O blog Projetos para o Brasil visa ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.
Outra vem de Yusa, cubana que representa a nova onda de músicos da ilha que condensam a tradição de seu país com o som do resto do mundo. É o que diz sua página www.yusamusic.com. Rock, jazz, pop, som brasileiro e raízes profundas cubanas. Escolhi dar a vocês Walking heads:
Saí de uma poderosa virose, a ser confirmada dengue, que me tirou do ar esta semana. Volto a estas páginas, divulgando dois toques do amigo Breno Altman. Breno lançou a Revista Samuel, que promete inovar nestes tempos virtuais.
A publicação será inicialmente bimestral e traz uma fórmula nova: suas páginas apresentam uma seleção do que de melhor produz a imprensa independente no Brasil e no mundo. Peço aos amigos e amigas que ajudem a difundir esse link o mais amplamente possível. Publicações progressistas dependem do apoio de seus leitores para seguirem em frente.
O outro toque me interessou de perto. Já havia ouvido falar de Rita, cantora grega que faz sensação. A crise adverte a arte.
Breno, de férias em Atenas deu a sorte de ter a oportunidade de ouvir a formidável cantora e escreveu o perfil abaixo. Sugiro a todos que o leiam, pela qualidade do canto de Rita Antonopoulou. Ilustrando o texto, alguns vídeos de suas impressionantes interpretações, incluindo a brasileiríssima “Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá. O link da reportagem está abaixo.
Parabéns a você! Nessa data querida! Muitas felicidades! Muitos anos de vida!
Leci passeou por vários gêneros, mas com o trabalho focado nas questões sociais. Com 67 anos, completos hoje, faz da arte um instrumento em defesa das pessoas. No início da década de 1970, ela já era a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores da Mangueira:
Uma das músicas resgatadas nesse CD que acaba de sair, foi Zé do Caroço. “Na época em que eu escrevi, a música não foi aprovada pela gravadora. Depois estourou, e hoje não posso fazer nenhum show sem cantá-la. É uma história real. O Zé do Caroço existiu, mas já morreu.”
Deixa, Deixa fala de um tema atual: “Naquele tempo já havia violência. A letra fala: Deixa ele beber, deixa ele fumar, deixa ele jogar. É melhor do que sacar de uma arma para nos matar” (ouça abaixo).
Para os mais jovens ou até mesmo aos mais desavisados, que conhecem Leci Brandão apenas por sua atuação como comentarista durante anos em transmissões dos desfiles de carnaval, há agora a oportunidade de descobrir o porquê de ela ser considerada uma das maiores compositoras e intérpretes de samba do País.
Em mais um exemplo de como resgatar e preservar o patrimônio cultural nacional, a Universal Music acertou em cheio ao relançar os discos de Leci – feitos na época de contrato com a Phonogram/Polydor – agora em um único CD.
Das dezoito faixas, com registros que vão de 1976 a 1981, há espaço também para arranjos mais pop, como em Vinte e Duas Horas (referência ao tempo de duração de uma viagem de Leci ao Japão).
Composições como Questão de Gosto (samba-jazz de primeiríssima), Ombro Amigo, Chantagem, Assumindo e Ferro Frio relembram a veia de Leci como autora que sempre pregou todo e qualquer tipo de liberdade, seja de expressão, política ou sexual.
O PCdoB tem a honra de te-la como Deputada Estadual em suas fileiras partidárias. E deixo a ela o meu forte abraço pelos seus 67 anos de vida!
