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    O blog Projetos para o Brasil visa ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.

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Entrevistas com Walter Sorrentino

“A PALAVRA DE ORDEM MUNDIAL É SER COMO O BRASIL”

Posted by waltersorrentino on 9th janeiro 2011

Há tempos queria oferecer ao leitor uma conversa mais longa com Jorge Mautner, a quem conheço a muitos anos e admiro profundamente, pela arguta chave em que ele interpreta o Brasil, o nacional-popular, a cultura, além do músico compositor consagrado. É homem para quem “ou o mundo se brasilifica ou vira nazista”.

O “cara” tem “neurônios saltitantes”. Fiquei a imaginar o quanto estariam excitados pelas perspectivas que se abrem com a terceira vitória consecutiva de caráter progressista no país. Mas ei que viajei e me deparei com a excelente revista (a melhor que conheço) Almanaque do Brasil, do inestimável Elifas Andreatto.

Então decidi (por enquanto, não desistirei de uma conversa.com Mautner mais política) postar a entrevista aludida e homenagear os dois: Mautner e Elifas. Se bem eles não precisem de homenagem ou reconhecimento… No caminho, me deparei com reportagem magnífica (feita para PRINCÍPIOS n° 110, recém-saída do forno) do amigo José Carlos Ruy, sobre o próprio Andreato – Nos olhos do povo.

Junte três pessoas desse escol: só dá coisa boa. Bem, me acompanhe.

José Carlos Ruy é homem de enorme cultura política e histórica, particularmente sobre o Brasil. Atua cotidianamente há muitos anos na imprensa de esquerda e é publicista de mãos cheias.

25outubro

A história da redemocratização brasileira não pode ser contada sem Elifas e sua arte. Aliás, no Memorial da Resistência foi exposta até outubro essa obra de resistência. Nossa geração é gratíssima a Elifas não só por isso, mas por ter elaborado o que de mais belo se fez na arte popular, da música (quem não lembra das suas capas de disco?), da imprensa alternativa… Não bastasse tudo isso, a Almanaque do Brasil é simplesmente fabulosa como difusora da brasilidade. O Ruy capta isso, falando do livro Elifas Andeato que acaba de sair.

jorge_mautnerJá Mautner vem de longe. Eu não vou tão longe e nem faria melhor a entrevista do que Natália Pesciotta, que transcrevo. Mas sei que é um comunista convicto, desses que fazem da palavra a extensão de “comum”. Bem, ele é o autor de um hino do PCdoB, “A bandeira do meu partido”. Mas é acima de tudo um brasileiro, um homem que valoriza as raízes e o amálgama nacional como poucos, impulso que vem desde José Bonifácio…

Nessa entrevista ele está insuperável: “quando o Itamaraty foi se apresentar ao Obama, ele disse que era baiano. Todo mundo quer ser brasileiro”. Saiba por que na entrevista que tomo a liberdade de postar. Além do Almanaque do Brasil (www.almanaquedobrasil.com.br), na edição deste dezembro de 2010. Ela foi editada também em http://culturadigital.br/mincnordeste/2010/12/17/jorge-mautner-a-palavra-de-ordem-mundial-e-ser-como-o-brasil/ (regional nordeste do MinC).

Boa leitura.

JORGE MAUTNER: A PALAVRA DE ORDEM MUNDIAL É SER COMO O BRASIL

 

Não é de hoje que o filósofo, escritor, cantor e compositor está na trincheira da luta pela cultura brasileira. Integrante da Tropicália nos anos 1970, já defendia que no Brasil aconteceria “a nova coisa” desde o seu livro de estreia – Deus da Chuva e da Morte, publicado em 1962 e vencedor do prêmio Jabuti daquele ano. O carioca conversou com o Almanaque na sua cidade pouco antes de embarcar para o Recife. Lá, o autor da trilogia do Kaos lançaria com o maracatu Estrela de Ouro o álbum Kaosnavial. A parceria teve início nas viagens que fez por todo o País, apresentando pontos de cultura na série Amálgama Brasil, da tevê pública. Depois de tanta estrada, garante, extasiado, que o potencial brasileiro finalmente se concretiza: “Agora nós atingimos o momento. O Brasil é o gigante que se fingia de invisível”. Sua Teoria da Amálgama e dos neurônios saltitantes explicam por que “todo mundo quer ser brasileiro”.

