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    O blog Projetos para o Brasil visa ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.

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Archive for the 'Conversa.com' Category

Escola e educação, lado a lado: A receita de um campeão

Posted by waltersorrentino on 27th setembro 2011

Jose_Joao_da_Silva_S.Silvestre_1980

O jejum brasileiro foi quebrado apenas em 1980, com José João da Silva. Ele era atleta do São Paulo. José João voltaria a vencer a prova em 1985

Quero que vocês conheçam um amigo, desses de verdade, um brasileiro que nos orgulhou a todos: é José João, bicampeão da São Silvestre nos anos 1980 e 1985, respectivamente. Foi o terceiro colocado em 1981 e 1982 e vice-campeão em 1984. O Zé deixou de ser campeão em 1983 porque sofreu uma fratura no braço poucos dias antes da prova. Em sua carreira, colecionou um enorme cartel de vitórias e grandes apresentações como fundista, sempre representando o São Paulo F.C. e o Brasil com dignidade e muita humildade, características necessárias para qualquer atleta. Simplicidade, talento, perseverança, o humilde orgulho de ser um brasileiro. Precisa mais?

Eu admiro muito, muito mesmo, o trabalho, a trajetória, a simplicidade de vida, o empenho em favor do esporte e do povo brasileiro de José João. Hoje ele é empresário do esporte, conhece de vivência os duros obstáculos a superar para fazer das corridas de rua o que realmente são: o esporte mais democrático, solidário e barato para as massas de todas as camadas da população.

A JJS Eventos lançou há dez anos a Corrida da Independência, no dia 7 de setembro, no Museu do Ipiranga em São Paulo. Lá fiz minha primeira corrida dos 10 km, cheio de orgulho. Depois fui à São Silvestre. Este ano voltei ao Museu, depois de muito tempo. José João foi meu maior incentivador nessas jornadas. Este ano, foi um evento altamente patriótico, e milhares acorreram. E ele diz, com a simplicidade direta que o marca, o quanto falta avançar em financiar esporte desde a infância até a juventude: as escolas e  incentivos. Escola e Educação, lado a lado.

Enfim, JJ é meu entrevistado neste conversa.com no Blog Projetos para o Brasil.

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Amelia Imperio Hamburger, uma intelectual e cientista íntegra

Posted by waltersorrentino on 24th setembro 2011

AmeliaHamburger01O vereador Jamil Murad e seu partido, PCdoB, prestam justa homenagem à Professora Amélia Hamburger. O Diploma de Gratidão da Câmara Municipal de São Paulo é mais que merecido, “in memorian”, àquela que formou gerações de pesquisadores e defendeu com vigor a educação e a democracia.

Conversei com Olival Freire Jr, físico, professor da UFBa, hoje na Secretaria do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, membro do Comitê Central de nosso partido. Admirador que sou dele e de seu trabalho, com quem comparti bons anos de aprendizado em São Paulo, sabia que ele havia sido orientando de mestrado da Amélia, e depois, no doutorado, orientando de Michel Paty, convidado exatamente por Amélia. A área era história e epistemologia da ciência. Então, Olival nos concedeu estas reflexões.

Olival, fale de Amélia

“Eu tive o privilégio de ter tido Amélia Hamburger como minha orientadora de mestrado em tema de história e epistemologia da ciência. A minha motivação para trabalhar com Amélia decorreu do nosso interesse comum no pensamento e ação de alguns físicos marxistas, entre os quais o francês Paul Langevin e o norte-americano David Bohm. Trabalhei muito próximo de Amélia por cerca de cinco anos, três no mestrado e os dois iniciais de meu doutoramento. Aprendi muito com Amélia quanto ao rigor com que se deve pesquisar em história e epistemologia da ciência, mas o que mais aprendi com ela foi o papel dos valores que devem estar presentes no trabalho acadêmico, os quais tenho buscado incorporar na minha própria atividade profissional. Em particular, fui muito influenciado pelo encorajamento que ela levava aos seus estudantes; pela sua busca da circulação internacional da nossa pesquisa, absorvendo contribuições estrangeiras mas sempre valorizando a nosso própria produção; pelo relacionamento profissional que ela estabelecia com seus estudantes, sem subordinar este relacionamento a identidades políticas ou ideológicas com seus estudantes, ela dizia que havia aprendido isto com Mário Schenberg com quem conviveu de perto, tendo sido mais tarde a editora de suas obras científicas completas.”

Ela pode ser considerada uma cientista de mão cheia, no sentido de formar gerações de pesquisadores, difusora de cultura científica e, de certo modo, “caçadora” de talentos… Bons tempos para a universidade!

“Amélia foi uma difusora da cultura pelo seu envolvimento com iniciativas que visavam a circulação mais ampla da ciência e da cultura. Dentre estas atividades, destaco duas que conheci mais de perto. No início dos anos 1980 ela foi a responsável pela vinda ao Brasil, como Professor Visitante, do físico e filósofo francês Michel Paty. Michel já conhecia o Brasil porque tinha estado na Universidade de Brasília, tendo dela saído na crise gerada pelo regime militar em 1965. Nos quase 20 anos sem retornar ao Brasil ele havia se convertido de físico em filósofo e Amélia trouxe-o de volta ao Brasil nesta dupla condição. Desde então ele estabeleceu uma relação duradoura e consistente com os meios intelectuais brasileiros, relação que perdura até os dias atuais. Eu tive também o privilégio de ter sido orientado, no meu doutoramento, por Michel Paty. Desse modo, posso dizer minha trajetória acadêmica foi fortemente formatada pela influência direta e indireta de Amélia Hamburger. No final dos anos 1980 ela foi dos primeiros brasileiros a participar de um movimento internacional visando a aproximação entre a história e filosofia da ciência, de um lado, e a educação em ciências, de outro. Este movimento, sob a liderança do australiano Michael Matthews ganhou grande impulso no mundo inteiro e no Brasil em particular. A criação do Programa em Ensino, Filosofia e História das Ciências na Bahia, por exemplo, foi influenciado por este movimento. Amélia contribuiu também decisivamente para a preservação do legado cultural do teatrólogo Flávio Império, seu irmão.”

Jamil Murad e a Câmara de Vereadores convidaram você, Alfredo Bosi, Fernando Henrique Cardoso entre outros, para a sessão solene desta segunda feira, 26, 19 horas. Como você vê então o significado da homenagem pela Câmara, nos múltiplos papeis que teve Amélia?

“Trata-se de homenagem póstuma, concessão da Medalha Anchieta e Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo e é plena de significados. Amélia, além de uma vida inteiramente dedicada à ciência e à cultura, nunca deixou de adotar posicionamentos políticos claros e incisivos. Depois de uma carreira de pesquisadora em Física ela passou a se dedicar a pesquisas em educação, história e epistemologia da ciência, e psicologia da aprendizagem. Neste trajeto, além de uma obra intelectual própria expressa em livros e artigos, ela contribuiu diretamente para a formação pós-graduada de mais de uma dezena de estudantes e contribuiu indiretamente na formação de outros tantos. Foi uma das fundadoras da Sociedade Brasileira de Física, atuou na direção da SBPC e da ADUSP e na Sociedade Brasileira de História da Ciência. Com seu marido, Ernesto, também professor do Instituto de Física da USP, foram vítimas das perseguições políticas durante o regime militar, tendo sido presos no início dos anos 1970. O protesto de cientistas estrangeiros junto ao governo brasileiro certamente influenciou a liberação dos mesmos. Ao homenagear Amélia Hamburger a Câmara Municipal de São Paulo reconhece o papel extremamente positivo desempenhado por um de seus cidadãos no terreno da cultura, da ciência, da educação e da política.”

Olival Freire

Olival Freire

Obrigado, Olival, até segunda feira!

Parabéns, Jamil Murad, pelo exemplo e pela iniciativa!

Câmara Municipal de São Paulo,

Viaduto Jacareí 100, 8o andar

segunda-feira dia  26/9/11 às  19 horas


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Cinema e música: paixões de Alê

Posted by waltersorrentino on 10th agosto 2011

DSC_0135Conversa.com: as mais demoradas são muito boas!

Alê, a cineasta Alessandra Stropp, foi convidada há tempos para conversar com a gente, aqui no Blog. Como vocês sabem, esta seção insiste em mostrar gente interessante na sociedade, que se ligou à perspectiva avançada de transformação das relações sociais. A cultura é uma dessas frentes fundamentais que sempre busco estimular. A juventude e as mulheres, são outras. Alê reúne as três. Vocês vão gostar de conhecê-la. E ainda por cima tem por irmã a Vanessa Stropp que todos aqui do blog conhecem pelas fotos que ela sempre manda.

Boa leitura. Mas comece pelo fim: “pra terminar, não disse, mas o que gosto mesmo é de música….Para o seu deleite, Salve Salve Adoniran!