O CD:
O Canto Livre de Leci Brandão
01 Questão de gosto (Leci Brandão – 1976)
02 Deixa pra lá (Leci Brandão – 1976)
03 Ombro Amigo (Leci Brandão – 1977)
04 Chantagem (Leci Brandão – 1980)
05 Deixa,deixa (Leci Brnadão – gravaç.original, inédita sobra de estúdio)
06 Assumindo (Leci Brandão – gravaç.original, inédita sobra de estúdio)
07 Marias (Leci Brandão – 1977)
08 Ensopadinho (Leci Brandão – 1978)
09 Não cala o cantor (Leci Brandão – 1980)
10 Vamos ao teatro (Leci Brandão – 1977)
11 Sem Vingança (Leci Brandão – 1980)
12 Essa tal criatura (Leci Brandão – 1980)
13 Dança doce (Leci Brandão – 1981)
14 Troca (Leci Brandão / João Nepomuceno – 1978)
15 Dobrando as cobertas (Leci Brandão / Ivor Lancelotti – 1980)
16 Ferro Frio (Leci Brandão – 1978)
17 Vinte e duas horas (Leci Brandão – 1981)
18 Zé do Caroço (Leci Brandão – gravação original, inédita sobra de estudio)
O Canto Livre de Leci Brandão, Leci Brandão (Universal), tem 18 faixas, custa R$ 19,90 e se encontra nas lojas.
Tu verás que vou renascer no ano 3001
Com pessoas que não mais estarão mas que então haverá
Abençoaremos a terra, a nossa terra… e te juro
Que juntos, de novo, este país se fundará.
Astor Piazzolla, imortal, compôs Preludio para el año 3001 (Rinascerò), com Horacio Ferrer e Angela Dania Tarenzi. Tratava-se de Buenos Aires. Mas me encontrei com a magistral gravação ao vivo dessa música no show em Tókio, 1988, na interpretação divina de Milva, italiana. A letra arrebatadora vai transcrita, em homenagem à bela e imorredoura Itália, hoje sob o tacão do atraso e da regressão (o que será em vão, antes de 3001).
Alguns de seus versos são de inequívoco sentido:
Renascerei da fruta de um mercado local
e da desleixada atmosfera de um romântico café
e das ruínas de um pequeno lugarejo abalado
e da raiva das pessoas do Sul, renascerei.
Com uma flor vermelha na botoeira
Para terminar o poema que deixei pela metade,
Minha bela cidade estará numa festa de cores
País meu… século 30… tu verás…
Tu verás que vou renascer no ano 3001
Com pessoas que não mais estarão mas que então haverá
Abençoaremos a terra, a nossa terra… e te juro
Que este país de novo e juntos se fundará.
Rinascerò! Rinascerò! Rinascerò!
PRELUDIO PARA EL AÑO 3001 (RINASCERÒ)
Io nascerò um altra volta in una sera de giugno
Con questa voglia di amare e di vivere più che mai…
Rinascerò – è destino – nell’anno 3001;
sarà una festa di colori la mia bela città.
I cani randagi abbaieranno alla mia ombra…
Col mio modesto bagaglio giungerò dall’Al di la
e inginocchiato sulla riva del mare trasparente,
um cuore nuovo di sale e fango mi plasmerò.
Verranno um vagabondo, um pagliaccio e um mago,
Miei immortali compagni, dirano “Forza… su…!
Così… cosi. Coraggio, fratello… nasci che è duro,
Ma difficile Il lavoro di morire e di rinascire poi.”
Rinascerò! Rinascerò! Rinascerò!
E una gran você extraterrestre, mi dara
La forza grande e pura che mi servirà…
Ritornerò… ricrederò… e lotterò!
E um fiore rosso all’occhiello porterò
E se nessuno è mai rinato: lo potro!
Paese mio… secolo trenta… tu vedrai…
Rinascerò! Rinascerò! Rinascerò!
Rinascerò dalle cose che ho amato molto, tanto…
Quando Le ombre della casa diranno piano: “È qui!”
lo bacerò il ricordo dei tuei occhi taciturni,
per terminare Il poema che tralasciai a metà.
Rinascerò dalla frutta di um mercato rionale
e dalla sciatta atmosfera di um romântico caffè,
e dalle rovine di um piccolo paese terremotato
e della rabbia della gente del Sud, rinascerò.
Tu vedrai che rinasco nell’anno 3001
con gente che non c’è stata ma che allora ci sara
Benediremo la terra, terra nostra… e te lo giuro
che questo paese di nuovo e insieme si fonderà.