O Movimento Figa Brasil, que você lançou com Gilberto Gil em 1987, buscava a valorização da cultura e da identidade brasileiras. Acha que essa proposta hoje está mais perto de se concretizar?
“Que sambem os que só escrevem, que escrevam os que só têm sambado”, dizia o manifesto Um Caráter pra Macunaíma. Na época, o movimento foi suspenso logo, porque Gil elegeu-se vereador em Salvador, mas as ideias continuaram a permear a história do Brasil e, principalmente, os trabalhos meus e de Gil. Quando ele foi ministro da Cultura, conseguiu concretizá-las. Os pontos de cultura, registrados no programa de tevê Amálgama Brasil, que apresentei, são a concretização disso. É uma revolução que não tem fim.

 

Qual é a inovação dos pontos de cultura?
É o seguinte: os mais de 2.500 locais, espalhados por todo o País e até pelo exterior, não foram criados pelo Ministério. São manifestações que já existiam, grupos que já se reuniam, seja em terreiros ou em edifícios, e que foram encampados pelo governo. Como a arte é a alma do Brasil, os pontos explodem em todas as direções: cultura tradicional, contemporânea, teatro, música, dança. Manifestações tão variadas como os Rabequeiros de Natal, no Rio Grande do Norte, o Jongo da Serrinha, em São Paulo, os maracatus de Pernambuco ou o AfroReggae, no Rio de Janeiro. Além de receber dinheiro, os pontos passam a ter ligação cibernética para que se comuniquem entre si. Cada ponto é uma célula irradiante, sem dogmas, e o conjunto forma uma rede neste país-continente. A política também tem vários outros desdobramentos: pontos de leitura, pontões de cultura, trabalhos com antropólogos dentro de sociedades… É o reconhecimento das grandes culturas brasileiras.

 

Existem projetos semelhantes em outros países?
Agora nações da América Latina e da Europa estão tendo encontros com o nosso Ministério da Cultura para se inspirar no modelo daqui. É impressionante como estão interessadas em aderir. O maior problema de alguns lugares da Europa, como Inglaterra, França, Alemanha, é que têm milhões de muçulmanos vivendo em apartheid. Isso aí vai explodir. Tem que ter ponto de cultura, jogar futebol junto, namorar… É uma solução criada aqui, que irradia para o mundo.

 

Por que a série que você apresentou se chama Amálgama?
O termo foi usado pela primeira vez por José Bonifácio. Em 1823, ele já dizia que, diferente de todas as outras nações, o Brasil era essa amálgama. É um conceito químico para a combinação de metais que cria um novo metal. Exatamente o que aconteceu aqui e que dá ao brasileiro uma capacidade de reinterpretar a cada segundo tudo novamente e, incluindo posições contrárias e opostas, alcançar o caminho do meio, o equilíbrio. Mesmo quando os homens e nações acabarem, vão sobrar os eflúvios poéticos de suas culturas. E a mais forte é a amálgama do Brasil. Desde 1956, no meu livro Deus da Chuva e da Morte, eu já dizia que no Brasil nasceria a “nova coisa”. Somos as terras sem fim, a terra prometida de Vera Cruz. Até os índios tupis-guaranis subiram para cá em busca da terra prometida. Várias pessoas já sabiam disso – eu e Gil mostramos recentemente na música Outros Viram. Agora, no século 21, tudo isso se torna real, tanto para os brasileiros, quanto para o resto do mundo.

 

Quem são essas pessoas que já sabiam, citadas na música?
Citamos alguns nomes, como o maior poeta dos Estados Unidos, Walt Withman, que no século 19 escreveu que “o vértice da humanidade será o Brasil”. Rabindranath Tagore, um grande filósofo do romantismo indiano, diz que “a civilização superior do amor nascerá no Brasil”. Stefan Zweig era um escritor austríaco que fez um livro, no século 19, chamado Brasil, o País do Futuro. Sem falar em Roosevelt, presidente dos Estados Unidos, que já invejava a nossa amálgama.

