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Archive for the 'Comunista.org' Category

Textos de organização

Fanny Edelman, inesquecível

Posted by waltersorrentino on 2nd novembro 2011

Morreu Fanny Edelman, mais que centenária, um monumento de integridade de consciência comunista e humanista. Dessas que marcam uma época!

Conheci pessoalmente Fanny Edelman na mesma viagem em que conheci Armando de Magdalena (*), ambos no Congresso do Partido Comunista Argentino. Inolvidável a figura daquela mulher comunista, história viva do século 20, suas lutas, seus sonhos, sua coragem. Partilho com vocês a homenagem do poeta Armando de Magdalena a ela, pela passagem de seus 100 anos de vida.

AdeM_-_Afiche_Homenaje_a_Fanny

No pasarán sobre el Ebro ni el Nalón

ni aunque inunden (como lo hacen) bajo las presas la memoria

allá bajo el agua están intactos los estampidos de las balas

y los versos de Miguel acunado por bellotas

no

no pasarán sobre la huelga aunque cierren la mina

aunque maten al carbón en una fragua

ni sobre el V ni sobre las Brigadas pasarán

aunque muertos estén (bien muertos) y las trincheras rotas bajo la escarcha

ni aún sobre los que yacen olvidados en las cunetas podrán pasar

ni aún entre los muertos muertos tan lejos de la viña y los olivares

revuelo espantado de palomas sinceras

ni aún sobre sus lágrimas, su rabia o el exilio, no

no pasarán,

Amar

amar nunca puede ser pecado

tú que eras tan pálida y tan joven y mirabas celeste como tu bandera

aun no han logrado pasar sobre los ademanes de tu ternura

sobre tu acero, menos

ni aun sobre tus palabras

ni aun sobre tu estar al lado

ni aun sobre tu propia muerte

no

yo te lo digo y te lo prometo

no

no pasarán

…ni ahora

ni nunca

ni por el río

o la montaña

ni por la mar

o la ladera

ni de día

ni de noche

aún muertos tendrán que sortearnos

y tal vez aun les escupamos en la cara.

(*) Armando de Magdalena nasceu  em 1963 em Buenos Aires Argentina. Poeta, ensaista, fotógrafo, homem de radio, muralista. www.armandodemagdalena.com.ar

Fanny Edelman completa 100 anos de vida e 70 de lutas em defesa do socialismo

Fanny Edelman completa 100 anos de vida e 70 de lutas em defesa do socialismo

Sobre Fanny Edelman

Na quarta-feira, 24 de novembro, aconteceu no Teatro Nacional Cervantes na Argentina, uma homenagem à camarada Fanny Edelman.  Ela está prestes a completar 100 anos de uma bonita vida, dedicada à militância, à construção de um mundo melhor.  O teatro se vestiu de gala para receber a Presidenta do Partido Comunista da Argentina. Uma das mais valorosas heroínas do povo argentino, a camarada Fanny Edelman, com mais de 70 anos de militância é um desses personagens lendários que enchem de orgulho os comunistas do mundo inteiro, por sua coerência, exemplo de vida e combatividade revolucionária.

Ao longo de sua militância, a camarada Fanny participou dos principais acontecimentos das lutas dos povos e, especialmente, do povo argentino no século 20, e continua firme em sua batalha pela emancipação humana. Voluntária nas Brigadas Internacionais da guerra civil espanhola, presidente da Federação Democrática das Mulheres, reconhecida lutadora pelos direitos humanos na Argentina, Fanny representa o que de mais generoso a espécie humana produziu no século 20. Ela disse: “O imperialismo, apesar de perverso e belicoso, não poderá frear a massa humana que se move em favor da libertação dos povos e dos oprimidos”.

Nota:

Faça download do Suplemento Especial a Fanny Edelman publicado pelo Semanário do PCA:  “Nuestra Propuesta” em homenagem à Fanny.

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Julgamentos sumários são retrocesso democrático

Posted by waltersorrentino on 27th outubro 2011

É errado supor que os controles administrativos sobre a vida dos partidos políticos sejam descuidados. Muito pelo contrário. Os órgãos competentes, nomeadamente o Tribunal Superior Eleitoral, têm uma ação permanente e rigorosa sobre tudo que diga respeito aos partidos, em especial suas finanças. Boa parte da contabilidade também é auditada pelo Ministério Público.

Essa ação exige dos partidos uma grande lisura, demoradas diligências e complexas comprovações de extensas contas anualmente, que motivam julgamentos precedidos de pareceres técnicos rigorosos. Notas “frias” são uma impossibilidade; várias modalidades de gastos não são autorizados; certos tipos de arrecadação, vedados.

