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    O blog Projetos para o Brasil visa ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.

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Archive for the 'Cultura' Category

Para textos culturais, poesias, obras, exposições, etc.

Duas emoções musicais

Posted by waltersorrentino on 4th fevereiro 2012

As emoções provêm de Maria Gadu, em dois momentos de uma grande artista, com músicas e interpretações mágicas:

Shimbalaiê: http://www.myspace.com/mariagadu/music/songs/shimbalai-47953385

Long long time: http://letras.terra.com.br/maria-gadu/2002664/#selecoes/2002664/

Outra vem de Yusa, cubana que representa a nova onda de músicos da ilha que condensam a tradição de seu país com o som do resto do mundo. É o que diz sua página www.yusamusic.com. Rock, jazz, pop, som brasileiro e raízes profundas cubanas. Escolhi dar a vocês Walking heads:

http://youtu.be/qec7ywGrYNA mas você encontra outras em http://www.myspace.com/yusaspace/music/songs/walking-heads-43367989.

Duas lindezas para o domingo. Boa audição.

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Rita Antonopoulos

Posted by waltersorrentino on 17th janeiro 2012

Saí de uma poderosa virose, a ser confirmada dengue, que me tirou do ar esta semana. Volto a estas páginas, divulgando dois toques do amigo Breno Altman. Breno lançou a Revista Samuel, que promete inovar nestes tempos virtuais.

A publicação será inicialmente bimestral e traz uma fórmula nova: suas páginas apresentam uma seleção do que de melhor produz a imprensa independente no Brasil e no mundo. Peço aos amigos e amigas que ajudem a difundir esse link o mais amplamente possível. Publicações progressistas dependem do apoio de seus leitores para seguirem em frente.

Agora você pode assinar online a revista Samuel: http://www.revistasamuel.com.br/.

O outro toque me interessou de perto. Já havia ouvido falar de Rita, cantora grega que faz sensação. A crise adverte a arte.

Breno, de férias em Atenas deu a sorte de ter a oportunidade de ouvir a formidável cantora e escreveu o perfil abaixo. Sugiro a todos que o leiam, pela qualidade do canto de Rita Antonopoulou. Ilustrando o texto, alguns vídeos de suas impressionantes interpretações, incluindo a brasileiríssima “Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá. O link da reportagem está abaixo.

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/perfis/19083/uma+voz+que+canta+a+rebeliao+grega.shtml

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EUA e seu auto-retrato

Posted by waltersorrentino on 4th janeiro 2012

Reassisti ontem Inside Job. De fato, um filme impressionante documentando a maior crise capitalista dos últimos 80 anos. Um rastro de falências, de desemprego e pobreza, cujas raízes têm nome e sobrenome bem definidos. Sem dúvida, o melhor filme do ano.

Eu o reassisti como parte de uma tetralogia fílmica de 2011: Inside Job, Os donos do poder (Ops, desculpem a falha: Tudo pelo poder – corrigido a tempo), Margin Call e A grande virada. São filmes que retratam dois aspectos da vida atual nos EUA, o poder e o dinheiro. O mais importante é que procuram tratar dos dilemas morais envolvidos nas opções dos agentes do poder e das finanças. Margin Call é o que vai mais longe nisso, com precisão e sem concessões.

É sempre importante entender como se retratam os norte-americanos, seus dilemas e as justificativas morais para agir (ou aceitar que ajam) na produção de uma crise econômica tremenda. O utilitarismo pragmático norte-americano transformou em ideologismo hegemônico para a sociedade os interesses de uma reduzida camada social, os financistas e seus agentes (naturalmente em simbiose com os homens do poder).

A indústria do cinema é a mais destacada que os EUA tem para isso, nos marcos do pensamento crítico que produzem. Já comentei antes que, na literatura, me impressionou Jonathan Franzen em seu último livro, Liberdade, nos mesmos termos.

O mundo reviveu falsa e trágica belle époque dos anos ‘920 nas décadas de hegemonia neoliberal desenfreada, a partir dos anos ‘980. Os EUA estiveram no epicentro dessa onda, arrastando num tsunami a tudo e todos. Os quatro filmes citados, de algum modo, ajudam a entender a razão, a gênese, os beneficiários e derrotados do processo, as consequências todas para povos e nações. Nunca ficou tão claro onde mora o perigo, ainda prevalecente no mundo.