 

Podemos dizer que outras pessoas continuam “vendo”, então?
Claro. Basta lembrar que foi um eflúvio poético nosso – do poeta Vinicius de Moraes – que fez a mãe do Obama perceber que podia se casar com alguém de outra etnia. Vinicius, o poeta branco mais negro do Brasil, colocou a Grécia ali no morro carioca e, negra, na escola de samba, em Orfeu do Carnaval. Quando a mãe do Obama assistiu ao filme, ficou enlouquecida. Nunca tinha pensado em se casar com homem de outra etnia. Três dias depois, conheceu um filósofo do Quênia em uma conferência em Washington. Eles se casaram e tiveram o Obama. Depois, quando Obama foi entrevistado pela primeira vez na candidatura à presidência norte-americana, perguntou ao jornalista: “Você é de onde?”. “Brasil”. Aí ele disse: “Pois eu também sou brasileiro!”. Depois, quando o Itamaraty foi se apresentar ao candidato, ele disse que era baiano. É isso. Todo mundo quer ser brasileiro.

Por que você diz que o potencial do Brasil torna-se geral no século 21?
Agora nós atingimos o momento. O Brasil é o gigante que se fingiu de invisível até então. Cada tribo indígena, cada tribo africana, cada parcela, apesar de estonteante, tinha que se fazer oculta. Agora explodiu a democracia mesmo, pulsante. Desde Figueiredo, Sarney, mesmo com Collor, até Fernando Henrique, Lula. É o ápice. Não é à toa que as Olimpíadas vão ser aqui, que a Copa do Mundo vai ser aqui. A humanidade precisa do Brasil não apenas para comer, para tomar água, mas para viver no nosso espírito. Para se sentir otimista, para poder ter força e dar a volta por cima. Eu fui a algumas reuniões com a Fifa e vi que a palavra de ordem no mundo é ser como o Brasil.

 

Isso tem a ver com o que diz uma música sua, que “ou o mundo se brasilifica, ou vira nazista”?
Exatamente. É necessário ser essa amálgama para compreender o próximo, para não ter ódios sedimentados, para poder aceitar. Os ministérios de segurança, inclusive, precisam disso para acabar com o terrorismo, transformar os terroristas em partidos políticos que possam entrar na luta democrática. Só o nosso amálgama é capaz de fazer isso. O Brasil é o Cristo ressuscitado, de braços abertos, indo encontrar Maria Madalena em primeiro lugar. Além disso, há uma poesia própria. Acompanhei algumas reuniões do Ministério da Cultura com embaixadores e gestores de países desenvolvidos que se queixavam da falta de motivação de seus jovens. Quando o ministro da Cultura da Ucrânia veio ao carnaval da Bahia, ficou enlouquecido. Queria tentar importar um pouco daquela alegria misteriosa. Aqui é o verdadeiro imaginário do Sermão da Montanha, de Jesus Cristo, com os direitos humanos e os tambores de candomblé.

 

Mas não é verdade que a nossa história tem também muita incompreensão e genocídio?
Ah, sim, claro. Mas qual é o País que, na época do esplendor da eugenia racial, enalteceu os índios? Carlos Gomes logo fez O Guarani. Mesmo nas épocas bravas, de racismo científico, o Brasil enaltecia o seu nativismo. Sabe o que inspirou o Romantismo? Foi uma exposição dos nossos índios, acampados no rio Sena, em Paris, no século 17. O escritor Voltaire foi ver, o pintor Jorge Afonso…  A imaginação do selvagem no Romantismo vem de nós. Sem falar que, aqui, até judeus e árabes são sócios. São muitos os casos de conciliação que só aconteceram aqui. Quando os revoltosos da Guerra dos Farrapos estavam chegando ao Rio de Janeiro, Duque de Caxias poderia alcançá-los com artilharia e fazer uma carnificina. Mas chegou com 80 jumentos carregados de ouro, para negociações. No Brasil, por vários séculos, metade dos dias era feriado, para a casa grande descer e assistir à senzala: músicas, danças, capoeira. Aqui não havia como conter os tambores, pajelanças, o candomblé. Havia muita concessão pelo número desproporcional, milhares de negros para cada meia dúzia de portugueses. Uma ternura forçada, um conluio. A concórdia sempre foi feita pela poesia, pela música, pelo batuque.