“Pogressio, pogressio.
Eu sempre iscuitei falar, que o pogressio vem do trabaio.
Então amanhã cedo, nóis vai trabalhar.”
Um belo título para esta matéria!

http://letras.terra.com.br/adoniran-barbosa/188491/

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Mirelly: as dúvidas são muitas, mas tenho grandes certezas, e estas me movem

Posted by waltersorrentino on 8th agosto 2011

Mirelly Camara

Mirelly Camara

Mirelly Francesca Sarmento Câmara. 27 anos, advogada, pós-graduanda em Direito Constitucional. Fui catequista na paróquia de Santa Luzia, em Maceió; coordenadora geral do Centro Acadêmico Guedes de Miranda (Direito UFAL); coordenadora financeira do DCE UFAL e Presidente estadual da UJS/AL. Hoje, presidente do PCdoB Maceió e Direção Nacional da UJS.

Mirelly, obrigado por esta conversa.com. Você é blogueira, o baiãodedois é legal e criativo. Como ele nasceu? Você gosta de escrever?

É bom participar dessa conversa, eu que agradeço o convite! Bem, o Baião é um Blog conjunto meu e de Ossi Ferreira, pensado com muito carinho e executado no imprensado do dia-a-dia. Criamos esse espaço com objetivos pessoais, como um canal de diálogo, já que moramos um tanto distante, mas também atentos à necessidade de colaborar na luta de idéias. Posso ser bem precisa quanto ao surgimento do projeto: foi durante o Encontro Sobre Questões de Partido, em SP. Lembro que falei na minha intervenção justamente da importância de os militantes colaborarem na compreensão da realidade brasileira através da elaboração e compartilhamento de opiniões. Partimos então para a prática e, juntos, um ajuda o outro e fica mais fácil. Porém não é um Blog monotemático: falamos de política, música, impressões do cotidiano, coisas de meninas e de meninos, de tudo um pouquinho. http:blogbaiaodedois.blogspot.com

Bem, mas quem é você? Uma jovem que já tem uma trajetória rica de atuação política na UJS. Como isso começou?

Sou filha de uma família de classe média. Estudei em escola particular, e aos 18 ingressei na Universidade Pública. Acredito que muito do que somos é formado pelas pessoas que temos à volta, então, o que sou hoje são também meus amigos e minha família. Meus pais são minha principal fonte de formação. Tenho um irmão, mais velho, de quem levei alguns cascudos, mas que também me protegeu sempre. Mainha às vezes nos levava para a universidade, quando tinha que assistir aulas e não tinha com quem nos deixar. Ela formou-se em Educação Física na UFAL e era também militante do Movimento Estudantil. Foi do DCE na Gestão Revertério. Acho que tudo começou aí. Ela e meu pai filiaram-se ao PCdoB e de certa forma havia já esse canal aberto quando ingressei na Universidade. Porém não havia uma influência direta e eu me sentia muito à vontade para circular entre os vários grupos e ideologias da Universidade. No 49º Congresso da UNE fui eleita delegada pelo curso, isso eu já estava no 4º ano da faculdade. Foi então quando me filiei à UJS e um ano após, ao PCdoB.

Você terminou os estudos? Gosta de ler, estudar?

Estou formada em Direito, já com a minha OAB, graças a Deus. No primeiro semestre de 2012 concluo minha pós em Direito Constitucional e vou tentar o Mestrado. Não sei quando, mas vou (risos). Não tenho muita pressa, vou devagar vencendo cada etapa e até agora essa estratégia tem dado certo. É o meu jeito: uma coisa de cada vez!

E quais são teus maiores outros gostos? Literatura, música, balada… Qual tua cara, Mirelly?

Gosto de trocar idéias com os amigos, vagar pela net, ver TV, namorar. Não sou muito baladeira, prefiro um programa mais light. Me atrai o contato com novas tendências da música, literatura e programas culturais. Mas não sou uma “bossal culturalesca”, de jeito nenhum! Passeio com tranquilidade entre conteúdos mais variados de jornais, livros e revistas; ouço forró, pagode, rock, reggae, bossa nova, samba; gosto de tudo um pouco. Fico profundamente irritada com rótulos e preconceitos que alguns insistem em impor a determinados conteúdos e ritmos. Pra mim, se é pra ser feliz, tá valendo! Minhas últimas aventuras: Livro, A Mulher de Trinta Anos (Balzac); Filme, Grande Demais para Quebrar; Música, baixei o DVD da Paula Fernandes!

Como e quando foi isso de PCdoB?

Minha militância iniciou-se na Universidade, o que lamento profundamente: gostaria de ter tido a chance de militar no ME Secundarista, tão de luta. No movimento estudantil de Direito tive minhas primeiras experiências e transitei por diversas correntes de pensamento. Cheguei a duvidar da importância de um partido político, influenciada por idéias do multiculturalismo ao anarquismo e teorias pseudo-revolucionárias. Foi, por incrível que pareça, no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, em 2005, que caiu a minha ficha. Lá eram majoritárias as correntes da contra-organização, pelo movimento espontâneo, mas soaram mais conseqüentes aos meus ouvidos as sábias palavras de Boaventura de Souza Santos e José Saramago, alertando para a necessidade fortalecermos a democracia e os movimentos de chegada do povo ao Poder. Enquanto crescia minha admiração pelo Presidente Lula, em quem tinha votado, me encantou ver um presidente a discursar na defesa apaixonada do socialismo: Hugo Chavez. Não tive mais como deixar de enxergar o que tinha ficado óbvio: para chegarmos ao socialismo o povo precisa chegar ao poder. Para isso, é necessário um Partido de vanguarda, marxista-leninista, que compreenda com acuidade a realidade e aponte para o povo, caminhando junto com ele, o caminho para chegar lá. Daí para enxergar no PCdoB esse partido, foi um pulo. Ingressar no PCdoB foi uma decisão amadurecida, bem pensada e que mudou a minha vida. Na época, tanto eu quanto o partido aqui em Alagoas passávamos por momentos de definição e acredito que os rumos agora estão bem determinados. Tenho muito carinho e gratidão por esse partido, que foi e continua sendo essencial na minha formação política, profissional e de cidadã.

Você tão jovem já preside o partido em Maceió. Além da experiência política acumulada na juventude, quais características suas que você pensa fazê-la merecedora de tanta confiança do partido?

Acho que fui conquistando a confiança do partido na medida em que fui também confiando nele. Quando a gente acredita em uma causa nos entregamos a ela e, quando essa causa é justa, recebemos os méritos dessa entrega. Talvez minha experiência como catequista (de 2000 a 2005) tenha desenvolvido em mim uma capacidade de lidar com conflitos e diferenças desde cedo. A gente ensinava às crianças, mas muitas vezes tínhamos que lidar com problemas familiares, da comunidade, pessoais, enfim, ter habilidade para conjugar tudo isso.

Acho que é preciso paciência para perceber os frutos da nossa ação. Compreender que os resultados serão aqueles que a vida quer e que muitas vezes não corresponderão às nossas expectativas. Não cheguei ao Partido para saciar anseios pessoais, para “me resolver” ou “me encontrar”, mas para construir uma nova realidade para meu País. Ao contrário, essa luta muitas vezes requer que deixemos de lado projetos e planos, que percamos um pouco de nossa paz interior, nossa saúde, e tudo mais que o mundo aponta como necessário para sermos felizes. E, que contradição, é assim mesmo que sou feliz! Ser presidente do comitê da nossa Capital tem sido um desafio grande para mim, porém o partido pode ousar em confiar essa tarefa a uma jovem militante também porque nossa política é coletiva e conto com a parceria e experiência dos demais camaradas que me acompanham nessa peleja.

Como quadro de partido, jovem e mulher: o que mais faz falta em tua formação e na atitude do partido para tua formação?

Como militância pra mim não é passatempo, mas projeto de vida, tenho que conciliar o ritmo de tudo e isso às vezes exige mais dedicação a uma ou outra coisa em determinados períodos da vida. Porém nada que cause grandes transtornos à minha formação, que acredito ser, acima de tudo, responsabilidade própria minha. Não vejo que minha condição de mulher ou de jovem tenha dificultado minha trajetória em ponto algum. Se houve dificuldades nesse sentido, não percebi. Sinto que o Partido tem crescido muito e por vezes, infelizmente, não temos pernas para acompanhar esse crescimento. Vi alguns companheiros se perderem na batalha, pela vida, por questões pessoais ou políticas e me entristece que não tenhamos tido condições de trabalhar mais próximo a eles e talvez evitado o afastamento. Por isso mesmo vejo com grande entusiasmo essa nova política de acompanhamento de quadros do PCdoB.

Juventude brasileira – qual a cara dela, os anseios dela, segundo tua vivência?

Isso de decifrar a juventude é bem complicado. Sempre é complicado generalizar. Acredito que hoje há uma busca maior por auto descoberta. A internet ampliou o mundo de tal forma que já não sabemos o que é real e o que é “fake”. A cultura massificada acaba por massificar também grande parte dos nossos sonhos. Por outro lado, há a oportunidade para a criatividade, e a opinião e personalidade de cada um se globaliza na blogsfera.