Não há como superar tal estado de coisas sem confrontar essa ideologia com poderosa luta de ideias, pensamento crítico, capaz de desvendar os interesses reais de camadas sociais, povos e nações inteiras.  Os filmes ajudam nisso.

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O Ladrão

Posted by waltersorrentino on 19th dezembro 2011

Vamos começar a semana com calma, para renovar energias para 2012. Vai postado mais um conto do amigo Luiz Henrique Dias, O Ladrão. Um flagrante do cotidiano profundo da vida brasileira.

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Arte, Cultura e Esporte como inclusão social

Posted by waltersorrentino on 7th dezembro 2011

O amigo Celio Turino vem de lançar novo livro, com o título “Arte, cultura e esporte – uma visão inclusiva”.

O patrocínio é do Instituto Olga Kos retrantando sua história de 4 anos de atividade de inclusão social por meio da arte, cultura e esporte.

O livro é a 7ª publicação da coleção “Resgatando Cultura”, onde mostra, por meio de ilustrações e belos textos, as obras produzidas durante 4 anos e meio de oficinas de arte  para jovens com Síndrome de Down e/ou Deficiência Intelectual realizadas pelo Instituto Olga Kos. Além do lançamento do livro, haverá duas exposições de arte para contar sua trajetória com estes artistas/alunos, juntamente com a participação de artistas plásticos renomados.

As obras realizadas no projeto “Pintou a Síndrome do Respeito”, módulo Reciclando a Arte e “Fotografias”, foram confeccionadas por alunos das instituições parceiras do Instituto: ADERE, APAE-SP, APOIE, ADID,  Alternativa, Casa de Cultura Santo Amaro, CEDE, CCM, CHAVERIM e NANE.

Já a exposição Coletânea de 2007 a 2011 é baseada em artistas plásticos como Eduardo Iglesias, Marysia Portinari, Isabelle Tuchband, Inácio Rodrigues, Gustavo Rosa e Sara Belz.

Ambas exposições são abertas ao público, do dia 10 ao dia 16 de dezembro, das 10h às 21h na Oficina Oswald de Andrade, situada na Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro.

O Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural fará o lançamento do livro  “Instituto Olga Kos – uma visão inclusiva – arte, cultura e esporte” na Oficina Cultural Oswald de Andrade, dia 09/12/11, das 18h às 22 horas.

O Instituto Olga Kos é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público que atende na cidade de São Paulo em torno de 1.000 crianças, jovens e adultos com síndrome de Down e/ou deficiência intelectual. A missão do Instituto Olga Kos é resgatar e repassar para toda esta população a diversidade cultural e artística do nosso País, oferecendo acesso à arte, cultura e esporte.

Já Celio Turino é bem conhecido deste blog. Criou e promoveu a experiência inédita dos Pontos de Cultura, no MinC, hoje requisitada internacionalmente. Com seu talento enorme, dedica-se hoje também a atividades voltadas para interpretar o Brasil por meio da cultura.

O livro é belíssimo em termos de texto e arte. Vale a pena conferir. Parabéns a Celio e ao Instituto Olga Kos. Dia 9 de dezembro, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Estarei lá.

Olga Kos

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Luiz Henrique Dias: A dança

Posted by waltersorrentino on 16th setembro 2011

Quando Maria Amélia chegou em casa – mais cedo que de costume -, flagrou a Aninha e o Carlos transando.

E foi uma gritaria que, em poucos segundos, todos os vizinhos do barraco estavam sabendo e alguns, curiosos, já compareciam à frente para ver tudo. Minutos depois, saiu o rapaz lá de dentro, com a maior cara de malandro, arrumando as calças e sorrindo para o povo da viela. Por sorte, o tamanco da dona da casa não acerta em cheio seu ouvido. Virou a esquina e sumiu pela escadaria.

Quatro meses depois, lá estava a Aninha de barriga, com a mãe a arrastando, pela orelha, ladeira abaixo. Na descida, alguns meninos formavam um comboio, atraídos pela cena e pela velocidade das duas, que só pararam uma vez para arrumar o chinelo da Aninha, cuja tira se soltou. Pararam em frente à casa do moço. Enquanto uma chorava, a outra batia palmas.

Veio o menino.

“Pode ficar com ela” – já começou Maria Amélia. “Eu nem a conheço”, respondeu o rapaz, já desviando da tamancada e correndo para dentro do barraco. “Vou te mostrar então quem é!”. Aos chutes, ela tentava arrombar à força, enquanto a menina, encostada no poste, com a mão na barriga, chorava.