São difíceis os desvios nas contas partidárias, beneficiárias que são do fundo partidário – dinheiro público – com critérios politicamente definidos. A prestação de contas de arrecadação e gastos eleitorais é ainda mais rigorosa, mas mais sujeita a desvios porque o financiamento é privado e pouco transparente.

O senso comum fabricado de que os partidos traficam dinheiro público ou o utilizam não-contabilizados em campanhas eleitorais, não exige apenas mais rigor na fiscalização, mas a instituição de fontes exclusivas públicas para o financiamento das campanhas, ligada a teto de gastos.

Para o PCdoB, a luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento, aprofundando ainda mais as mudanças em curso no país, exigem, entre outras, reforma política democrática capaz de assegurar o pluralismo da representação nacional. Isso inclui financiamento público e voto em listas partidárias, fortalecendo os partidos políticos.

As contas partidárias são fato público, disponível a qualquer cidadão, mas não merece a atenção da mídia plutocrática. Quanto aos comunsitas, desfazem mitos, equívocos, mentiras grosseiras e meias-verdades disseminadas estes últimos dias

O TSE já aprovou a prestação de contas do PCdoB de 2003 até 2006. As subseqüentes já foram apresentadas e estão em julgamento, no ritmo próprio do TSE. O quadro abaixo demonstra a evolução da arrecadação do PCdoB de 2003 a 2006.

tabela-financas-pcdob

A sede nacional do PCdoB foi adquirida numa campanha memorável de arrecadação, que contou com o apoio não só da militância, mas de todos os setores democráticos e progressistas do país. A campanha para a compra da sede se realizou em 2007. Nesse ano, o fundo partidário deu um salto, devido aos resultados eleitorais do PCdoB em 2006 e alterações do cálculo do Fundo: foi de pouco menos de um milhão de reais para 3,7 milhões, aumento de 277%. O PCdoB tem 2,23% do Fundo Partidário, praticamente correspondente à votação nacional obtida.  Com a campanha, mobilizando a militância e amplos setores democráticos do país – quase todos os governadores e centenas de prefeitos contribuíram, por exemplo – auferiu mais de mil contribuições em conta especial da Caixa Econômica Federal, e o maior montante foi uma contribuição de 100 mil reais e outra de 50 mil, isoladamente. Ao lado disso, pessoas físicas e jurídicas contribuíram com o PCdoB para o mesmo fim. Em 2007 as doações e contribuições de pessoas físicas se elevaram em 150% com relação ao ano anterior; as de pessoas jurídicas doaram 864 mil reais. Portanto, a arrecadação geral do PCdoB em 2007 se elevou em 240%.

As contas eleitorais da direção nacional do PCdoB já foram inteiramente aprovadas até 2010 e são públicas. Em 2010, foram arrecadados 6,8 milhões de reais em contribuições de pessoas jurídicas, e a direção nacional destinou à campanha eleitoral 6,6 milhões. Tudo público e contabilizado.

Nenhum segredo e toda a transparência, portanto, na compra da sede própria, marco histórico da vida de 90 anos do PCdoB. A receita: ampla atividade política, espírito militante, relações democráticas extensas na sociedade brasileira, num convívio respeitoso que nunca alterou o campo político em que operam os comunistas.

O Partido é uma instituição autônoma e responsável, tem em seus 90 anos de vida um patrimônio de integridade. Segue assim e seguirá assim. O Ministério é órgão de governo e as entidades populares têm autonomia, nos termos do Estado de Direito brasileiro. Cada qual está sujeito às leis e instrumentos de fiscalização próprios e suas responsabilidades diferenciadas. Considera a coisa pública, o patrimônio público e a conduta ética exigida dos gestores do Estado, de fato, valores civilizatórios inalienáveis. Aliás, essa é uma bandeira com que sempre se demarcaram as forças populares com os que se apropriaram das benesses do Estado brasileiro em tantas décadas.  É o que pensa o PCdoB.

A campanha de desmoralização da política e dos partidos serve, em regra, às forças reacionárias e contrárias ao avanço civilizatório. A mídia plutocrática no país manipula a bandeira ética. Renova, já há alguns anos, o filão reacionário que sempre marcou uma parte destacada da elite econômica e política brasileira. Trata de demonizar a política, os políticos e os partidos políticos. Tudo convergiria para uma pretensa vala comum, responsáveis por uma sucessão inesgotável de escândalos na vida da República. A cantilena vai longe, porque o PCdoB cresce e reforça os caminhos progressistas do governo Dilma.

