispensáveis para chegar até aqui. À Elaine Guimarães e Eloísa Gonçalves, que o viram nascer. Particularmente à Ada, a querida Eliana Ada Gasparini, que lhe deu estatuto de maioridade (e atrativos, sim, atrativos porque eu gosto da cara do blog e devo isso a ela). A todos os incontáveis companheiros e companheiras que sugeriram pautas, enviaram materiais – ah, a Vanessa Stropp foi permanentemente colaboradora -, fotos e comentário – o mais fiel de todos sendo o caro Xaolin, o camarada da Rocinha do Rio, sempre estimulante. Que dizer dos quantos eu importunei atrás de uma entrevista… Ao Vermelho, o nosso famoso portal, que o abriga em sua lista de indicação de blogs e com o qual chegamos a um público mais amplo. A todos sou grato e partilho a alegria de um ano percorrido.

Sofrido fazer o blog. Não há tempo suficiente para fazer tudo o que pensava fazer, para pesquisar mais imagens, lembranças a compartilhar. Livros lidos e não resenhados, filmes e imagens que se quer compartilhar… tudo dá trabalho e toma (algum) tempo, nem sempre possível. Em campanha, e em meio aos múltiplos afazeres partidários (sobretudo viagens), por vezes ele fica meio que de escanteio. Alegrias convivem com (relativas) frustrações.

Mas é sofrimento bom. Ele tem sido meu refúgio, companheiro de todas as horas. Essencialmente porque é uma forma de conversar com outros. O blog existe para os outros: seu soberano são os leitores. Mais que a ninguém é a eles que agradeço a generosidade, paciência e estímulo. Espero não decepcioná-los.

Quisera comemorar com o leitor e a leitora com imagens e sons. Vibrar na mesma sintonia. Com esperança de que não me faltarão sugestões e participações de vocês.


O alto astral de 7 aneis, de Egberto Gismonti

O Hino da África do Sul, o que vem do fundo da alma, com Djavan

A musicalidade de Pau Brasil


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Maranhão e Dilma

Posted by waltersorrentino on 24th outubro 2010

O Estadão hoje, em coluna de opinião assinada por João Domingos e outros, alega que a “irritação de Lula” sobra até para os aliados. Supostamente, Lula “acha que Flávio Dino está se queixando à toa… Tem denunciado fraude na vitória de sua opositora ao governo do Maranhão, o que pode atrapalhar o trabalho de união em torno de Dilma no Estado”.

Se não for especulação, é estranho. Na verdade, incongruente.

Não foi Flávio Dino ou o PCdoB que moveram processo para apurar fraude na apuração, vencida por Roseana Sarney por 0,08 % dos votos evitando o segundo turno. Foi o Ministério Público. O PCdoB e Flávio aguardam a apuração.

Estranha a questão de união em torno de Dilma no Estado. Flávio liderou a oposição, dentro do campo Dilma no primeiro turno. Dos 50% do eleitorado, apoiadores de Flávio e do outro candidato, mais da metade apoiaram Flávio e Dilma, defendida pelo candidato.

No segundo turno, a campanha Dilma unifica o PCdoB em todo o país. Aliás isso é público no pronunciamento do PCdoB maranhense, até as pedras sabem disso, que dirá Lula. Se há preocupação com o volume de votos da campanha no Maranhão, melhor seria procurar razões no comando estadual da campanha, monopolizado pelo grupo Sarney que não representa, em absoluto, o sentimento das parcelas mais avançadas e dos movimentos sociais. Aliás, nem o PT maranhense está unido nessa matéria.

Agora, há um fato ruidoso nisso tudo: no primeiro turno foi desconsiderado, liminarmente, entendimento consagrado no Conselho Político da campanha Dilma, que oficialmente deliberou respeito aos diversos palanques estaduais que apoiariam a campanha nacional. Não foi o que ocorreu no Maranhão. Flávio Dino não recebeu nenhuma sinalização, nem mesmo após o término do segundo turno. PCdoB e PSB no Estado fizeram sua parte. O PCdoB segue isso no segundo turno. Quem não respeitou compromissos foram outros.

O Maranhão não precisa dessa “união” supostamente pregada por Lula. Estamos com Dilma, certamente. Há um governo eleito e há uma oposição, como deve ser.

O Maranhão precisa de respeito, só isso.