A porta cedeu à raiva. Ela invadiu o espaço: uns dez metros quadrados de pura sujeira.

Um fogão velho e uns panos pendurados. Ao fundo, uma janela. Havia fugido. Ela foi para fora, grudou novamente na orelha da menina e seguiu até a casa do Senhor Joaquim, ancião da comunidade. Lá, pediu duas porções do chá de erva-fina. O velho, que já vendia a dose preparada, trouxe uma caneca e, aos tapas da mãe, a menina bebeu ainda quente. Depois, soluçando de tanto chorar, entrou na casinha onde havia uma privada para as moças frequentadoras do lugar e, de lá, só gemidos se ouviam. Meia hora depois, com a Aninha ainda tonta, o pagamento – cinco reais – foi feito e as duas subiram o morro. O povo estava vivendo calmamente sua vida e os meninos da rua já haviam sumido. “Isso é pra aprender.”, avisava a mãe. “Tá doendo”, resmungava a menina, que só conseguia pensar no sofrimento e, vez em quando, no Ancelmo, o menino novo do bairro.

Luiz Henrique Dias é dramaturgo.

Siga ele lá: @LuizHDias

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Luis Henrique Dias: As cartas

Posted by waltersorrentino on 16th setembro 2011

Brindo-os com mais um conto do amigo dramaturgo Luiz Henrique Dias, de Foz do Iguaçu. Ele é diretor da Cia Experiencial O Teatro do Excluído e coordenador da Escola de Artes Lupah!. Leia mais em luizhenriquedias.com.br ou siga ele: @LuizHDias

As Cartas

Aparecida tinha apreço pelo Anselmo, o mecânico, mesmo sabendo ser ela amada por um tal de João. Este, um dia, cansado de se ver não correspondido e sentindo risco de perdê-la para o mancebo, aproveitou um momento de distração e, invadindo a oficina na espreita, golpeou a cabeça do rival com uma chave de roda, esparramando miolos para todos os lados. Depois fugiu. Pego alguns dias depois, escondido, passando-se por um tal de Tony, no Largo dos Otavianos, na Zona Sul, foi levado ao presídio central, de onde, por longo período, não saiu. Foram seis meses escrevendo e enviando, mesmo sem respostas, cartas de amor à Aparecida.

Um dia, cansou-se.

Se amigou com um bando que preparava uma fuga e, depois de tempos cavando com uma colher, conseguiu sair em um bueiro da Rua Castanhas. Munido apenas de uma faca de cozinha, assaltou uma banca de revistas para conseguir algum dinheiro, pagou um banho em uma pousada, comprou camiseta e chinelas novas e tomou um ônibus até o Bairro do Dendê. Já era noite quando bateu na porta do barraco da Aparecida. Esta, ao abrir a porta, soltou um grito e tentou empurrá-lo pra fora. Em vão. Ele entrou. Ela correu para o outro canto, com medo.

Estático, ele sorria.

Abriu o zíper do bolso da coxa, na bermuda de brim, e pegou um papel. “Tome, é a última carta que escrevi. Resolvi entregar pessoalmente”. Nesse momento, a polícia, chamada pela vizinhança, apareceu na rua e a luz vermelha piscante surgiu pelas frestas e janelas. A casa foi invadida e ele, o apaixonado João, não ofereceu resistência alguma. Largou a carta no chão, colocou as mãos na cabeça e, algemado, sem tirar os olhos de Aparecida, foi levado para o camburão. Ela, ainda assustada, fechou a porta, pegou a carta e colocou-se a ler.

Enquanto isso, lá na viatura, João, feliz por tê-la visto, torcia para chegar logo à cadeia para, sem algemas, escrever mais uma carta. Uma carta de amor. Daquelas que escrevemos sem pretensão de, um dia, termos resposta.

Luis Henrique Dias

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Gestão da Cultura em São Paulo na berlinda

Posted by waltersorrentino on 15th setembro 2011

Uma das obras de Ianelli não aceitas pela gestão do MAM

Uma das obras de Ianelli não aceitas pela gestão do MAM

Tenho acompanhado pela imprensa o quiproquó sobre a não-aceitação pelo MAM de alguns trabalhos de Arcângelo Ianelli (1922-2009), deixados por ele em testamento, para o MAM-SP.