Vemos por todo o mundo os jovens rebelando-se, em busca de melhores condições, mais oportunidades. A juventude não é alienada e passiva, como a mídia tenta passar. Acontece que é muito difícil desvendar a cortina de fumaça que lançam à nossa frente e passar a enxergar os verdadeiros fios e cabos que movem toda a estrutura.

Hoje no Brasil novas perspectivas foram abertas. Mais possibilidades de formação, de ingressar na Universidade, de fazer um projeto dar certo. Vejo um certo otimismo no ar, apesar das dificuldades externas e dos grandes dilemas internos.

Mas as dificuldades para a juventude são grandes, pois não?

É, são grandes mesmo! O “mundo moderno” exige muito do jovem, que se decida, que produza, que se forme, profissionalmente e pessoalmente, cada vez mais cedo. Felizmente não caí nessa pilha: quero ser competente e feliz, naquilo que eu escolhi ser. E como e quando vou escolher… eu que decido! Também vejo como uma ilusão essa de “escolha definitiva”. A vida está aí pra ser vivida e o mundo é complexo demais para ser reduzido a escolhas feitas na juventude. Acho que esse é um grande dilema hoje para os jovens, que são cobrados para encontrar soluções para os problemas do mundo, porém apenas lhes são apresentadas ferramentas para solucionar questões individuais, em âmbito familiar ou corporativo. Ainda faltam perspectivas e oportunidades, exige-se compromisso com uma sociedade que não os acolhe e apego a causas que lhes foram impostas. Conseguir vencer tudo isso e passar a integrar um projeto coletivo, com responsabilidades compartilhadas, para além da competição, requer esforço pessoal, mas também um tanto de sorte, tanta é a pressão e o controle ideológico contra tal.

E você? Onde você pensa estar ou alcançar em dez anos?

Olha, em meu coração tenho Maceió como a melhor e mais bonita cidade do Brasil. Com muitos problemas, sim, mas não a trocaria por nenhuma outra. Apesar disso, porém, apenas duas coisas me fazem ainda estar aqui: a militância no PCdoB de Alagoas e meus pais. Meu coração está dividido irremediavelmente entre Alagoas e Pernambuco e creio que isso nunca mais se resolverá! Eu e Ossi temos conversado e em breve chegaremos a uma definição quanto a isso. Ele mora em Olinda, tem uma vida lá e para mim seria mais fácil sair do meu lugar para acompanhá-lo. Chega uma hora em que a gente quer o nosso cantinho e isso fica mais forte que o aconchego da casa dos pais. Por outro lado, sei que ainda tenho muito trabalho a fazer por aqui, são muitas demandas, muitas expectativas. Alagoas merece crescer, se desenvolver e sinto que o melhor que posso fazer pela minha terra é contribuir para o avanço na sua política. Vejo isso como um dever ao qual não posso me furtar.

Ainda não decidi se quero ser mãe, gostaria de já ter claro isso: SIM ou NÃO! Mas a dúvida persiste e acho que quem vai acabar decidindo por mim será a natureza mesmo. Profissionalmente, pretendo avançar nos estudos e, quem sabe, dar aulas, ser professora. Sim, é uma coisa que gostaria de fazer.

Então, tudo isso eu falei para dizer que: não sei como será daqui a um ano, quem dirá daqui a dez! Sei que quero continuar militando no PCdoB, crescendo profissionalmente, colaborando na luta de idéias, e permanecendo ao lado das pessoas que amo. As dúvidas são muitas, mas tenho também grandes certezas, e são essas que me movem.

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Claudia Petuba: “Latinamente ser, livremente estar, brasileiramente amar”

Posted by waltersorrentino on 1st agosto 2011

Conheci Cláudia Petuba pessoalmente, afinal. Foi em Alagoas, recentemente. Mas seu nome me assombrava há tempos: ela tinha tudo para estar aqui no blog com vocês. Pessoa cativante, jovem, inteligente, bela e de enorme consciência. Um patrimônio para o PCdoB, Alagoas e Brasil. Alguém que precisa estar na tela do radar do futuro do PCdoB.

O que me impressionou, inicialmente, foi o quanto ela já venceu etapas: bacharel em Direito FAA e estudante de Administração EAD UFAL. Militante do movimento estudantil. Coordenadora Geral do DCE UFAL e Diretora da UNE em AL. Membro da Direção Estadual da União da Juventude Socialista – UJS e do Comitê Estadual do PCdoB. Quer dizer, aos 22 anos (podia ser dito?), já está cursando uma pós-graduação latu sensus em Direito Público, em breve tentará entrar num mestrado strictu sensus) e ainda foi candidata do PCdoB a deputada federal.

Quer dizer, alguém excepcional na capacidade de sintonizar os problemas da juventude e da sociedade para transformá-los em correntes de ação transformadora.

Acompanhem esta conversa.com Cláudia Petuba. Você conhecerá melhor ainda a ela no blog que ela mantém: claudiapetuba.blogspot.com

Cláudia 4

Quem é você, Cláudia Petuba? Quer dizer, como você chegou a ser quem é…

Sou uma jovem alagoana, com muitos anseios e desejos, amo o meu país, meu estado, vejo a vida com simplicidade, encontrei-me na política, sou amante e defensora da liberdade, não me conformo com injustiças. Gosto de ler, estar na companhia dos amigos, ver e jogar futebol – no ataque, fazendo gols de preferência. A letra da música “Canto do chão”, composta por artistas alagoanos na década de 80 traduz bem a essência da minha vida: “Latinamente ser, livremente estar, brasileiramente amar”. Os fatos que aconteceram na vida, nada de extraordinário, naturalmente me fizeram ser o que sou, uma pessoa simples e descomplicada.

A família e seu entorno tiveram que papel nessa trajetória? Como é tua família? O sobrenome é de Alagoas mesmo?

Minha família é enorme, unida e divertida. Toda ela, assim como eu, é de Arapiraca, a segunda maior cidade do estado, localizada no agreste, a muitas gerações vive na mesma região. Logo, imagino que os sobrenomes estranhos (Claudia Aniceto Caetano Petuba) tenham se originado por aqui mesmo, minha pesquisa para tentar descobrir sua origem foi mal sucedida. Sempre escutei muitas piadas por causa deles (os sobrenomes), em especial na infância, mas sempre achei muito legal ter um sobrenome diferente. Depois que o “Petuba” ficou mais em evidência, sempre perguntam se é por que eu perturbo muito, antes que alguém por aqui também pergunte, digo logo que não (hehehe)! Minha família me inspira muito, meus avós maternos foram criados e formaram sua família na zona rural, tirando o sustento da terra, minha mãe e meus tios foram criados na roça, batalharam muito para concluir os estudos, a maioria deles só o conseguiram depois do casamento, a parte paterna também, mas enfrentou tudo na zona urbana. Mas hoje, orgulhosamente, tenho tios professores, motoristas, médico, uma mãe pedagoga e um pai bancário, que incentivam muito os estudos das novas gerações. Toda ela floresceu sob dois princípios que hoje também me norteiam: solidariedade e honestidade. Falei muito, mas você foi perguntar logo da família, não poderia falar pouco! Hehehe…

Você sempre se destacou nos estudos?

Eu sempre fui uma aluna esforçada, sempre gostei de me dedicar aos estudos, no entanto nunca fui a “CDF” (apelido dado para o mais estudioso da turma – Crânio De Ferro) – a mais aplicada da turma -, mas sempre fui muito curiosa para ler e conhecer coisas para além da escola, sobre o Brasil e o mundo. Como falei anteriormente, minha família sempre incentivou os estudos e cobrava boas notas (como meu pai era constantemente transferido no emprego, estudei em várias escolas diferentes e em todas elas minha mãe era, em disparada, a que mais freqüentava a escola, procurando saber como iam os estudos meu e dos meus irmãos e para dar palpite sobre a escola) não com rigidez e sim com um bom diálogo. Meus irmãos e eu nunca tivemos problema em casa por tirar notas abaixo da média, meus pais procuravam saber o que acontecia e procuravam ajudar. Enquanto muitos amigos que também tiveram oportunidade de chegar ao ensino superior pensavam se iriam continuar os estudos ou não e optaram por parar, sair da escola e ir direto para o ensino superior sempre foi colocada pela minha família como a ordem natural das coisas. Assim, em dezembro de 2005 conclui o ensino médio e em fevereiro de 2006 iniciava o curso de direito numa faculdade particular e seis meses depois começava o de administração numa universidade pública.

Como você fez as opções profissionais? Não tem sido tão comum militância política ao lado de rigor na formação profissional… Acho isso um enorme patrimônio para a vida.