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Vencer o ódio

Posted by waltersorrentino on 16th outubro 2010

Este blog foi talvez o que mais escreveu abertamente sobre o significado da campanha de Netinho de Paula ao senado por São Paulo. Ele alcançou de 7,763 milhões de votos. Sem dúvida, um fenômeno marcante da política nacional, porque é sua primeira candidatura majoritária, numa campanha bastante modesta em termos de recursos financeiros, um jovem negro sem grande biografia política, enfrentado máquina do governo estadual e figuras com décadas de vida pública (Marta, Aloysio, Quércia, Tuma…).  Ele acompanhou em geral a votação de Marta, com menor votação na capital, praticamente equivalente na região metropolitana  e superando-a no interior. Um terço de todos os paulistas que foram às urnas proferiu um voto a Netinho. Não foi suficiente, entretanto, para vencer.

Revejo os dez artigos escritos, mantenho a opinião dada em todos os casos. Na última, às vésperas de 3 de outubro (http://www.waltersorrentino.com.br/2010/09/29/armacao-contra-netinho-e-constrangimento-eleitoral-inaceitavel/) ponderei as dificuldades para vencer contra uma máquina poderosa e frente a concorrentes fortíssimos.

Netinho perdeu porque foi duramente atacado. Aliás, com Dilma e Lula, foi o candidato mais atacado na campanha. noite e dia, pela TV e pelos subterrâneos, pelo poder público e pelos meios de comunicação. Foi atacado por fatos de sua trajetória pessoal que, não retilínea, é a trajetória de um homem do povo que venceu em todos os aspectos. O povo gosta dele porque venceu mas ficou com os seus, há quase vinte anos fazendo trabalho social e engajado politicamente.

Os ataques alcançaram todos os aspectos, inclusive e principalmente com arbitrariedades do poder público paulista comandados pelos tucanos, que se dizem “republicanos” (imaginem só…).

Mas não foi diretamente pelos ataques que Netinho perdeu. Os ataques fazem parte da luta eleitoral, mas na verdade deram a capa para encobrir os profundos preconceitos da sociedade paulsita, para bloquear a segunda opção de voto em Netinho, amplamente preponderante. Para quem não lembra, a eleição ao senado de São Paulo foi a que obteve o menor índice de votos nominais de todo o país: dos que compareceram às urnas, apenas 72% foram votos nominais. Atenção:  estamos falando de um universo de 14 milhões de votos que foram sonegados pelo eleitor, uma imensidão! Como se expressou um analista, Aloysio Nunes visava a “esterilizar” a segunda opção de voto como única condição para a vitória. Era preciso atacar, abaixo da linha da cintura, semanas a fio. O preconceito fez o resto, numa campanha onde o Senado não estava na alça de mira da preocupação da maioria do eleitorado.

Subtraio do preconceito a única questão realmente moral com que Netinho teve que se haver. É o caso da agressão a uma ex-companheira. Ele se explicou exaustivamente. Reconheceu o erro, fez autocrítica, ajudou com grande responsabilidade social a sociedade a compreender o significado da Lei Maria da Penha. Pessoal e profissionalmente, ele fez do limão a limonada. A própria Maria da Penha reconheceu esse papel. Feministas históricas de São Paulo manifestaram-se abertamente nessa direção.

Isso mexeu com uma consideração de importante parcela da opinião ilustrada, frequentemente manifestando-se aqui no blog – as apelativas nem me dei ao trabalho de registrar. A consideração foi o de que tal erro fosse “irredutível”. Dialogo com esse tipo de argumento, mas não concordo com ele. A agressão não é irredutível, as pessoas erram e podem (ou não) fazer autocrítica nessa questão. Não considero isso uma matéria para purgatório eterno. Até porque – e isso é estatisticamente mensurável – agressão de homens contra as mulheres acontece efetivamente em todas as classes e camadas sociais. A diferença é como isso vem a público e é tratado na esfera privada da relação. Se fosse irredutível, enorme parcela da sociedade estaria no purgatório. Ademais, isso não se equipara a crimes inafiançáveis contra direitos humanos como a tortura, por exemplo.

Não digo isso, portanto, porque se trata de um “correligionário”, mas por convicção e por um espírito que se aprende ao longo da vida: ter princípios não é ser sectário. E os princípios precisam ser vistos e aplicados no âmbito de situações políticas determinadas.

O fato é que isso levou Aloysio Nunes a se eleger. Ele certamente representa parcela da sociedade, majoritária. Sua campanha, entretanto, foi suja e inescrupulosa. Dificilmente ele resistiria a um ataque sistemático de várias semanas com itens de sua vida pública e privada, mesmo sem arcar com o preconceito. Não precisava vencer assim, foi uma sujeira lastimável.

Enquanto isso, considero Netinho de Paula um vitorioso, embora não vencedor. Porque ajudou a campanha de Marta, Mercadante e Dilma, e do próprio PCdoB que alcançou um resultado favorável. Porque é o comunista e negro mais votado da história do país até este momento. E porque, repito, tem talento e qualificação para desempenhar importantes papeis políticos e sociais de um projeto nacional para o Brasil.