Rinascerò! Rinascerò! Rinascerò!
E una gran você extraterrestre, mi dara
la forza grande e pura che mi servirà…
Ritornerò… ricrederò… e lotterò!
E un fiore rosso all’occhiello porterò
E se nessuno è mai rinato: lo potro!
Paese mio… secolo trenta… tu vedrai…
Rinascerò! Rinascerò! Rinascerò!
Minha grata e inesquecível amiga chilena, Eva Chávez, me brindou com uma manifestação de que não havia tomado conhecimento. Causou-me comoção que quero compartilhar com todos vocês do blog. Eu lhes digo: não deixem de ver. O povo italiano não está calado, sua indignação e patriotismo se alevantou sob o comando do grande director Ricardo Muti, num gesto pleno de significação histórica que leva às lágrimas por ser um momento sublime. O vídeo fala por si só.
A Itália finalmente despertou. Saboreiem este momento comovedor.
El último 12 de marzo, Silvio Berlusconi debió enfrentar la realidad.. Italia festejaba el 150 aniversario de su unificación y en esa ocasión se dio en la ópera de Roma la ópera “Nabucco” de Giuseppe Verdi, dirigida por el maestro Ricardo Muti. Nabucco es una obra tanto musical como política: evoca el episodio de la esclavitud de los judíos en Babilonia, y su famoso coro “Va pensiero” es el canto de los esclavos oprimidos. En Italia, este canto es el símbolo de la búsqueda de libertad del pueblo, que a fines del siglo XIX -época en que se escribió la ópera – estaba oprimido por el imperio Habsburgo, al que combatió hasta la creación de la Italia unificada. Antes de la representación, Gianni Alemanno, alcalde de Roma, subió al escenario para pronunciar un discurso denunciando los recortes al presupuesto de cultura que hizo el gobierno, a pesar de que Alemanno es miembro del partido gobernante y viejo ministro de Berlusconi. Esta intervención política, en un momento cultural de los más simbólicos para Italia, produciría un efecto inesperado, puesto que Berlusconi en persona asistía a la representación.
Relatado luego por el Times, Ricardo Muti, director de la orquesta, contó que fue una verdadera velada de revolución: “Al principio hubo una gran ovación en el público. Luego comenzamos con la ópera. Se desarrolló muy bien hasta que llegamos al famoso canto Va pensiero. Inmediatamente sentí que la atmósfera se tensaba en el público. Hay cosas que no se pueden describir, pero uno las siente. Era el silencio del público que se hacía sentir. Pero en el momento en que la gente se dio cuenta que empezaba el Va Pensiero, el silencio se llenó de verdadero fervor. Se podía sentir la reacción visceral del público ante el lamento de los esclavos que cantan: “Oh patria mía, tan bella y perdida.”
Cuando el coro llegaba a su fin, ya se oían en el público varios “bis”. El público comenzó a gritar: “¡Viva Italia!”, “¡Viva Verdi!”, “¡Larga vida a Italia!”. La gente en el gallinero comenzó a arrojar papeles con mensajes patrióticos. En una única ocasión Muti había aceptado hacer un bis para el “Va Pensiero” en la Scala de Milán en 1986, puesto que para él la ópera no debe sufrir interrupciones. “Yo no quería sólo hacer un bis. Tenía que haber una intención especial para hacerlo”, relata. Pero el público ya había despertado su sentimiento patriótico. En un gesto teatral, Muti se dio vuelta y miró al público y a Berlusconi a la vez, y dijo:
“Sí, estoy de acuerdo con esto. “Larga vida a Italia”. Pero…
Ya no tengo más 30 años y he vivido mi vida, pero recorrí mucho el mundo, y hoy tengo vergüenza de lo que sucede en mi país. Entonces accedo a vuestro pedido de un bis para el Va Pensiero, nuevamente. No es sólo por la dicha patriótica que siento, sino porque esta noche, cuando dirigía el Coro que cantó “Ay mi patria, bella y perdida” , pensé que si seguimos así vamos a matar la cultura sobre la cual se construyó la historia de Italia. En tal caso, nuestra patria estaría en verdad “bella y perdida”.