O testamento indicava 170 obras representativas da arte de Ianelli pra dezesseis museus nacionais e estrangeiros. Para o MAM-SP, eram destinadas quatorze peças. Segundo a filha do pintor Katia Ianelli, “O MAM não tem nenhuma escultura do meu pai. Estavam propostas duas esculturas e mais uma escultura em madeira. Não tem nenhum pastel. Estavam propostos vários pastéis. Nenhuma transição e nenhuma arte figurativa. Eles não tinham nada dessas fases e dessas técnicas, como escultura de mármore, relevo pintado, que foi o último segmento da obra do artista, com 30 exemplares – e um deles estava indo pro MAM. Tudo que foi proposto era inédito. Se nada disso era contribuição, acho que eles não queriam mesmo a contribuição do artista, e não das obras”.

Surpreendentemente, a resposta curta e seca à família foi: “O Conselho Consultivo de Artes do Museu de Arte Moderna, em sua última reunião, posicionou-se contrariamente à entrada dessas obras no acervo do museu. Assim sendo, entendemos por bem recusar as mesmas”. “Tinha redundância em relação ao que a gente já tem do Ianelli”, argumenta o curador do MAM, Felipe Chaimovich, em conversa com Terra Magazine, numa excelente matéria de Cláudio Leal

Mas há contestações, porque as obras retratavam diversas fases do artista: quadros da fase figurativa e da transição; esculturas em granito preto, mármore e madeira pintada; relevo pintado (o último trabalho do artista); três pastéis geométricos, um pastel pós-geométrico e três pastéis da última fase.

Ainda por Claudio Leal, há uma resenha das obras doadas e que não foram aceitas pelo MAM

História do artista

O artista tem uma longa história e produção, e marca as artes plásticas do século 20.

No sitio Pitoresco encontramos em rápidas linhas essa contextualização.

“No Rio de Janeiro, o mestre Manuel Santiago (1897-1987) passou a orientar os «meninos» do Núcleo Bernardelli, e de lá surgiram nomes como os de Pancetti, Malagolli, Bustamante Sá e Milton Dacosta. Com o mesmo propósito, formou-se em São Paulo o Grupo Santa Helena, em que jovens, quase todos pintores de paredes, quase todos autodidatas, se reuniam para trocar ideias, recebendo orientação do professor Mário Zanini. E de lá sairam para cenário artístico Rebolo e Volpi, para citar apenas dois nomes. Em 1948, formou-se na zona Sul de São Paulo o Grupo Guanabara, que se reunia à noite na oficina de molduras de Tikashi Fukushima. Eram quase todos japoneses ou de descendência nipônica, mas entre eles podia-se encontrar alguns «estrangeiros», e a estes se juntou Arcângelo Ianelli. Realizaram exposições, entre 1950 e 1959, das quais participaram os integrantes do grupo e mais artistas convidados, entre eles Manabu Mabe e Tomie Ohtake. Com a exposição de 1959, o Grupo Guanabara foi extinto, cada um seguindo seu próprio caminho. E Arcângelo Ianelli, já com nome firmado na praça, iniciou seu vôo solitário, caminhando por entre as nuvens, enfrentando tempestades e vencendo desafios.

Até 1960 a pintura de Ianelli foi abertamente figurativa e, embora apresentasse avanços significativos na técnica, não logrou experimentar estilos mais em voga na arte e que eram praticados mesmo por aqueles artistas incluídos em sua roda de amigos. Na década de sessenta, vagarosamente, mas com firmeza e direção, sua arte começou a evoluir. As figuras, ainda visíveis, começavam a perder sua forma e, aos poucos, as linhas e formas geométricas passaram a dominar por completo os quadros que pintava.

Ele próprio declarou em entrevista: «O quadro deve falar apenas por si, sem necessidade de dissertações. Deve transmitir algo às pessoas sensíveis, somente pelo conteúdo pictórico. Nunca com a finalidade de “contar uma história, revelar estados psíquicos”, etc. Devemos deixar esse problema aos literatos, que se expressam muito melhor em seus livros. Um pintor deve ter em mente realizar, antes de mais nada, pintura».