Julgamentos sumários, linchamentos morais, descompromisso com a verdade factual e o contraditório sob o manto da “liberdade de imprensa”, ou da fiscalização ou interesse públicos, são inaceitáveis no Estado de direito. Guerra política em nome da qual se cometem bárbaras arbitrariedades são uma agressão à democracia.  Nem fatos são argumentos sob esse estado de coisas: em princípio seriam desonestos os atingidos. A verdade, norma comezinha, que vá às favas. Isso ameaça ser um retrocesso democrático em tudo incompatível com o novo rumo aberto no Brasil.

O PCdoB está certo de que uma apuração séria, democrática e responsável demonstrará a a verdade, tarde quanto tardar. Pela lisura do PCdoB responderemos até no pau-de-arara se necessário, mais uma vez.

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Desonestidade jornalística flagrante

Posted by waltersorrentino on 27th outubro 2011

Uma das frases mais famosas de Otto von Bismarck de a de que “se o povo soubesse como são feitas as salsichas e as leis, não dormiria tranquilo”. Faltava incluir o jornalismo nativo.

Ricardo Noblat partilha em seu blog também o de João Bosco Rebello, conluio fraterno de Globo e Estadão contra o PCdoB. Vale tudo! Mas demonstram ter presunto no lugar da retina, como diz célebre adágio italiano.

A matéria é encimada pela frase criminosa e que jamais será provada de suposto motorista que diz ter entregado ao ministro Orlando Silva, do Esporte, dinheiro de Ongs. E segue especulando grosseiramente sobre o Estatuto do PCdoB, que “submete Estado ao PCdoB”:

“Nada mais explícito do que o artigo nono do Estatuto do PC do B para se entender o comportamento de seu ministro, Orlando Silva, à frente do ministério dos Esportes”, dizem os articulistas.

O artigo 9º trata de contribuição financeira obrigatória dos militantes. Só no artigo 59 se trata da atuação dos(as) comunistas no exercício de cargos públicos, eletivos ou comissionados indicados pelo Partido.

Continuam: “Diz o artigo [então é o 59] que os cargos públicos ocupados por seus filiados pertencem ao partido, assim como a hierarquia é estritamente interna. Ou seja, autoridades de qualquer setor devem prestar contas ao partido – e somente ao partido”.

O que diz de fato o Estatuto: “Nesses postos [no exercício de cargos públicos, eletivos ou comissionados indicados pelo Partido], os(as) comunistas devem pautar a atividade de acordo com as normas e deliberações dos entes que integram”. Mais: “b) zelar pelo nome do Partido, desempenhando suas funções com probidade, respeito à causa pública e aos direitos do povo, e delas prestando contas regularmente…”.

Segue a toada mal cozida: “É impressionante como o estatuto explicita que orientações, deliberações, decisões, prestações de contas – todos esses deveres básicos do Estado com o contribuinte, seguem regra interna porque assim decidiu “norma própria do Comitê Central. Às favas, pois, a Constituição”.

O que diz de fato o Estatuto: “Nesses postos, os(as) comunistas devem pautar a atividade de acordo com as normas e deliberações dos entes que integram, bem como das instâncias partidárias a que estejam subordinados(as), não podendo se sobrepor a elas”.

“Os mandatos eletivos (grifo meu) alcançados sob a legenda do PCdoB pertencem ao coletivo partidário soberanamente”.

“Os membros do Partido no exercício de cargos públicos eletivos ou comissionados indicados pelo Partido, devem manter sua militância nas organizações partidárias a que pertençam ou integrar um coletivo, nos termos do parágrafo 2º do artigo 34. Em regra, os(as) Presidentes do Partido não devem exercer cargos nos Executivos na mesma esfera. Nesses casos, devem licenciar-se da Presidência, salvo autorização expressa por parte da instância imediatamente superior”.

Uma afirmação de compromisso militante ligado ao projeto político partidário e respeito republicano aos entes do Estado, mais uma garantia de não-autonomização de interesses pessoais que se sobreponham à linha política partidária, transformou-se, na pena exasperada dos articulistas, em um “às favas a Constituição”! Nem inteligente é a lógica!

Talvez o Globo e Estadão entendam de respeito à Constituição… Comparem a vida do PCdoB com a dessas instituições, por via das dúvidas.

Os articulistas podiam citar o artigo 5º:  Os membros do partido “devem zelar pelo honroso título de militante comunista, cultivando elevados padrões éticos e morais, de solidariedade ao povo e respeito à coisa pública, sendo exemplo de luta, honradez e sinceridade com seus companheiros e companheiras”.