(Aplausos , incluidos de los artistas en escena)
Continuó: “Ya que reina acá un clima italiano, yo, Muti, me callé la boca muchos años. Quisiera ahora… tendríamos que darle sentido a este canto; estamos en nuestra casa, el teatro de Roma, y con un coro que cantó magníficamente bien y que acompañó espléndidamente. Si quieren, les propongo unirse a nosotros para que cantemos todos juntos”.
Entonces invitó al público a cantar con el coro de esclavos. “Vi grupos de gente levantarse. Toda la ópera de Roma se levantó. Y el Coro también. Fue un momento mágico en la ópera.
“Esa noche no fue solamente una representación de Nabucco, sino también una declaración del teatro de la capital para llamar la atención a los políticos.”
Acá está el video de ese momento lleno de emoción:
Projetos para o Brasil rende homenagem singela a Jorge Mautner, uma das personagens clássicas para o escopo do blog. Ele completou 70 anos neste ano.
Jorge Henrique Mautner nasce no Rio de Janeiro em 17 de janeiro de 1941, filho de Anna Illich e Paul Mautner. Ambos vieram para o Brasil como refugiados na Segunda Guerra Mundial. Sua mãe, Anna, era austríaca de origem iugoslava e católica, se ocupava dos afazeres domésticos; seu pai Paul, judeu-austríaco, era extremamente culto, e entre outras atividades, trabalhou no Brasil com a comunicação da agência de resistência judaica anti-nazista.
Considero-o um gênio, não apenas como músico, mas pelo poderoso intelecto e enorme bagagem cultural, pela imensa brasilidade que ele traduz na arte que produz.
Sua obra é extensa, mas a maior contribuição de seu trabalho julgo ser exatamente essa capacidade de captar o Brasil. Ele faz jus em inteira medida à reflexão de Ezra Pound de que o artista é a antena da raça.
De fato, Jorge Mautner e seu parceiro Nelson Jacobina são antenas vanguardeiras do tempo e do Brasil. Gente assim como Mautner não podia senão ser radical e comunista na melhor acepção das palavras: ir às raízes para a compreensão de que a sociedade pode e deve ser regida pelo bem comum, em nome do bem comum.
Como diria o amigo Célio Turino, o Brasil precisa de brasileiros, radicais e comunistas. Mautner é um desses. Parabéns a ele pelos 70 anos e pela obra.
Uma pérola encantada o ALMA LÍRICA BRASILEIRA, de Mônica Salmaso, com Teco Cardoso no sax e flautas, Nelson Ayres ao piano, os três se alternando. Há momentos em que a voz é da flauta de Teco, e vez em que a flauta é a voz de Mônica.
Mônica Salmaso é, entre todas, meu ponto alto no atual panorama musical brasileiro. Pela arte, sensibilidade e voz. Mas sobretudo pelo trabalho de conjunto, de rara fineza e elevação. Vejam entrevista dela sobre o CD
O tratamento obtido para Trem das Onze, Samba Erudito e Melodia Sentimental é sublime. A música que mais me marcou é Mortal Loucura. Não há ainda na íntegra para compartilhar, mas vejam um trecho:
Mortal Loucura
(José Miguel Wisnik sobre o poema ”Oração” de Gregório de Matos)
Na série dos imperdíveis. Há tempos perseguia Piazzola ao vivo em Tokyo, 1988, com a magnífica cantora Milva. Chegou: Biscoito Fino nos presenteou com o que faltava. Não tenho palavras para descrever a sensação. Ouvir, assistir, só isso. Balada para un loco. Digna dos melhores momentos da música universal, algo de Edith Piaf com o melhor dos argentinos, que é o tango, dramático, profundo, renovado por Piazzola. Com vocês…
Faltava entre as boas músicas que me acompanharam estes últimos tempos um registro de Esperanza Spalding. Fiquem com uma amostra que é I Know you Know. Imperdível pela qualidade e sensibilidade.