 

Você não costuma ouvir que é muito otimista?
Sempre tem os que falam: “Ele exagera, é poeta…”. Teve sempre a linha contrária, representando a voz colonizada, colonizante, colonizadora, colonial. Uns que querem ser ingleses etc. Mas esses lobismos não têm mais força. Tudo também porque nossa amálgama foi misteriosamente oculta. Quem era colonizado, muito mais inteligente do que os colonizadores, tinha espécies de truques, se fazendo de bobo, para enganar. São muitas manobras, como a capoeira, que se diz dança, e é um pontapé na bunda. Os pontos de jongo, por exemplo, xingam o branco e ele nem percebe. São segredos sussurrados. Tem ambiguidades e ocultações o tempo todo.

 

A cultura popular – jongo, maracatu, coco – acaba se sintetizando na cultura contemporânea, como ficou evidente no Tropicalismo, por exemplo. A cultura de raiz não está fadada a acabar?
Pelo contrário. Os brincantes agora é que têm espaço para se agigantar. São artes eternas, marcas da emoção, da paixão, originais. É verdade que as culturas vão se transformando, mas não acabam. Por exemplo: estava com Nelson Jacobina assistindo ao maracatu Estrela de Ouro, em Pernambuco, com quem gravei um trabalho agora, o Kaosnavial. O Jacobina reparou que um trompetista fez uma levada de uma música de jazz. Foi perguntar se o músico sabia da semelhança, e ele realmente tinha usado a referência de fora. Hoje em dia, a garotada acopla novas coisas. O amor pelo Brasil é total e a certeza de que eles é que estão com a nota dominante é absoluta. Então incluem coisas novas a serviço da cultura tradicional, ao contrário do que se fazia antigamente, deformando aquilo. Isso é um fenômeno de toda a juventude brasileira, que, graças aos neurônios saltitantes, tem informação de tudo e noções de incorporação.

 

O que são esses neurônios saltitantes?
Eu chamo assim os neurônios capazes de saltar quando um novo fenômeno acontece. Eles reconfiguram a imagem formada no cérebro, agregando um elemento novo. Isso faz a amálgama e acontece o tempo todo no Brasil. Os exemplos são inúmeros. Na umbanda em São Paulo, como a imigração japonesa é muito forte, já inventaram um orixá que é samurai. Dom Pedro 2° já virou personagem de maracatu. Na Amazônia, conheci uma comunidade que vive em três religiões diferentes: tem umbanda, uma religião que imita rituais indígenas e uma terceira, que você vê pegando uma trilha no meio da floresta, até chegar a um casarão enorme, antiquíssimo, onde há missa cantada num latim reinventado por eles, com palavras indígenas no meio. Tudo cantado em som dissonante, atonal, como se fosse uma banda de pífano. Você anda 40 quilômetros e a outra cidade já tem mais outras coisas originais. É um exagero de criatividade para qualquer parâmetro europeu, ou chinês, ou japonês.

 

Texto: Natália Pesciotta, publicado no Almanaque Brasil.

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Candidatura de Paulo Skaf não é adversária

Posted by waltersorrentino on 8th abril 2010

Walter Sorrentino

Walter Sorrentino

Fui entrevistado, nesta terça, por Claudio Leal do Terra Magazine. Entre outras coisas, falo sobre a candidatura de Paulo Skaf, presidente da Fiesp como possibilidade de mais de um palanque em São Paulo, o que pode ser positivo pra Dilma. Até para forçar um segundo turno ao governo de São Paulo.

Confira a entrevista.

Terra Magazine – Há relatos sobre uma rejeição do PT nacional à aliança com o PCdoB no Maranhão, aprovada pelo diretório estadual petista. O PCdoB está acompanhando?
Walter Sorrentino – Desconheço isso que você diz. Há um processo legítimo da parte do PT. No encontro estadual, houve uma votação, venceu por dois votos. Verifico que até o momento a direção nacional do PT não se manifestou. Consta que houve dois recursos, que deverão ser examinados. Não ouvi nenhuma manifestação contrária da direção do PT.