A lição é importante, porque Serra intenta a mesma coisa: ganhar pela barragem moral a Dilma, com uma campanha suja, que ficará verdadeiramente na história como a campanha do ódio. Tirar lições da campanha de Netinho é útil para reflexão dos eleitores na direção do sentido concentrado da mensagem atual da campanha de Dilma Rousseff.

“A sociedade brasileira venceu o medo com a obra de oito anos de governo Lula. A vida de todos os brasileiros melhorou neste anos, por isso não vamos dar as costas a Lula. Resta vencer o ódio com que a oposição quer dividir a nação, manipulando o sentimento religioso da população. Dilma neles!”.

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Artistas e intelectuais Pró-Netinho no Senado

Posted by waltersorrentino on 27th setembro 2010

Estou comprometido nessa batalha. Espero contar com o público do blog aqui de São Paulo.

Obrigado.

convite

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Frango é depressão

Posted by waltersorrentino on 19th junho 2010

Joguei muito futebol na infância e adolescência. Como todo brasileiro, principalmente os pobres, jogava pelada de rua e em campos de várzea. Gostava muito e era dos melhores do pedaço. Depois tinha um time de futebol de salão, com camiseta e tudo, liderado pelo Giba e, no gol, pelo grande Maradei. Além de Wanderlei, também craque. Depois Wanderlei casou com minha primeira namorada… Era a Vila Monumento.

Na faculdade, me deparei com Sócrates e Tuleca, geniais, absolutamente geniais. Sócrates todos sabem quem é, o da democracia corintiana, amigo de turma da medicina, superinteligente. Disputamos o Centro Acadêmico em 1975, felizmente venci (além dele, concorria o saudoso Joel Machado que veio a ser o fundador do PT). Tuleca é o hoje famoso e ainda dileto amigo Arthur Adolfo Parada, um dos melhores profissionais da área da endoscopia do país. O fato – e espero que Sócrates não me desminta de público – é que Tuleca rivalizava com ele, mas não se dedicou ao futebol. Com os dois por perto fui desistindo, me sentindo anão no futebol. Passei a ser corredor, o que é mais fácil e faço até hoje.

De adulto joguei na defesa, zagueirão ou goleiro. Gostei de jogar no gol. É uma coisa meio solitária, mas você observa o jogo e lida com reflexos. Admiro os bons goleiros, sua elasticidade e rapidez, acho que o baile que às vezes dão nada fica a dever aos grandes craques goleadores.

Mas há uma diferença muito grande. Se o goleador pode falhar muitas vezes e fizer um gol bárbaro, vai ser lembrado pelo gol. O goleiro não. Pode fazer boas defesas, mas um “frango” é depressão na certa. Se for em Copa Mundial, então, não tem volta, é definitivo. Aquilo fica marcado. É como batedor de pênalti de final de Copa. Quem não lembra de Baggio na final Brasil X Itália? Os mesmos que recordam de Green, da Inglaterra, contra os EUA, na primeira rodada da atual Copa, levando uma bola fácil dos EUA prá dentro da rede, ou de Casillas da Espanha.

É triste mas é assim. De pouco adianta dizer que a jabulani está caprichosa, irascível. Agora, não precisava ser tão deprimente. O jogador de ataque perde um gol feito mas fica lá, diluído no meio de dez correndo, se esquivando de ser o centro das atenções.  Pode até fazer um novo gol adiante que vai deixar na memória do torcedor o gol, em lugar da falta do gol.

O goleiro não, depois do frango fica lá, exposto, parado, sob o olhar de várias dezenas de milhares de torcedores pensando na sua mãe. Ele querendo se esconder, não pode nem sair correndo. Pior: tem tempo de sobra prá ficar vendo o telão que repete o seu tormento em detalhes, em câmara lenta, por todos os ângulos. Uma judiação.

Então, com minha larga experiência no gol (e de frangos), acho que em situações assim a FIFA devia promover uma mudança de regra. Depois de um frango devia haver possibilidade para solicitar um intervalo de cinco ou dez minutos para a recuperação psicológica do goleiro. Se for em copa do mundo (não dá para bancar isso de rotina), pode haver uma terapía psicológica emergencial e aguda para o goleiro se compensar emocionalmente, contra síndrome pós-traumático ou stress agudo.

Com algum esforço e tecnologia, isso poderia acontecer no próprio campo. Quem sabe no subterrâneo do gol houvesse uma saleta e uma psicóloga, acessível mediante um alçapão no gramado, bem disfarçado, para o goleiro se recolher durante esses dez minutos e se recuperar. Seriam só dez minutos, para uma ação humanitária. Até a ONU devia se envolver nessa medida: direitos humanos para os goleiros.

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