Passei a minha infância pensando que seria arquiteta, a adolescência jurando que iria ser jornalista, mas na última semana de inscrição do vestibular uma professora fez uma dinâmica/brincadeira na sala de aula para indicar nossas afinidades profissionais e resultou que eu faria direito: no primeiro dia não gostei, pensei que a professora tinha feito uma brincadeira sem graça; no segundo a dúvida começou a surgir, no terceiro eu fui falar com o meu pai “será?”, acabou que foi! Não poderia ter sido outra a primeira escolha, não sei como nunca havia pensado nisso, sou apaixonada por direito. Secundariamente crescia a vontade de também estudar administração, que acabei efetivando poucos meses depois de iniciar o primeiro curso. Comecei a militar no movimento estudantil logo no início do curso e a cada semestre me envolvia mais, no começo ficava meio atrapalhada, mas rapidamente, com um pouco de disciplina a conciliação entre os estudos e a militância vieram com tranqüilidade. Como o militante muitas vezes precisa dormir mais tarde e acordar mais cedo por causa de atividade e tarefas para cumprir, às vezes é necessário fazer o mesmo para cumprir a rotina de estudos. No período das eleições de 2010 pensei em trancar a faculdade, estava no décimo e último período de direito, mas eu pensei: militei até agora e estudei, vou continuar conseguindo. Ausentei-me da sala de aula até o dia da eleição, depois voltei com tudo, dedicação total de outubro a dezembro; descansando pouco consegui estudar, fazer todas as provas e o TCC/Monografia, deu tudo certo! Entreguei o TCC no prazo certo e colei grau junto a minha turma. Sem dúvida alguma, a militância contribuiu e continua contribuindo muito para a minha formação. A maioria das Instituições de Ensino Superior do país têm uma visão exclusivamente academicista, querem apenas formar um profissional – e ainda assim muitas vezes deixam a desejar – focando apenas na concorrência no mercado de trabalho, sem considerar que o estudante está inserido num contexto social que também deve ser atentado. Tive a oportunidade de estudar no ensino público e privado, as diferenças são gritantes em vários aspectos. É urgente a necessidade da regulamentação do ensino privado e expansão da rede pública, ambos precisam de efetividade em aspectos qualitativos.

Consciência política mesmo veio como? Como você chegou à UJS e ao PCdoB? Teve apoios e influências?

Não sei bem como veio, desde que me entendo por gente eu gosto de ler e ver jornal, saber o que acontecia no resto do Brasil e do mundo, assistir aos guias eleitorais, falar sobre assuntos considerados “sérios” para as crianças. Lembro que quando tinha 8 ou 9 anos estava no carro com meu pai e ele reclamava que a estrada estava cheia de buracos (que por sinal continua até hoje), na hora eu respondi que ele não se preocupasse que um dia eu iria me candidatar e resolveria o problema; não sei de onde saiu aquela idéia, na minha família ninguém nunca havia se candidatado a nenhum cargo, sequer alguém havia se filiado a algum partido, na minha rotina não escutava nada sobre política, mas aquilo me encantava. Só fui relembrar desse fato durante a campanha do ano passado, que eu não imaginava que disputaria. Sempre fui metida a ser representante de turma, quando estudava sobre história e via o papel e conquistas do movimento estudantil, lamentava não ter tido a oportunidade de participar de algo tão grandioso e importante liderado por jovens. Na faculdade, no início do curso, alguns estudantes de outra instituição passaram na minha sala numa campanha para organização de CA’s, foi empolgante escutar aquelas falas, saber o que era um CA e que o movimento estudantil ainda existia, ajudei a fundar o Centro Acadêmico do meu curso e entrar em contato com outros CA’s. Atuava de maneira independente, embora tivesse contato com alguns grupos de juventude e do movimento estudantil e juventude de alguns partidos, tinha acabado de tirar meu título de eleitor e estudava o programa de alguns partidos, queria conhecer melhor a política partidária. Mas a postura e atuação dos militantes da UJS e do PCdoB se assemelhavam mais às minhas, até que fui para o Congresso da UNE de 2007: fiquei impressionada com a grandiosidade e organização da UNE, do movimento estudantil e da UJS, pensava no porque de não ter vivenciado aquilo antes. O congresso e as propostas me fizeram enxergar o quanto a minha vida e os meus sonhos eram limitados, que eu poderia e deveria ser mais ousada, poderia fazer muito mais, não só por mim, mas pela educação e pelo Brasil, pois os desafios e as demandas eram muito grandes. Alguns meses depois me filiei a UJS e pouco depois ao PCdoB. Comecei a entender muita coisa que eu sentia e não entendia, a desigualdade social me incomodava muito, comecei a descobrir como poderia ajudar. Militando na UJS e no PCdoB a verdadeira Cláudia que estava escondida dentro de mim foi desabrochando. Meu pai sempre compreendeu e apoiou minha militância, isso me ajudou muito, e a poucos meses ele também virou um “militante de carteirinha”.

Tua campanha foi enormemente motivadora. Qual foi o segredo dela?

Foi pensada, organizada e desenvolvida com muita vontade e garra, não apenas minha, mas de toda a militância que se envolveu. A campanha foi tocada por uma galera jovem, que se deparou com a pouca ou nenhuma experiência e muitas dificuldades e soube responder a tudo muita energia, alegria e animação. Ficamos orgulhosos do que fomos capazes de fazer. Em Alagoas a batalha eleitoral é muito intensa, com muitos resquícios de coronelismo, com poucas famílias se perpetuando e dominando a política, economia e meios de comunicação. Mostrar que é possível fazer uma campanha eleitoral diferente disso, que há alternativas políticas já é motivador. As desigualdades são profundas em Alagoas, mais de 60% da população vive na pobreza ou miséria; um estado rico, mas riqueza concentrada nas mãos de poucos. Saber que a mudança desse cenário é possível com uma política acertada é ainda mais estimulante.

Juventude brasileira: um tesouro que você integra. O que você pensa ser o maior a ser superado na tua atual geração?

São muitos os desafios, ajudar a consolidar a democracia no Brasil e garantir o seu desenvolvimento são desafios que todos os brasileiros têm, mas acredito que os jovens tomam muito pra si essa responsabilidade de ajudar o Brasil a se desenvolver, distribuir renda, criar mais oportunidades. E a educação tem um enorme peso nesse processo, um ponto determinante é universalizar o acesso a rede pública de ensino básico, fundamental, médio, superior e pós-graduação, ambos precisam ser expandidos com muita qualidade, o povo precisa ser educado para poder ter uma liberdade real.

Amor ao Brasil, essa é uma marca do PCdoB, ao lado do compromisso com o povo trabalhador e o socialismo. Como você se situa neste momento com respeito a isso?

Muito me orgulha fazer parte de um partido que compartilha do mesmo amor que tenho pelo Brasil. O Brasil passa por mudanças importantes no campo político, econômico e social, vem consolidando avanços e procurando crescer ainda mais. O Partido também se desenvolve, posiciona-se muito bem neste cenário, faz corretas avaliações e renova-se com muita originalidade. Apoiar Lula desde a sua primeira candidatura e ajudar a construir o governo Dilma, que avança no desenvolvimento, são provas disso; o Projeto Nacional de Desenvolvimento trás muitos elementos para seguir nesse sentido. O crescimento do Partido é sequencial, enorme e se dá qualitativamente, ainda estamos muito longe de vivermos num país socialista, mas estamos no caminho certo. Fico feliz em fazer parte e poder ajudar a construir o projeto político do partido, que continua na defesa do trabalhador e alicerçando o socialismo no Brasil, tenho certeza que continuará por outras dezenas de anos (em breve poderemos dizer centenas de anos).

Mas pergunto: partidos políticos estão sob enorme pressão desmoralizadora. Quando você expõe tua opção política, o que é que você mais ouve na juventude? E o que você responde?

Os jovens e não jovens estranham, estranhavam ainda mais antes de ser candidata a deputada federal, o fato de ser jovem e ser filiada e atuar num partido político. As pessoas sempre ficavam curiosas para entender o porquê de estar filiada, se eu ainda acreditava que a política mudaria e se me achava capaz de contribuir com uma mudança positiva. Sempre respondi essas perguntas com muito otimismo, procurando animar essas pessoas que muitas vezes já estavam desacreditadas. No senso comum todos que se filiam a algum partido são interessados numa candidatura nas eleições institucionais, muitas pessoas têm dificuldade para compreender que existe uma militância partidária independente das eleições. Gosto de provocar as pessoas a se questionarem o porquê das tentativas em desmoralizar os partidos, o que acontece com grande influência da mídia. Nas minhas respostas procuro, sinteticamente, claro, esclarecer a luta de classes que ocorre independente da vontade de um indivíduo e que a atuação num partido político que defende questões maiores que apenas uma eleição ou outra é a saída. A classe que detêm o maior número de pessoas precisa também ocupar os espaços de poder, no momento a via eleitoral é o principal caminho a ser trilhado nesse sentido. Gosto de finalizar dizendo que acredito na política e nos partidos políticos e que elas deveriam acreditar também.