Mas houve o posicionamento de José Dirceu, a favor da aliança com Sarney.
É, foi. E no próprio blog dele foi contestado. Os sete comentários que tinham nessa matéria eram de petistas dizendo: “não, não contraria nada, porque a resolução não dizia o partido da base, dizia: ‘da base’”. E a base inclui PMDB e PCdoB. Foi até gozado isso… Fora a manifestação do Zé, a direção nacional, com quem a gente vem mantendo relações, até agora não teve nenhuma manifestação, nem contra nem a favor, simplesmente registrando o momento oficial. E o momento oficial foi: o Paulo Frateschi, secretário de organização do PT, em discurso público, retratado pela imprensa local, na presença de Flávio Dino, no dia do encontro, disse: “Acabou a votação, foi uma votação legítima, todos nós neste momento somos Flávio Dino, que é nosso candidato”. Eu estou com as palavras do Paulo Frateschi. E não estou fazendo onda com você, tô dizendo com franqueza, não houve nenhuma outra manifestação do PT. Nem extraoficial.

É burburinho?
Ah, aí sim, faz parte da luta política.

Mas é claro que essa aliança desagradou a José Sarney…
Sem dúvida. Imagino que sim, né?

Em São Paulo, o PCdoB mantém conversas com o pré-candidato Paulo Skaf (PSB) e, na reunião desta segunda-feira, houve manifestações mais favoráveis ao apoio a Skaf do que para o Aloizio Mercadante, do PT. Como têm sido as conversas com o PT?
Você pode consultar a direção do PCdoB em São Paulo. O que eu tenho a dizer é o seguinte: há um raciocínio muito claro, legítimo, transparente, e não pra fazer jogo político, no sentido de que não é prejudicial ao interesse nosso, em São Paulo, haver mais de uma candidatura. Ou seja, mais de um palanque de Dilma em São Paulo. Essa foi a leitura última que a direção de São Paulo fez. Está bem, não é necessariamente unir todas as forças em torno de uma candidatura única para o governo de São Paulo. A possibilidade de mais um palanque em São Paulo pode ser positiva pra Dilma. Até para forçar um segundo turno ao governo de São Paulo.

A candidatura do Paulo Skaf não é adversária, pode haver interesse de sair a candidatura do Mercadante e a do Paulo Skaf, quem sabe até a do Celso Russomano (PP). Ou seja, a Dilma pode ter mais de um palanque e as forças contrárias aos tucanos em São Paulo terem mais de um candidato ao governo pra forçarem um segundo-turno com o Geraldo Alckmin.

O senhor acha que a candidatura Skaf divide os votos do PSDB?
Claro, não haveria porque ter nenhuma hostilidade com a candidatura do Paulo Skaf. Muito pelo contrário, é uma candidatura que tira voto do lado de lá e tá somando com o lado de Dilma.

E as restrições ideológicas? Skaf, presidente da Fiesp, está no Partido Socialista, numa mistura ideológica… Como o senhor vê?
Não as considero. Pessoalmente, acho que o que está em jogo no Brasil é um determinado rumo, um determinado caminho para o desenvolvimento da distribuição de renda com democracia. Eu acho que se o Paulo Skaf, junto ao PSB, está nesse campo, que seja bem-vindo. Outros conflitos existem, evidente. Até entre os ambientalistas há conflitos. Ele é um homem que veio para se formar nesse campo do desenvolvimento, da luta contra os juros altos. Bem-vindo. Não vejo outro tipo de restrição ideológica. Uma pessoa de muita capacidade, de muita integridade, haja vista o papel que ele vem desempenhando.