Ou o artigo 67: nas contas partidárias vige o princípio “da legalidade, ética, probidade, transparência e prestação periódica das contas e controle coletivo”. Aliás, expresso nas aprovações seguidas das contas partidárias, com transparência, perante os órgãos públicos (veja em:  http://www.pcdob.org.br/noticia.php?id_noticia=167186&id_secao=3)

O Estatuto do PCdoB foi aprovado no 9º Congresso em 2009. Com ele, os comunistas reafirmaram seus princípios inamovíveis ao mesmo tempo em que renovaram concepções e práticas de partido, à luz da experiência brasileira e do Programa Socialista renovado.

Mantém-se um partido militante, maior tesouro do PCdoB, com atividades permanentes e não só em períodos eleitorais, organizados e conscientes. A Escola Nacional de PCdoB tem atividades permanentes e, em seu currículo, há aulas regulares sobre a ética e o respeito à coisa pública.

Sempre afirmamos que os preceitos de vida orgânica do PCdoB são importante contribuição à democracia brasileira, que necessita de partidos fortalecidos, definidos ideológica e politicamente, com formações militantes conscientes. Esse é nosso prisma, desde 1922. Orgulhamo-nos do quanto amadurecemos e do quanto nos renovamos.

Um novo projeto nacional de desenvolvimento, cujos desafios estão sendo enfrentados neste momento da história nacional, exige respeito à Política, fortalecimento do sistema político e dos partidos políticos. Uma reforma democrática profunda deve ter como um dos pilares o do financiamento público exclusivo de campanha, com teto de gastos. É liminarmente claro que, ao lado do papel dos órgãos fiscalizadores severos hoje existentes (TSE, CGU, TCU etc), isso eliminaria a grande fonte de corrupção histórica no país: o conluio privado-público na atividade política.

Dessa estamos fora. Sim, aceitem o repto dos articulistas: para interpretação do próprio leitor, segue a íntegra do artigo do estatuto citado: http://www.pcdob.org.br/documento.php?id_documento_arquivo=2

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PCdoB cresce com vigor!

Posted by waltersorrentino on 26th outubro 2011

O PCdoB cresceu acentuadamente em 2011, como vem ocorrendo ano após ano.

O TSE, anualmente em abril e outubro, procede à atualização do número de filiados partidários. O Brasil tem mais de 15 milhões de eleitores filiados a partidos políticos, com base nas informações dos cartórios eleitorais de todo o país.

Os que têm maior número de filiados são o PMDB e o PT. O PCdoB, entretanto, proporcionalmente ao ponto de partida, vem marcando um acentuado crescimento. Além disso, é uma onda continuada há muitos anos, acelerada após a vitória eleitoral de 2002.

Em seis meses de 2011, de abril a outubro, a histórica legenda dos comunistas incrementou mais que 73 mil os novos filiados. O TSE, ao longo dos meses, processando os dados, vai publicando atualizações que também “limpam” registros antigos. Isso somou, no período, 10 mil fichas. Por isso, somados aos 275 mil registrados anteriormente, os comunistas perfazem cerca de 340 mil filiados nacionalmente.

O incremento de filiados dos partidos em seis meses foi diferenciado por blocos conforme apoio ou oposição ao governo Dilma Rousseff. Sobressai-se o PSD, nascido do zero. Na oposição, DEM, PPS e PSDB tiveram crescimento abaixo de 15%. Na base de apoio Dilma mais à esquerda, o crescimento foi de 10 a 20%, sobressaindo-se PCdoB e PSB, mas com o PT dominando em termos absolutos; mais à centro-direita, PP, PR e PTB, estiveram abaixo ou por volta de 10%. PV e PRB dividem com PCdoB os maiores crescimentos.

São distintos os significados do número de filiados conforme a ideologia, o programa e os princípios organizativos de cada partido. No caso do PCdoB, como tradicional partido militante, filiados têm direitos e deveres, diferenciados dos militantes – que têm direito a eleger e ser eleitos nas instâncias partidárias. O passo é possibilitado a cada ano, com a responsabilidade do filiado em adquirir a Carteira Nacional de Militante, ajudando assim a sustentar materialmente a atividade do partido.

Dada esse caráter militante e organizado do PCdoB, um sistema próprio de registro militante é mantido na direção nacional, o Rede Vermelha. Ao longo dos próximos meses ele será alimentado com os dados provenientes de quase duas milhares de conferências municipais nos 26 Estados e no Distrito Federal. Aí são cadastrados todos os militantes que participaram com seu voto nas decisões partidárias. Estima-se um incremento militante do PCdoB da ordem de 35%, ainda maior que o número de filiados, dado o grande esforço conscientizador e politizador feito ao longo do ano na atividade partidária.