Jovem, mulher, logo mais trabalhadora. Você é prototípica do presente e futuro da maioria do povo do Brasil. Onde você imagina estar em cinco e dez anos, no plano pessoal, social-profissional e político? Vale sonhar…

Sinceramente não sei bem onde me imagino ou gostaria de estar num futuro a médio ou longo prazo, prefiro até não planejar, já tive muitas boas surpresas com o curso que minha vida vem tomando, muitas expectativas superadas. Sou muito feliz e posso dizer que aos 22 anos estou contente com o meu rendimento. Sei que num futuro próximo, quem sabe já no ano que vem (2012), espero concretizar minha enorme vontade e desejo de ser professora universitária e consolidar uma candidatura vitoriosa para a Câmara de Vereadores de Maceió. Em 10 anos gostaria de estar casada, quem sabe com filhos, dar aulas em universidades, não sei bem onde, mas espero já estar com muito serviço prestado para o meu Brasil e seu povo trabalhador.

Obrigado, Cláudia, os leitores vão amar a entrevista. Quem sabe meu blog entre na lista dos teus blogs recomendados também (rsrs)

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Rebeca Gusmão: “o impossível é uma questão de opinião”

Posted by waltersorrentino on 23rd junho 2011

Qualquer um pode ir ao Wikipédia e “conhecer” Rebeca Gusmão: “Rebeca Braga Lakiss Gusmão (Distrito Federal, 24 de Agosto de 1984) é uma nadadora e futebolista do Brasil, primeira brasileira a ganhar uma medalha de ouro em Jogos Pan-americanos, onde ganhou duas, nos 50m e 100m livres, durante a realização dos XV Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro. Medalha de bronze na prova de revezamento 4 x100m femininos nos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo, República Dominicana, em 2003, ela participou também Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.

É também campeã mundial de supino categoria até 90 Kg e futebolista.

A coisa me intrigou. Pessoas submetidas a grande exposição muitas vezes têm a imagem deformada pela mídia. Em 2010 candidatou-se ao cargo de deputada distrital pelo PC do B. Hoje ela atua na área de esporte da Administração do Plano Piloto do DF, cujo titular é Messias de Souza, do PCdoB.

Afinal, quem é mesmo Rebeca Gusmão? Encontrei-a pessoalmente e me impressionou sua liderança nata, carisma. Compromisso e visão. Queria saber de onde ela tira tanta energia. Ela mesma o diz na entrevista:

“O que me move é a energia de acreditar que podemos mudar isso é como Che Guevara dizia: ‘Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário’. E é assim que me sinto”. “O impossível é uma questão de de opinião”.

Rebeca-Orlando

Walter, Rebeca e Orlando

Vicissitudes são da vida, todos as têm. elas existem para ser superadas. Difícil é ter determinação para isso. Veja nesta bela entrevista, corajosa e generosa, a visão de Rebeca sobre seu papel, o papel dos jovens, das mulheres e do esporte. Aposto: essa moça vai longe!

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“Artigo 1º” – de Paulo Pedron

Posted by waltersorrentino on 5th junho 2011

Levo com prazer aos que acompanham o blog a um conversa.com um grato amigo recente, cujo trabalho me impressionou. Paulo Pedron tem uma longa trajetória democrática e progressista, a serviço de causas de grande interesse para o povo. Atualmente, dirige a entidade Instituto de Defesa dos Direitos Humanos – Iddeha -que se ocupa da defesa e promoção de direitos humanos. Mora no Paraná mas é cidadão brasileiro. Deixem que ele mesmo nos conte de sua trajetória e seu atual trabalho.

O trabalho dele vocês vão ver em http://www.iddeha.org.br/blog/, inclusive sobre como trabalhar com o documentário “Artigo 1.”.

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Pedron, obrigado por comparecer à nossa conversa. Acho que o leitor vai gostar. Você recentemente produziu um filme retratando a questão dos direitos humanos relativos à juventude. No mesmo tempo postei aqui matéria sobre a violência sobre a juventude exatamente no Paraná, de autoria do amigo comum Cezar Bueno. Dizia lá que chama a atenção o paradoxo entre fama realidade do Paraná nessa matéria. Fale-nos desse filme e da campanha que ele motiva.

Bom, em primeiro lugar obrigado pelo espaço, meu amigo. O filme chama-se “Artigo 1º” e traz a história de três jovens. Elon, agora com 28 anos, participou há dez anos de um projeto nosso, Karin, 23 anos, participou a cinco anos e a Kaká, 18 anos, ainda participa dos projetos. A história destes três jovens se cruza em vários momentos. Todos destacam a falta de oportunidade para jovens da periferia neste modelo de sociedade que vivemos. Elon fala algo bem forte; “Antes de entrar no projeto achava que a minha vila, o lugar em que morava, era meu mundo. Depois do projeto descobri as possibilidades que o mundo oferecia, também eram pra mim”. Acho que ele retrata a verdade mais cruel de todas, que é a exclusão. Nossos jovens que nascem, vivem e morrem na periferia das grandes cidades sequer conseguem sonhar, quanto mais se sentir pertencentes a esta Nação. Elon revela que teve mais de 25 amigos assassinados perto da sua casa por traficantes ou pela polícia. E toda essa violência está presente nas estatísticas. Há dez anos éramos a 14ª capital brasileira em violência, hoje somos a 4ª. São mais de seis mil jovens assassinados neste período na Região Metropolitana. Se continuarmos assim, daqui dez anos teremos mais de vinte mil jovens assassinados. Esta é a realidade que o Bueno nos escreve em seu livro. A fama, produzida pela propaganda lernista, diz que somos uma das melhores cidades do mundo para se viver. A nossa motivação, Walter, é poder interferir nesta realidade e mudá-la. Queremos que a realidade se aproxime da propaganda oficial.

Como é que você se envolveu com a questão dos direitos humanos e o trabalho de sua entidade? Há quanto tempo, em que circunstâncias nasceu e como se desenvolveu?

Walter, fui colunista político no Paraná por muitos anos. Colecionei no período duas dúzias de processos por calúnia, injúria e difamação. Fui absolvido de todos. Então, se fui absolvido alguém deveria ter sido preso uma vez que a maioria dessas denúncias dizia respeito a corrupção, certo? Errado meu amigo. Mesmo a Justiça reconhecendo que o que escrevia era verdadeiro, ninguém foi preso. Isso foi provocando um desânimo muito grande com a minha profissão (jornalista). Resolvi dar uma guinada em minha vida. Resolvi criar uma organização não governamental, isso em 1996, o Iddeha, para poder chegar ao final do ano e passar uma régua, sentir que minha atitude no mundo estava fazendo alguma diferença. Foi a forma que encontrei para fazer justiça. O Iddeha tem seu trabalho focado muito na juventude. É aí que está a principal inspiração da nossa sociedade. A energia mais pura e verdadeira. Trabalhando com os jovens foi nos apresentado outros desafios. Os jovens apontavam a polícia, a família e a escola como instituições que mais violavam seus direitos. A partir daí começamos a priorizar projetos com polícia, família e escola.  O nosso trabalho tem como principais eixos a ética, valores e respeito. E são estes temas principais que trabalhamos com esse público.

Que planos você tem para esse trabalho no futuro?

São muitos. Planos e sonhos é o que não nos faltam. Bertold Brecht dizia que as pessoas são do tamanho dos seus sonhos. Os sonhos é o que nos move. São o mais doce alimento da esperança. Estamos empenhados em criar uma instituição de ensino superior e ampliar nosso trabalho com juventude. Em São Paulo mesmo, através do mandato do vereador Netinho de Paula, temos conseguido isso. Tem sido uma ótima experiência. Estamos começando um trabalho com o vereador Jamil Murad, também aí de São Paulo, com certeza uma das figuras políticas mais expressivas da esquerda brasileira. Cada projeto social desses é a oportunidade da gente ajudar na organização daqueles que estão na parte debaixo da pirâmide social. Dos que não são ouvidos. Daqueles que nascem e vivem a creditando que o mundo é a sua vila. Essa juventude tem que ser empoderada. Tem que assumir os destinos do nosso País. Só assim para construirmos uma sociedade mais justa. Tem que vir do povo. Do povo da periferia. Acho que a soma destes projetos e de políticas públicas sérias para a juventude, estão ajudando a transformar este país. Uma revolução cujo poder esta na consciência dos seus direitos e deveres.

Mas você vem de longe nessa estrada, desde os tempos estudantis… Fale-nos um pouco de você.

Sabe Walter, teve um livro que li com meus 13 anos que marcou toda a minha vida. “O Cavaleiro da Esperança”, de Jorge Amado, contando a trajetória de Luis Carlos Prestes e de toda a injustiça presente nesta história. A parte mais marcante é quando Jorge Amado narra a decisão de um jurista brasileiro, Sobral Pinto, que mesmo atuando ideologicamente em campo oposto de Prestes, diante de tanta tortura e barbárie, entra com representação na ONU pedindo a Lei de Proteção aos Animais em favor de presos políticos. Os fatos narrados sobre o processo de acumulação de riquezas dos coroneis nordestinos. Enfim, marcou demais. Ali soube de que lado da história deveria estar. Fui crescendo, fiz meu segundo grau no Colégio Dom Bosco, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.  Lá ajudei a criar um jornal estudantil para que organizava nossas lutas contra o aumento das mensalidades. O nome do jornal era Impacto e adquiriu uma força danada. Fiquei impressionado com o poder da comunicação. Organizamos a primeira greve da história do colégio. Depois veio a universidade, fui diretor do centro acadêmico de Comunicação Social, diretor da União Paranaense dos Estudantes-UPE- e depois fui eleito presidente. Muitas lembranças, muitas histórias do período.