A definição da aliança estadual do PCdoB sai até o dia 20 de abril, mais ou menos?
Ficamos sabendo que o Mercadante vai fazer o lançamento dia 23. Eu acho que são negociações que dependem de outras questões que extrapolam São Paulo. Por exemplo, candidatura Ciro Gomes. A contrapartida para isso (aliança com Skaf) seria um palanque pra Dilma em São Paulo. Pressupõe que não haja candidatura do Ciro, e o Ciro tem todo o direito de reivindicar a candidatura. São coisas que são difíceis dizer o prazo. O Mercadante está certo em lançar a candidatura dele, é bom pra ele e pra São Paulo, pra deixar de existir essa indefinição. O PCdoB está mantendo conversas com todos no sentido de viabilizar o seu projeto, que é uma vaga no Senado para o Netinho. Temos conversado isso com o PT e o próprio Paulo Skaf. Essa é uma condição muito importante para o PCdoB hoje numa chapa majoritária de quatro, cinco grandes posições, porque tem governo, vice, dois senadores e uma suplência.

A proposta para o PT é Netinho e Marta Suplicy no Senado?
A proposta é fecharem acordo com uma das vagas pro Netinho ao Senado. Essas conversações estão sendo feitas com o PT e não houve uma manifestação terminativa.

O deputado federal Candido Vaccarezza (PT), líder do governo na Câmara, se referiu a Aldo Rebelo como o melhor nome do PCdoB para o Senado. Como o partido entende essa questão?
O Aldo Rebelo é um dos melhores nomes para qualquer cargo público do Brasil, haja vista a capacidade de consenso que ele gera, agregação de forças… É um político que transcende a força do partido e tem uma respeitabilidade enorme. Aldo é uma pessoa preparadíssima pra qualquer um desses cargos, inclusive pra governador. Tanto que ele era candidato a prefeito e, num gesto de extrema generosidade política, aceitou ser vice da Marta (Suplicy). É um homem público de grande estofo.

Agora, dentro do projeto que está desenhado pra nós, ele está pleiteando a candidatura a deputado federal e seria importante ele ter esse mandato. Para o Netinho, seria uma conquista penetrar nessa área bastante popular em São Paulo. E ele já é vereador, não fica sem mandato. O nome com melhores condições eleitorais é o Netinho. O Aldo tem capacidade até para ser candidato a governador do Estado de São Paulo. Não vejo bem por que o Vaccarezza levantou isso, não. Talvez como um gesto de generosidade para o Aldo.

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Com expansão de 50%, PCdoB está pronto para crescer com qualidade

Posted by waltersorrentino on 2nd novembro 2009

Às vésperas da realização de seu 12º Congresso, o PCdoB mostra-se coeso e em expansão. De 2005 para cá, cresceu 50%. Agora, se prepara para enfrentar um novo e importante momento: organizar e formar sua militância para lutar por um novo projeto nacional de desenvolvimento, caminho brasileiro para o socialismo. O PCdoB “está preparado para crescer”, diz Walter Sorrentino, secretário de Organização. Nesta entrevista, ele traça um panorama do processo congressual e dos novos passos dos comunistas. Da redação de PARTIDO VIVO, por Priscila Lobregatte

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O Brasil precisa de um novo projeto de desenvolvimento

Posted by waltersorrentino on 21st setembro 2009

Publicado em VERMELHO, 7 de Julho de 2009

Em entrevista ao caderno baiano do portal Vermelho, o secretário nacional de Organização do PCdoB, Walter Sorrentino, apresentou as principais idéias em debate no 12º Congresso Nacional do partido, que acontece em novembro deste ano, em São Paulo. Por Camila Jasmin, Salvador.

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Seminário coloca mulher como centro de novo salto civilizacional 29/8/09

Posted by waltersorrentino on 21st setembro 2009

Cerca de 100 pessoas de 12 estados compareceram na abertura do seminário As mulheres e o projeto nacional de desenvolvimento neste sábado, 29, na sede do PCdoB, em São Paulo. O público, majoritariamente feminino, ouviu a palestra de Walter Sorrentino, secretário de Organização do partido. Para ele, “a questão da mulher não é apenas a mais imediata, mas também a mais necessária para o avanço civilizacional que os comunistas buscam”.
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Política de quadros em Salvador

Posted by waltersorrentino on 21st setembro 2009

O Comitê Municipal de Salvador realiza um novo debate nesta quarta-feira (26/8), das 9h às 14h, no Sindicato dos Comerciários, em Nazaré, dando seguimento à discussão das teses do 12º Congresso Nacional do PCdoB. Desta vez o convidado será o secretário Nacional de Organização, Walter Sorrentino, que vai falar sobre a política de quadros do partido para um público formado por militantes, dirigentes estaduais, municipais, dos distrais e comitês de categoria.

