8o Congresso da Refundação comunista – Itália
Posted by waltersorrentino on 6th dezembro 2011
Saudação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
ao Congresso do Partido da Refundação Comunistra
Caras companheiras, caros companheiros
Recebam a saudação calorosa dos comunistas brasileiros, renovando os votos de amizade fraterna e esperança na luta de vocês.
Em primeiro lugar, este congresso se reveste de grande expectativa de que os comunistas assumam um protagonismo político elevado neste momento em que Itália vive tormentosos momentos de crise que assola os sistema capitalista e a Europa em especial, que poderá viver uma “década perdida” em termos de desenvolvimento e direitos sociais.
A queda de Berlusconi motiva grande interesse no Brasil. Cremos que o impasse é político, pois a Europa neoliberal constrange políticas nacionais soberanas. Só a luta política de classe pode apontar para o país e o mundo saídas progressistas, democráticas e patrióticas para a crise. Urge uma política ampla e combativa, que una os interesses dos comunistas numa coalizão eleitoral e social de esquerda, mas capaz de nuclear forças ainda mais largas para uma alternativa política à política neoliberal da União Europeia. Garantir os direitos do povo, reforçar políticas soberanas do país, combater pela paz mundial e avançar na democracia contra a cláusula de barreira eleitoral são medidas indispensáveis nesse rumo.
Vivemos neste século 21, uma nova etapa de acumulação de forças, de atualização da teoria e do movimento revolucionários. Nós, no Brasil, chamamos a esse desafio presente de uma nova luta pelo socialismo, depois das primeiras experiências do século 20.
Na América Latina e Caribe avançamos no fortalecimento da unidade dos comunistas e das forças de esquerda e progressistas; avançamos em projetos nacionais alternativos e em alguns países na orientação socialista destes processos nacionais; e avançamos na integração solidária do subcontinente.
No Brasil, o PCdoB é parte integrante, desde 1989, de uma aliança de esquerda com o Partido dos Trabalhadores, o Partido Socialista Brasileiro e o Partido Democrático Trabalhista, aliança esta que integra uma coalizão mais ampla, para conferir governabilidade de caráter democrático e progressista, desde 2003. Nos dois governos de Lula, até 2010, e neste primeiro ano do governo da companheira Dilma Rousseff, o Brasil promoveu a integração solidária e anti-imperialista da América do Sul e da América Latina; reforçou a soberania nacional, uma maior democratização e retomou desenvolvimento
econômico e social, com a valorização do trabalho.
No novo mergulho que aprofunda a crise capitalista iniciada em 2007-2008, a presidente Dilma Rousseff reforça sua autoridade política e aponta para medidas de mudanças na política econômica e macroeconômica que podem representar um novo pacto político no país. Abre-se a oportunidade de superar os marcos de ferro da política de metas de inflação mediante os juros mais altos do mundo, em regime de câmbio flutuante sem defesa da moeda nacional e de superávits fiscais para assegurar o pagamento da dívida pública. Um regime que sangra o desenvolvimento acelerado em prol dos interesses do sistema financeiro nacional e internacional. Ao lado disso, são necessárias também profundas reformas democráticas no país, para levar adiante um novo projeto nacional de desenvolvimento.
Neste processo o PCdoB vem elevando o seu protagonismo político e social. Nos últimos anos, o Partido viveu um grande crescimento em sua influência política em todos os campos, seja da presença parlamentar e em governos em nível nacional e local, seja nos movimentos de trabalhadores e populares, seja na luta de ideias. Nas próximas eleições municipais de 2012, os candidatos do PCdoB lideram as pesquisas para as prefeituras de Porto Alegre e de outras importantes capitais; nos últimos seis meses o Partido passou de 270 mil filiados para mais de 350 mil filiados e em dois anos desde o último congresso aumenta o número de militantes em 30%.
O PCdoB luta por seu programa: o rumo é o socialismo, o caminho é a luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento, que assegure autonomia e soberania nacional, democracia e direitos ao povo. Sua legenda é “O Partido do Socialismo” em nosso país, décadas e concorremos com nossa legenda, nossa bandeira e nossos símbolos. Temos 14 deputados federais e 2 senadores, e ocupamos cargos estratégicos na Agência Nacional de Petróleo, no ministério dos esportes, nas agência do cinema e a do turismo.
Este avanço dos comunistas e das forças populares encontra a direita e seus principais instrumentos de ação política, os meios de comunicação monopolizados, em desespero, dispostos a tudo para conter o avanço da esquerda. Faz duas semanas que todos os meios de comunicação promovem uma campanha covarde e de enormes dimensões contra o Partido Comunista do Brasil e suas lideranças no Ministério do Esporte, que está conduzindo a preparação para a Copa do Mundo de Futebol e para as Olimpíadas.
Com uma campanha suja e abertamente anticomunista, com mentiras fabricadas e sem nenhum fato baseado na realidade, sem nenhuma prova ou testemunha séria, tentam desmoralizar e desacreditar um Partido que vai completar 90 anos em 2012. Isso causou revolta e indignação e obteve grande solidariedade de forças intelectuais e democráticas. Não aceitaremos que se manche nossa história. A única mancha que temos em nossa bandeira vermelha é do sangue de nossos militantes feridos, torturados e mortos. E sempre vamos honrá-los.
Caras companheiras e caros companheiros
Acreditamos que seria de grande valor, para os trabalhadores e o povo italiano, e também para a luta dos comunistas do mundo, o feito da unidade dos comunistas, em bases leninistas e revolucionárias, na pátria de Antonio Gramsci, além da unidade mais ampla da esquerda e das forças democráticas para tirar a Itália da crise, retomar desenvolvimento que consagre os direitos do povo, aprofundar a democracia.
Aproveitamos para deixar a vocês toda a solidariedade dos comunistas brasileiros com a luta dos trabalhadores italianos e europeus.
Tags: crise capitalista, Europa, Itália, movimento comunista
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