Nunca teve filiação partidária? Sei que sempre participou das campanhas progressistas dessas décadas, não é mesmo?

Meu amigo, vou dizer a você que fui fundador do Partido Humanista no Paraná…isso em 1988, mais ou menos. A gente descobriu que tinha horário gratuito na TV e no rádio e achamos que seria um espaço legal para poder puxar uma reflexão mais profunda sobre a cidade de Curitiba. Mas nem sabíamos o que era o PH…essa filiação não conta. Coisa de piá. Fiquei filiado acho que um ano ou dois, isso antes de 1990, no PMDB. Na época tínhamos o Requião como candidato, como alternativa à esquerda em Curitiba. Era Requião contra o lernismo. Depois disso nunca mais.

Disseram-me até que você comete bons atentados culinários, é verdade?

Ah gosto mesmo. É uma oportunidade para encontrar os amigos. Gosto muito. Dizem que me saio bem. Mas são todos amigos aí não sei se dá para confiar… risos.

O que você acha da situação atual do Brasil, do povo, do governo, dos partidos políticos?

Acho que os dois governos do Lula, principalmente o segundo, mudou a história deste país. A Karin, aquela personagem do Artigo 1º, é filha de empregada doméstica. Não conheceu seu pai. Estudou sempre em escolas públicas de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba. Escolas complicadas, sem muitas possibilidades. Pois bem, essa menina passou pelos projetos, se empoderou, estudou, fez o Enem, tirou nota máxima e hoje faz medicina na Universidade Católica. Isso é uma revolução. São centenas de milhares de jovens que nasceram e cresceram em regiões de vulnerabilidade, e que hoje estão cursando uma universidade. Algo que muitos sequer sonhavam. Você já imaginou o impacto social daqui uns vinte anos. Quando esta juventude que historicamente foi excluída, ago ra assumindo cargos de direção, chefias, mandatos parlamentares? O que o Lula fez foi algo grandioso. É assim que se faz uma grande nação, com a inclusão de todos. É evidente que a direita grita, reclama…. eles sabem que a realidade está mudando. Talvez por isso em vez de mudarem seus pensamentos, entenderem esse novo mundo, eles preferem a simples mudança de nome… risos.

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Nem tudo que é sólido desmancha no ar

Posted by waltersorrentino on 2nd junho 2011

Nágyla Drummond

Nágyla Drummond

Nágyla Maria Galdino Drumond é socióloga, Mestre em Sociologia. Professora da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Atua no PCdoB, no Mandato na Câmara Municipal da Vereadora Eliana Gomes e é Membro das Comissões Políticas Municipal (Fortaleza) e Estadual – PCdoB/ CE. Como mulher de ideias e ação, é Secretária Estadual de Mulheres – PCdoB/ CE e Membro da Coordenação Estadual da UBM/CE, Presidenta do Centro Socorro Abreu de Desenvolvimento Popular e Apoio à Mulher.

Pedi a ela uma conversa.com e fui brindado com reflexões sobre  a responsabilidade em problematizar a importante questão dos partidos políticos de esquerda e de vanguarda no século XXI. Partidos como o nosso, que precisam mais do que nunca fazer a leitura da realidade com ampla capacidade materialista-histórica e dialética. No Encontro onde ela proferiu essas palavras, ela afirma: “Ouvindo cada dirigente de base, senti inveja de não militar numa base organizada”. PCdoB não é partido de se desmanchar no ar, mas se transforma sempre, para melhor.

Acompanhem:

Breves reflexões sobre o partido da classe operária no século XXI

No último dia 30 de abril, o PCdoB em Fortaleza realizou o encontro inicial do ciclo de debates sobre Fortaleza, com uma palestra ministrada por nosso Senador Inácio Arruda sobre os investimentos e perspectivas da Copa de 2014 num município como o nosso, com os desafios de abrigar mais de 2,5 milhões de habitantes em um espaço urbano dominado pela especulação dos mais diversos formatos, assim como todas as grandes cidades do mundo nos últimos 50 anos, para fazer um recorte mais recente.

Quando ouvia o Inácio falando pela manhã, com o entusiasmo e inteligência que lhes são peculiares, foi difícil segurar as lembranças, memórias e histórias de mais um homem, entre tantos homens e mulheres que se forjaram na luta do povo. Inácio tem um pouco mais de 50 anos, comemorados no próximo dia 05 de maio (mesmo dia do aniversário de Marx), mas parecia ter 20 anos ou mais de um século de vida e experiência por conseguir expressar com garra e convicção a Fortaleza que queremos e que precisamos ter para enfrentar os desafios das próximas décadas do século XXI. Não quero fazer avaliações, pois estas talvez não caibam no mundo cibernético, do que podemos aprimorar em nosso discurso e nossa prática política. Estas cabem aos fóruns partidários presenciais.

Eu queria mesmo era registrar a alegria pessoal em ter participado daquele momento, quinze anos depois da primeira candidatura do Inácio à prefeitura de Fortaleza, quando eu ainda não era filiada ao Partido. Mas lembro vivamente, como se fosse hoje, de uma caminhada realizada numa sexta-feira à tarde, no centro da cidade, depois das eleições de 1996… Inácio, Mário Mamede e a nossa brava militância comemorando e agradecendo ao povo os votos livres daquela grande maratona. Como diz o Antero: ”Se eu não me emocionar, não valeu de nada”.

Depois da palestra da manhã, foi bacana ver a “militância anônima” do nosso partido naquele burburinho na nova sede do comitê municipal. As pessoas almoçando juntas (por sinal, que almoço maravilhoso), num espírito de confraternização. Falo do anonimato dos que constroem o PCdoB e não estão nem das direções das entidades do movimento social, nem nas trincheiras de luta do parlamento, nem nas assessorias de nossos mandatos, nem nas mesas de debates e negociação; estão em outras lutas, muitas vezes invisibilizadas por nosso tarefismo diário, mas que estão lá, na concretude do cotidiano às vezes entediante, porém necessário para que apuremos nosso faro militante.

Abordo tais questões para escrever, um pouquinho sobre a nossa responsabilidade em problematizar a importante questão dos partidos políticos de esquerda e de vanguarda no século XXI. Partidos como o nosso, que precisam mais do que nunca fazer a leitura da realidade com ampla capacidade materialista-histórica e dialética. Partidos que precisam ser fortes não só pra enfrentar a’ reforma’ política (eleitoral) em sua face conservadora, que deseja acabar com as coligações e implementar outras medidas restritivas da democracia, ou enfrentar as retaliações ao relatório da reforma do Código Florestal apresentado pelo deputado comunista Aldo Rebelo. Um partido que precisa compreender seu papel de organização marxista-leninista na união do povo, nas mais diferentes trincheiras e batalhas. Precisamos da força e do vigor revolucionário para saber que não existem impossibilidades entre atuar na luta pelo posto de saúde local e na associação de moradores em defesa do posto de saúde mais perto de casa ao mesmo tempo em fazemos o debate conjuntural na universidade. Se a vanguarda não for capaz de assim fazer, quem fará? As igrejas? A Mídia burguesa e reacionária com suas versões de classe? Os movimentos e entidades fisiologistas e corporativistas? Talvez estes diversos grupos e organizações estejam desempenhando seu papel social com mais “qualidade” do que nós, pois reforçam o jargão simples e conservador, ao mesmo tempo simples e complexo, de “dar ao povo o que gosta e precisa”. Na verdade o que, arbitrariamente, acreditam que seja gostar e precisar.

As lutas diárias não se encerram em si, se movimentam contínua e dialeticamente. Equívoco é, por um lado negar a luta diária e por outro acreditar que a luta específica, local e imediata, dará conta das transformações históricas aceleradas às quais estamos submetidos (as). Agindo assim, em “ambos os casos” estamos correndo o risco de sermos reducionistas e nos preocupando, apenas, com a aparência dos fatos.

Ouvindo cada dirigente de base, senti inveja de não militar numa base organizada. Quanta riqueza, quantos desafios, (in) compreensões passíveis de debate amplo para dentro e fora do partido. Camaradas, aos que acreditavam que a organização em bases está superada, o 7º Encontro nacional de questões de partido e o debate naquele sábado á tarde no comitê municipal demonstram o contrário. Longe de querer ser confundida com funcionalista ou mecanicista, a diversidade das bases partidárias são como as células que oxigenam a construção do partido comunista de massas.