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O PCdoB pode surpreender o país

Posted by waltersorrentino on 21st setembro 2009

A seguir, entrevista feita comigo por ocasião do Curso nacional de nivel 3 :

Walter Sorrentino, secretário de Organização do PCdoB, abriu o primeiro dia de aula do curso de nível 3 da Escola Nacional – focado nas discussões dos documentos do 12º Congresso do partido – falando da proposta da nova política de quadros. Para ele, “A constatação do dirigente parte da necessidade de o partido investir mais numa política de quadros ajustada ao momento atual, o que pode levar o PCdoB a um novo patamar organizativo e, por conseqüência, a um nível mais avançado de inserção nas massas e de intervenção política. “Precisamos de um partido de pelo menos um milhão de membros para o projeto estratégico que temos. Hoje os comunistas não constituem a força predominante nos grandes acontecimentos da América Latina e do Brasil”.

Contextualização das origens


Para chegar a esse raciocínio, Sorrentino fez, primeiramente, uma contextualização que buscou mostrar quais são as raízes do PCdoB e de sua forma de organização. “Nosso partido se forjou tendo por base um tempo de ofensiva revolucionária aberto pela revolução bolchevique, que originou os partidos de quadros, revolucionários, marxistas-leninistas, disciplinados e de corte rígido por conta dos condicionamentos da luta de classes daquele período. Somos fruto do desenvolvimento da 3ª Internacional”.

A partir daí, originou-se o modelo soviético que abriu caminho para as insurreições apoiadas no movimento de massas, especialmente o sindical. O processo histórico fez com que se desenvolvesse, segundo Sorrentino, “uma versão universalista abstrata do marxismo, com renúncia da dialética do particular concreto, que é o modo de fazer avançar a teoria. Lênin tenta resgatar a visão materialista, de onde sai a atualização do marxismo. Como ônus daquele tipo de visão reducionista do marxismo, as singularidades da formação histórica de cada país foram deixados de lado para a aplicação de modelos prontos. “A questão nacional ficou refém desse processo”, processo esse “marcado pela aplicação de normas que pouco a pouco se transformaram em cláusulas pétreas e o tema ‘partido’ tornou-se um paradigma imutável”, constatou.

O resultado desse engessamento foi o próprio refluxo revolucionário, a crise do socialismo e a ascensão do neoliberalismo. “Demoramos para perceber esses sinais que vinham desde os anos 1950. Mas o PCdoB foi um dos primeiros a se levantar contra o revisionismo de Krushev. Ainda assim, não conseguimos tirar conseqüência de toda essa situação. De maneira geral, os partidos comunistas mundo afora foram se degenerando e a própria degenerescência dos partidos foi motivo de derrota. Caía por terra a ideia dos partidos comunistas invioláveis”.

No caso do Brasil, o Partido Comunista viveu o que Sorrentino chamou de “anos dourados” após os anos 1940, quando liderou a Aliança Nacional Libertadora e apoiou a derrota do nazifascismo. “Ocorre que os comunistas não obtiveram hegemonia e se apartou, de maneira sectária, de movimentos importantes como o nacional-desenvolvimentismo, ajudando a abrir caminhos para que as forças conservadoras conduzissem a cena nacional, chegando à ditadura iniciada em 1964. Naquele momento, escanteamos a questão nacional”, lamentou.

Sorrentino lembrou que até 1995, a estratégia do partido se assentava essencialmente em duas etapas: uma nacional antilatifundiária e outra propriamente socialista, “segundo um modelo determinado, desconhecendo mediações próprias da formação econômico-social particular do Brasil, sem prever fases de transição”. Essa visão começou a mudar a partir do 8º Congresso, em 1995. “Aprendemos que a via eleitoral podia abrir espaços; a luta social é sempre uma luta política e a luta eleitoral é conseqüência disso. O mundo mudou muito e a crise capitalista repõe a questão das alternativas ao sistema”.