A gestão cultural em São Paulo deixa a desejar

Não pretendo “dar nota” à obra. Não domino muito a “gestão” da arte e tampouco dos critérios que regem a doação-aceitação de obras pelos museus. A verdadeira questão é que, em São Paulo, poucos dominam, porque tal gestão é hermética, exclusivista e, até, sectária. Este último episódio me pareceu uma grosseria e merecia explicação pública mais cabal. Até onde entendo, Arcângelo é referência nacional e internacional, sua obra “nos pertence” e o melhor lugar para registro dela para a posteridade, será mesmo o MAM. Deixa transparecer a tentativa de “dar nota” ao artista e às obras doadas, para “justificar” a não aceitação. Rubens Ianelli, filho do artista, meu colega médico e dileto amigo a quem conheço há décadas, aliás também artista plástico que admiro (e já resenhei no blog), diz: “A gente entende que um museu deve saber o que é relevante. Parece que o MAM ficou sem memória e esquece um artista importante, que teve seu momento na arte brasileira. Existe uma memória seletiva e um ponto de vista pessoal. Não é uma visão mais abrangente, mais aberta, sem tendências. É preciso ter essa história”.

O caso que li nos jornais sobre Arcângelo me parece mais uma dessas infelicidades da gestão cultural de SP. A celeuma em torno do assunto reforça minha abordagem muito crítica da gestão da cultura em SP. Vão se completar vinte anos de governos que têm deixado legado elitista e eivado de pequenas disputas e pouca substância. Particularmente, pouco poder seminal para um ação cultural que de fato possa ser disseminada em ampla escala. Em apenas oito anos, Gilberto Gil e o governo Lula revolucionaram a gestão nacional em cultura, democratizando-a e pondo-a em vibração com o tempo. Em SP, o contrário, mas em vinte anos.

No caso do Andrea Matarazzo, atual secretário de cultura do Estado, ele se envolve em muitas polêmicas falsas, mal colocadas ou desnecessárias. Esta foi mais uma.

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Leci prega a liberdade nos seus 67 anos de vida completos hoje

Posted by waltersorrentino on 12th setembro 2011

Parabéns a você! Nessa data querida! Muitas felicidades! Muitos anos de vida!

Leci  passeou por vários gêneros, mas com o trabalho focado nas questões sociais. Com 67 anos, completos hoje, faz da arte um instrumento em defesa das pessoas. No início da década de 1970, ela já era a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores da Mangueira:

Uma das músicas resgatadas nesse CD que acaba de sair, foi Zé do Caroço. “Na época em que eu escrevi, a música não foi aprovada pela gravadora. Depois estourou, e hoje não posso fazer nenhum show sem cantá-la. É uma história real. O Zé do Caroço existiu, mas já morreu.”

Deixa, Deixa fala de um tema atual:  “Naquele tempo já havia violência. A letra fala: Deixa ele beber, deixa ele fumar, deixa ele jogar. É melhor do que sacar de uma arma para nos matar” (ouça abaixo).

Para os mais jovens ou até mesmo aos mais desavisados, que conhecem Leci Brandão apenas por sua atuação como comentarista durante anos em transmissões dos desfiles de carnaval, há agora a oportunidade de descobrir o porquê de ela ser considerada uma das maiores compositoras e intérpretes de samba do País.

Em mais um exemplo de como resgatar e preservar o patrimônio cultural nacional, a Universal Music acertou em cheio ao relançar os discos de Leci – feitos na época de contrato com a Phonogram/Polydor – agora em um único CD.

Das dezoito faixas, com registros que vão de 1976 a 1981, há espaço também para arranjos mais pop, como em Vinte e Duas Horas (referência ao tempo de duração de uma viagem de Leci ao Japão).

Composições como Questão de Gosto (samba-jazz de primeiríssima), Ombro Amigo, Chantagem, Assumindo e Ferro Frio relembram a veia de Leci como autora que sempre pregou todo e qualquer tipo de liberdade, seja de expressão, política ou sexual.

O PCdoB tem a honra de te-la como Deputada Estadual em suas fileiras partidárias. E deixo a ela o meu forte abraço pelos seus 67 anos de vida!

o canto livre de leci brandaoO CD:

O Canto Livre de Leci Brandão

01 Questão de gosto (Leci Brandão – 1976)
02 Deixa pra lá (Leci Brandão – 1976)
03 Ombro Amigo (Leci Brandão – 1977)
04 Chantagem (Leci Brandão – 1980)
05 Deixa,deixa (Leci Brnadão – gravaç.original, inédita sobra de estúdio)
06 Assumindo (Leci Brandão – gravaç.original, inédita sobra de estúdio)
07 Marias (Leci Brandão – 1977)
08 Ensopadinho (Leci Brandão – 1978)
09 Não cala o cantor (Leci Brandão – 1980)
10 Vamos ao teatro (Leci Brandão – 1977)
11 Sem Vingança (Leci Brandão – 1980)
12 Essa tal criatura (Leci Brandão – 1980)
13 Dança doce (Leci Brandão – 1981)
14 Troca (Leci Brandão / João Nepomuceno – 1978)
15 Dobrando as cobertas (Leci Brandão / Ivor Lancelotti – 1980)
16 Ferro Frio (Leci Brandão – 1978)
17 Vinte e duas horas (Leci Brandão – 1981)
18 Zé do Caroço (Leci Brandão – gravação original, inédita sobra de estudio)

O Canto Livre de Leci Brandão, Leci Brandão (Universal), tem 18  faixas, custa R$ 19,90 e se encontra nas lojas.