É por dentro e por meio das bases que fazemos as melhores e maiores alianças com nossa gente, sem falar em nome ou colocar palavras na boca do povo. O povo fala e vive independente da nossa vontade ou da nossa presença. Nem o povo e nem o seu voto são propriedade dos partidos, sejam eles, conservadores, meramente eleitorais, ideológicos ou de vanguarda. Quando a(s) aliança (s), dialeticamente construída (s) estão azeitadas (sem esperar que elas sejam sempre do mesmo jeito) conseguimos colher os frutos, junto com o povo, tanto nos desafios organizativos quanto nos embates político-eleitorais e teóricos. O povo ensina e quer aprender; aprende e quer ensinar; “desaprende” e aprende de novo; cria, inventa, influencia e é influenciado. Compreendendo essa dinâmica, as bases devem falar ao povo, que muitas vezes está longe, muito longe das bases, quase totalmente à revelia destas.

Talvez a colocação correta não seja apenas a de escutar as bases. É preciso que as bases falem, atuem, discutam e intervenham no debate para dentro e para fora do partido. Que se representem nos órgãos de direção intermediária e superior. Apenas escutar as bases pode colocá-las em uma posição passiva, quase subalterna. Tal prática, se limitada ao ato que anuncia, parece uma concessão à fala do outro; e nisso, me desculpem, há pouca diferença das igrejas tuteladoras, da mídia conservadora ou de coisa orgânica e ideologicamente parecida. Formar militância não é adestrar militantes com desenvoltura eleitoral, governamental ou de direção partidária. É tarefa para uma vida inteira, tensionada muitas vezes e outras vezes perdida para a máquina devastadora de utopias do capital.

Os quadros partidários precisam estar politicamente vivos, organizados e reconhecendo uns aos outros. Acho que precisamos de um esforço antropológico e político de tornar o estranho familiar, e o familiar, estranho. Não podemos perder a capacidade de nos estranhar. Isto nada mais é do que nos perguntarmos, nos problematizarmos, fazermos e praticarmos a boa e velha autocrítica. Num mundo que vive um momento tão perigoso, onde os impérios impõem e na associação de moradores que precisam de um posto de saúde mais perto de casa um ritmo beligerante que se pretende hegemônico de acumulação de capital e superexploração da força de trabalho,  o partido da classe operária necessita ser invadido pelo sentimento de conhecer as faces do povo trabalhador das primeiras décadas do século XXI, aprendendo com as experiências do passado e construindo o presente sem perder o rumo e a perspectiva estratégica. É difícil, muito difícil, cansativo, trabalhoso? Pode ser, mas antes de tudo é possível e necessário.

Esta, hoje, é tarefa mais complexa do que há 89 anos atrás, pois a segmentação e a alienação do trabalho tomam novos contornos  velhos, tornam a luta de classes mais ferrenha e mais profunda, ao passo em que setores momentaneamente hegemônicos decretam o fim do socialismo como perspectiva da humanidade. A categoria central da sociabilidade humana desloca-se e é subalternizada pelo consumo, pelo individualismo, pelos índices de poder aquisitivo, como forma de ganhar dinheiro e sobrevivência. Hoje, mais uma vez e como nunca, tudo que é sólido se desmancha no ar.

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Pré-sal: passaporte nacional

Posted by waltersorrentino on 31st maio 2011

Sydney Granja Affonso

Sydney Granja Affonso

A Conversa.com de hoje é com Sidney Granja. Bom do blogueiro é que recebe sugestões e cobranças. Uma delas veio acerca de falar do pré-sal, de fato assunto estratégico. Chamei Sidney para isso, ele que é filiado ao PCdoB, engenheiro, empregado concursado da Petrobras há 34 anos. Atuou em projetos de engenharia, soluções de TIC para Engenharia e áreas de negócio, planejamento estratégico e avaliação empresarial, percorrendo as áreas de Abastecimento (refino, transporte e comercialização), TIC e Gás e Energia. Foi Diretor do SINDIPETRO-RJ, Presidente do Núcleo da AEPET-SP, Diretor e Conselheiro da AEPET, Presidente do MODECON-SP, Coordenador Geral da TV Comunitária do RJ.

Sidnei, a descoberta do Pré-Sal é um passaporte para o futuro de um Brasil avançado, livre e justo. A condição para isso será a capacidade de formular uma política estratégica de Estado. Como você vê essa política, quais seus elementos nodais?

A descoberta da existência de petróleo em abundância no território nacional trouxe um verdadeiro tesouro para o povo brasileiro e isto foi possível com estratégia e esforço da Petrobrás ao longo de muitos anos, um braço de desenvolvimento do Estado. Como qualquer tesouro, trará oportunidades e ameaças. Os grandes campos do Pré-Sal contribuem para a formulação de um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil, dando-lhe inclusive qualidade nas relações internacionais.

As projeções de crescimento das atividades de exploração, produção, refino, transporte, distribuição, da indústria petroquímica e de fertilizantes, bem como, o crescimento da indústria de biocombustíveis e a geração termoelétrica para os próximos anos, exigem liderança do Governo, em suas instâncias, junto aos empresários e trabalhadores nacionais, em busca do suprimento adicional de bens e serviços para atender estes investimentos.

O aumento desta oferta pode ocorrer principalmente através de fortalecimento e expansão dos produtores nacionais, visto que haverá muita demanda em segmentos em que as empresas brasileiras são ou poderão ser competitivas, onde a tecnologia envolvida é dominada ou possível de ser dominada. Neste caso, trata-se de ampliar a produção existente. Complementarmente, será importante a vinda de empresas estrangeiras em segmentos específicos, de difícil nacionalização, utilizando, de preferência, contratos com parcerias nacionais e transferência de tecnologia.

Para atender a demanda, serão fundamentais: desenvolvimento tecnológico, qualificação profissional, oferta de financiamento, melhoria da gestão empresarial e pública e inclusão de pequenas e médias empresas. O Brasil tem potencial para realizar este movimento, com gestão, inovação e empreendedorismo.

A criação planejada de pólos empresariais regionais, com ênfase em escala e competitividade, estende a oportunidade de desenvolvimento também para os estados menos desenvolvidos.

O essencial foi um novo marco regulatório, é certo isso?

O novo marco regulatório é o retrato da mudança de postura do Governo, valorizando a propriedade e o uso do petróleo para a região do Pré-Sal. Além disto, a política estratégica do Estado está voltada para o desenvolvimento da cadeia nacional de fornecedores de bens e serviços desta indústria, fomentando a expansão do parque industrial brasileiro, como pode ser notado, por exemplo, no nível de CL- Conteúdo Local exigido pela ANP a partir da 7ª Rodada, na PDP – Política de Desenvolvimento Produtivo do Governo Federal e em outras iniciativas.

Daí, a importância do Estado neste processo, se oxigenando, planejando, gerenciando, construindo um novo estado nacional. A classe trabalhadora organizada precisa estar presente e assumir papel de destaque neste processo, tanto na defesa dos interesses nacionais como na organização dos novos trabalhadores.

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Quantos investimentos estão previstos para as próximas décadas?

Desde 2003, a Petrobras vem aumentando seu PN- Plano de Negócios. Para o ano 2003, a carteira contemplava o total de investimentos da ordem de US$ 5,6 bilhões, já acima dos valores dos anos anteriores. Já o PN 2010-2014 prevê investimento com média anual de US$ 42,5 bilhões, isto é, um total de U$ 224 bilhões. Portanto, um crescimento muito grande, que será viabilizado por intensa expansão do parque supridor nacional de bens e serviços.

A imprensa vem dando ênfase aos investimentos em exploração e produção do petróleo, o que é na verdade o motor principal. No entanto, a construção de refinarias, petroquímicas, terminais e dutos, e termoelétricas terão peso considerável na distribuição de investimentos da Petrobras, chegando a quase 40%. Neste horizonte do PN 2010-2014 o Pré-Sal ainda tem pouca participação, ainda com ênfase no Pós-Sal.

Assim, no começo desta década teremos a continuação do processo de exploração e produção na Bacia de Campos e o inicio dos primeiros campos do Pólo Pré-Sal de Santos: Lula (ex Tupi), Iara e Guará. Já após a metade desta década deverão entrar novas produções, como: Júpiter, Bem-te-vi, Carioca, Caramba e Parati. Ainda nesta década, será iniciada exploração na área da Cessão Onerosa, cinco bilhões de óleo nos campos de Franco, Tupi sul, Peroba, Entorno Iara e outros.

A exploração no saldo do Pré-sal ainda não concedido, cerca de 70 %, agora com a Petrobras como operadora única, deverá ser definida pelo CNPE- Conselho Nacional de Política Energética, visando o uso planejado de um bem estratégico, escasso no mundo, de forma coerente com a velocidade possível do desenvolvimento da indústria nacional de bens e serviços. Isto é, além do investimento previsto pela Petrobras e outras operadoras da indústria de petróleo, serão construídos, pela iniciativa privada, estaleiros para construção de sondas, plataformas, módulos para embarcações, navios petroleiros, barcos de apoio, peças e equipamentos, serviços dos mais variados, que vão desde projetos de engenharia, construção e montagem, até apoio com transporte, limpeza e suprimento de alimentos. Existem referências nacionais e internacionais que estimam o valor total de todos estes investimentos como algo da ordem de US$ 600 bilhões.