Política de quadros atualizada


Ao iniciar a explanação sobre uma nova política de quadros, Walter Sorrentino abordou a questão central que se coloca hoje para os comunistas: como manter a tradição de quadros do PCdoB sob condicionamentos diferentes daqueles que formaram o partido até recentemente? “É preciso que sejamos firmes e flexíveis no que diz respeito aos vínculos dos quadros com o partido”, disse.

Ele enfatizou que “o centro de nossa estratégia é alcançar hegemonia de nosso projeto político capaz de elevar os trabalhadores à classe dominante do país”. Porém, colocou que “a hegemonia não é um conceito que se explica por si só. A busca pela hegemonia é uma luta tenaz e prolongada em todos os campos da luta política, social e de ideias e isso demanda quadros preparados. A organização política precisa se fazer funcional à estratégia definida”.

Esse partido de massas que o PCdoB busca ser precisa, de acordo com Sorrentino, “de extensa organicidade desde a base, em variadas formas, para dar coesão à ação política a uma numerosa militância e forte estrutura de quadros para dar coesão e governabilidade ao partido. E precisamos de uma multidão de quadros de uma infinidade de tipos de acordo com a nossa realidade. Só assim podemos liderar porque sem quadros dirigentes não há partido”.

Ele lembrou, no entanto, das dificuldades colocadas e que precisarão ser enfrentadas pelo coletivo. “Formar partido de militância é nadar contra a corrente. A política está desmoralizada. Mas se conseguirmos a vitória em 2010, podemos atingir 500 mil militantes. E como vamos fazer dessa militância uma militância mais estável e adequada às necessidades do partido? A resposta está na política de quadros, que dá governabilidade ao PCdoB”.

Para isso, o documento-base sobre política de quadros coloca como fundamental o enfrentamento de condicionamentos próprios do movimento comunista: o dogmatismo, o corporativismo e o liberalismo e seu conseqüente pragmatismo.

Neste sentido, a proposta de política de quadros coloca como aspectos fundamentais a serem buscados a formação de uma nova geração dirigente do partido nas condições de dos tempos atuais, ou seja, investir naqueles que irão dirigir o partido no futuro. O segundo item é dar organicidade à militância. “O partido não pode ser areia solta; é preciso organizar a ação política da militância e essa organicidade depende de quadros, seja de base ou intermediário”, lembrou Sorrentino. O terceiro ponto é alargar a formação de quadros da juventude, dos trabalhadores, das mulheres e os mais diretamente atuantes na luta de ideias.

Concluindo sua aula, Sorrentino disse que a base geral para essa política consiste num trabalho de consciência, renovação, qualificação, especialização e representação. “A essência dessa base é a vida partidária coletiva; ninguém deve se pôr acima do partido. É essencial infundir nos quadros o projeto partidário e fidelizá-los mais duradouramente a esse projeto”.

De São Paulo,
Priscila Lobregatte

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=56403&id_secao=141

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Queremos construir a futura geração do PCdoB

Posted by waltersorrentino on 21st setembro 2009

Os principais temas que pautarão os debates ao longo do ano até a realização do 12° Congresso do PCdoB,  em novembro Read the rest of this entry »

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87 anos de luta! Em defesa do Brasil, dos trabalhadores e do socialismo

Posted by waltersorrentino on 21st setembro 2009

PCdoB completa 87 anos em grande estilo. Sessão Solene na Câmara Municipal de São Paulo reúne lideranças, militantes e dirigentes de diversos partidos, demonstrando a amplitude política do PCdoB e alertando que saída para a crise do capitalismo é o socialismo.
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PCdoB é um partido cheio de perspectivas

Posted by waltersorrentino on 21st setembro 2009

Com a presença de dirigente de 24 dos 27 comitês estaduais do PCdoB, o Encontro Nacional de Organização fincou indicações de como o partido deve atuar no próximo biênio. Um dos pontos, que deverá render um encontro específico no começo do ano, é desenvolv ??
Novas perspectivas.
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