Site da Leci:  http://www.lecibrandao.com.br/

Deixa Deixa

Leia também aqui no Blog: Leci Brandão uma dama do Brasil

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Preludio para o ano 3001 – Con un fiore rosso all’occhiello…

Posted by waltersorrentino on 13th agosto 2011

Tu verás que vou renascer no ano 3001
Com pessoas que não mais estarão mas que então haverá
Abençoaremos a terra, a nossa terra… e te juro
Que juntos, de novo, este país se fundará.

Astor Piazzolla, imortal, compôs Preludio para el año 3001 (Rinascerò), com Horacio Ferrer e Angela Dania Tarenzi. Tratava-se de Buenos Aires. Mas me encontrei com a magistral gravação ao vivo dessa música no show em Tókio, 1988, na interpretação divina de Milva, italiana. A letra arrebatadora vai transcrita, em homenagem à bela e imorredoura Itália, hoje sob o tacão do atraso e da regressão (o que será em vão, antes de 3001).

Alguns de seus versos são de inequívoco sentido:

Renascerei da fruta de um mercado local
e da desleixada atmosfera de um romântico café
e das ruínas de um pequeno lugarejo abalado
e da raiva das pessoas do Sul, renascerei.
Com uma flor vermelha na botoeira
Para terminar o poema que deixei pela metade,
Minha bela cidade estará numa festa de cores
País meu… século 30… tu verás…

Tu verás que vou renascer no ano 3001

Com pessoas que não mais estarão mas que então haverá
Abençoaremos a terra, a nossa terra… e te juro
Que este país de novo e juntos se fundará.

Rinascerò! Rinascerò! Rinascerò!

PRELUDIO PARA EL AÑO 3001 (RINASCERÒ)

Io nascerò um altra volta in una sera de giugno
Con questa voglia di amare e di vivere più che mai…
Rinascerò – è destino – nell’anno 3001;
sarà una festa di colori la mia bela città.

I cani randagi abbaieranno alla mia ombra…
Col mio modesto bagaglio giungerò dall’Al di la
e inginocchiato sulla riva del mare trasparente,
um cuore nuovo di sale e fango mi plasmerò.

Verranno um vagabondo, um pagliaccio e um mago,
Miei immortali compagni, dirano “Forza… su…!
Così… cosi. Coraggio, fratello… nasci che è duro,
Ma difficile Il lavoro di morire e di rinascire poi.”

Rinascerò! Rinascerò! Rinascerò!
E una gran você extraterrestre, mi dara
La forza grande e pura che mi servirà…
Ritornerò… ricrederò… e lotterò!

E um fiore rosso all’occhiello porterò
E se nessuno è mai rinato: lo potro!
Paese mio… secolo trenta… tu vedrai…
Rinascerò! Rinascerò! Rinascerò!

Rinascerò dalle cose che ho amato molto, tanto…
Quando Le ombre della casa diranno piano: “È qui!”
lo bacerò il ricordo dei tuei occhi taciturni,
per terminare Il poema che tralasciai a metà.

Rinascerò dalla frutta di um mercato rionale
e dalla sciatta atmosfera di um romântico caffè,
e dalle rovine di um piccolo paese terremotato
e della rabbia della gente del Sud, rinascerò.

Tu vedrai che rinasco nell’anno 3001
con gente che non c’è stata ma che allora ci sara
Benediremo la terra, terra nostra… e te lo giuro
che questo paese di nuovo e insieme si fonderà.

Rinascerò! Rinascerò! Rinascerò!
E una gran você extraterrestre, mi dara
la forza grande e pura che mi servirà…
Ritornerò… ricrederò… e lotterò!

E un fiore rosso all’occhiello porterò
E se nessuno è mai rinato: lo potro!
Paese mio… secolo trenta… tu vedrai…
Rinascerò! Rinascerò! Rinascerò!

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