Pode chegar a 600 bi de dólares?! A propósito, como está esse debate no seio do Governo e das forças políticas em geral? O tema foi abordado na campanha de Dilma contra Serra.

O debate na Sociedade sobre o Marco Regulatório do Petróleo teve peso para trazer de volta algumas questões políticas, como o papel do Estado, a necessidade de planejar, o processo neoliberal que vendeu estatais estratégicas, como Vale, CSN, Usiminas, Telebrás, o desmantelamento da petroquímica etc., além de evidenciar o período em que a Petrobrás teve seu plano de negócios restringido, em busca de espaço para atrair novas operadoras.

Durante um dos debates na TV entre Dilma e Serra, esta lhe cobrou sua antiga afirmação de que a indústria naval brasileira estava enterrada, que havíamos perdido o bonde da história, que jamais voltaríamos a competir com a Coréia e a China. E ela completou dizendo-lhe que o Governo Lula reergueu nossa indústria naval com os projetos para a Petrobrás. Na campanha para Presidente este tema aglutinou setores importantes da classe média que haviam desgarrado anteriormente.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Ministério do Planejamento, o Ministério da Integração Nacional, o Ministério de Ciência e Tecnologia, o Ministério da Defesa, o Ministério dos Transportes e tantos outros vêm promovendo ações alinhadas com o desenvolvimento da indústria do petróleo, o maior projeto estruturante do País.

O Presidente da Petrobrás vem promovendo encontros nos estados com o governo federal e estadual e com as associações empresariais, com o objetivo de criar governança, com a liderança do governo estadual, para montar grupos de trabalho que promovam a “concertação” das diversas iniciativas existentes, racionalizando recursos, aproveitando sinergias, e resolvendo conjuntamente problemas que dificultam a execução destas iniciativas. Algumas centrais sindicais também participaram da elaboração de algumas iniciativas.

O PCdoB tem estado no centro da formulação dessa política. Haroldo Lima, DG da ANP, tem tido papel destacado em apontar para a mudança do modelo de exploração. O que subsiste de dificuldades para isso avançar no Governo Dilma, nesta hora?

Nosso Partido tem estado no centro desta política, atuando de forma concreta na ANP, tendo, por exemplo, nosso Diretor Geral atuando conjuntamente com alguns Ministros e os presidentes da Petrobrás e do BNDES para a geração do novo marco regulatório. A capitalização, por exemplo, permitiu um crescimento de cerca de 10% na participação do Estado nas ações da Petrobrás, chegando a cerca de 50%. A nova lei substituiu o regime de concessão para o de partilha na área do Pré-Sal, tendo a Petrobrás como operadora única, o que a torna conseqüentemente indutora do processo de desenvolvimento nacional. Foi um avanço importante para a conjuntura e que nos dá novo animo na defesa das estatais e do Estado no processo de planejamento.

Apesar das vitórias, continuarão os lobbies internacionais e também nacionais para reverter o processo da área do Pré-Sal e avançarem nas demais áreas. Pode-se abrir espaço também para pequenos produtores de petróleo, pois existem campos que nunca foram licitados e outros que foram devolvidos. É preciso evitar, no entanto, que campos maduros em produção da Petrobrás caiam em mãos de empresários que buscam renda sem investimento.

Como você vê a decisão dos EUA com a IV Frota no Atlântico Sul? O País está apto a fazer a inteira defesa de seus interesses? A questão do Plano de Defesa Nacional tem forte interface com isso, não lhe parece?

A Quarta Frota Americana é uma provocação e o importante é destacar que a região do Pré-Sal se encontra dentro da faixa das 200 milhas, mas esta nunca foi reconhecida pelo Governo dos EUA. A Amazônia Azul, uma proposta que ampliação esta faixa, foi desenvolvida pela Marinha junto e com o apoio da Petrobrás. Petróleo é um bem escasso no mundo, gera tensões e guerras desde o século passado, provocou a ocupação do Iraque, pais com grandes reservas, o que sugere um Plano de Defesa para o Brasil. Não se consegue sobreviver como potência mundial e soberania nacional sem estratégias de defesa.

A frota de navios e aviões de defesa precisa ser ampliada, incluindo a proposta de um submarino nuclear. As forças armadas terão um papel importante. Não podemos confundir com o período de subserviência destas aos interesses estrangeiros e a uma burguesia nacional com interesses menores, quando acabaram prendendo e matando trabalhadores e estudantes que lutavam organizadamente pela soberania brasileira e por melhores condições de vida para todos os brasileiros. As diversas atitudes nacionalistas de muitos militares demonstram que os que se corromperam nunca os representaram, sem esquecer que é crescente o número de militares socialistas.

O PCdoB tem forte organização entre os petroleiros, e você é um de seus líderes. O partido tem crescido? Tem sabido capitalizar a política avançada quanto ao Pré-Sal?

É normal entre os petroleiros uma postura em defesa da Companhia, até mesmo sacrificando a vida pessoal. A Petrobrás é resultado de muitas lutas históricas, tornando-se símbolo de resistência ao imperialismo.

Os petroleiros comunistas sempre estiveram presentes nestas lutas, bem como na organização sindical dos trabalhadores. Nossa central sindical deve traçar suas estratégias visando conquistar a grande massa de novos trabalhadores que virão com os investimentos.

Cabe-nos dar mais visibilidade para os militantes do PCdoB sobre as questões do petróleo, ou mais amplo ainda, da energia, pois certamente terá impacto nas diversas áreas em que atuam. O Partido tem atuado com qualidade no desenvolvimento de políticas para o setor petróleo.

Venho apoiando o Presidente Gabrielli, que teve um papel fundamental na busca de empréstimos no exterior, na intensificação dos concursos públicos de admissão de empregados, na defesa do novo marco regulatório, no processo de capitalização, na criação de laboratórios nas universidades e centros de pesquisa para o desenvolvimento tecnológico, dobrando inclusive o centro de pesquisa da Petrobrás, na viabilização dos novos estaleiros e, agora, na liderança das ações para o desenvolvimento da cadeia nacional de fornecedores.

Como outros comunistas, estou presente!

Valeu, Sidnei, pela entrevista! Volte sempre, obrigado em nome dos leitores.

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Joane Vilela: a educação emancipadora

Posted by waltersorrentino on 10th maio 2011

Há um cometa brilhante no firmamento político de Foz de Iguaçu e do Paraná. É Joane Vilela, secretária de educação do município, que levou o Ideb (índice de desenvolvimento da educação básica), no município de Foz do Iguaçu de 4,2 para 6,2 em 2009. Ela é uma pessoa com quem dá gosto conviver. Joane integra a direção estadual do Paraná, do PCdoB, e diz: “vibro com a possibilidade de um partido que dialogue com a sociedade, que participe da vida do brasileiro, que consiga implementar as mudanças necessárias”. Partilho a alegria desta entrevista com o leitor, graças à boa vontade dela e do amigo Luiz Henrique Dias.

Joane Vilela: a secretária da educação e da cidade.

* Por: Luiz Henrique Dias

Quando, em São Paulo, Walter Sorrentino passou-me a tarefa de entrevistar a Secretária Municipal de Educação de Foz do Iguaçu, Joane Vilela, fiquei ao mesmo tempo feliz e preocupado. Feliz pela confiança de poder contribuir ao blog de um dos nomes mais expressivos de nosso Partido, e preocupado pelo medo de cair na arriscadíssima armadilha da parcialidade, pois somos eu e a Joane camaradas de Partido aqui em Foz, membros da Executiva e ela é a Secretária de Educação da minha cidade. Uma cidade que construiu, nos últimos anos, uma rede de ensino consistente, efetiva e com visão de futuro. Assim, mais que um camarada, sou um admirador do trabalho da Secretária Joane e de toda sua equipe.

E toda essa competência resultou em um trabalho danado para conseguir a entrevista que segue abaixo. Foram ligações, tentativas de encontros rápidos, viagens lado-a-lado, mas com questões diversas a resolver. Quando eu achava impossível conciliar as agendas para conseguir respostas às perguntas e poder, assim, dividir isso com os leitores do blog do Walter, eu chego ao meu escritório, certa manhã, e sou presenteado com um email da Joane.

E aí ficou fácil.

Ela respondeu as perguntas com admirável simplicidade e formidável precisão no pensamento. Mostrou delicadeza ao redesenhar em palavras sua trajetória e pulso firme e coeso ao falar de Políticas Públicas e da Educação no Brasil.

Editando agora a entrevista, aproveitei para conhecer um pouco da história dessa pessoa que conheço há menos de três anos, mas já admiro como se fosse uma colega de militância de décadas.

Boa leitura!

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