Em setembro último, o Comitê Central deliberou “uma grande iniciativa”, ou seja, um grande movimento de levar o novo Curso do Programa Socialista em vídeo para alcançar toda essa militância cadastrada, desde a base. Resta ainda a luta permanente por dotá-la de atividade permanente e dinâmica no interior das organizações partidárias de base.

O PCdoB é isso: um partido marxista e leninista, com ideário definido, um programa socialista e conformação organizativa bem definida. Por mais que esse crescimento incomode, motivando ataques raivosos e inescrupulosos como se verifica hoje por parte de toda a grande mídia, é uma legenda histórica, fiel a seus princípios e indispensável à nação.

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Uma Grande Iniciativa

Posted by waltersorrentino on 22nd setembro 2011

O Comitê Central propôs a todo o partido no país “uma grande iniciativa”: desde já, no curso das conferências, até maio de 2012, levar a todo o coletivo, desde a base militante, o novo Curso sobre o Programa Socialista, em vídeo, que está sendo ultimado neste mês de setembro.

Isso se configura uma grande iniciativa também para o compromisso firmado no 7º Encontro Nacional sobre Questões de Partido: perseguir diligentemente vida militante regular na base partidária.

O título faz referência direta ao espírito revolucionário apontado por Lênin num texto simples e magnífico escrito em 29 de junho de 1919. Partia do exemplo heroíco dos operários na retaguarda em sustentação do heroísmo dos soldados vermelhos na guerra civil, em defesa da revolução. O heroísmo de massas tomou a forma de trabalho voluntário de milhões nos “sábados comunistas: “a iniciativa consciente e voluntária dos operários no desenvolvimento da produtividade do trabalho, na passagem a uma nova disciplina do trabalho e na criação de condições socialistas na econo mia e na vida”.

Essa foi uma das origens do posteriormente célebre movimento stakhanovista, de emulação dos trabalhadores para alcançar patamar mais elevado de produção e de produtividade social do trabalho. Nisso residia, para Lênin, a essência da superioridade do socialismo sobre o capitalismo e, “em última análise, o mais importante, o principal para a vitória do novo regime social”. Lênin tinha incrível capacidade de partir de fatos concretos, até pequenos, e erigir uma reflexão em grande narrativa sobre o presente e o futuro da revolução. O texto ficou famoso por uma definição mais explícita de classes e de uma estratégia política da classe operária para o novo regime social.

programa-socialista-001Os tempos são outros, a vibração é a mesma. Em todo o mundo capitalista é cada vez mais tangível a necessidade de discutir alternativas programáticas para as graves e insanáveis contradições desse sistema. No Brasil, a nova conjuntura vivida com o agravamento da crise capitalista indica que se faz possível para a nação romper limites, superar patamares.

O mesmo para o PCdoB. Superar-se na questão cada vez mais ingente da construção de um forte partido comunista, como garantia estratégica de sustentação do futuro do Brasil como nação avançada, justa, solidária e socialista.

Ambas as pretensões se cruzam na “grande iniciativa” proposta. O novo projeto nacional de desenvolvimento, caminho do PCdoB para o rumo socialista, está no vértice da luta política atual do país na esteira das oportunidades que se abrem. E igualmente o vértice da onda de choque dos atuais êxitos do PCdoB e de seu protagonismo político. É preciso torná-lo amplo na sociedade e de inteiro domínio pela militância, transformado em instrumento político norteador da ação política e de massas em cada acontecimento de que participam os comunistas.

De igual modo, ainda, é instrumento de formação das convicções, motivações e moral dos comunistas, por uma força partidária que se quer ampla e profunda na sociedade, com a cara do povo brasileiro, de caráter militante e com vida organizada de base como modo permanente de educar politicamente o povo no rumo das transformações estratégicas propostas para o país.

Realizadas as conferências, que mobilizam quase dois mil municípios, com cerca de 130 mil militantes organizados e mais de duas mil e quinhentas assembleias de base, o desafio é mantê-las atuantes. Nos próximos seis meses, o CC propõe o desafio aberto: voltar a reunir todo esse contingente, mais uma vez, ordenadamente, para o Curso do Programa Socialista. Mas acrescê-los da outra centena de milhar de filiados a serem mobilizados para a luta eleitoral.

Será um autêntico teste de força: a partir do Comitê Central, mobilizar todo o partido com uma diretiva concentrada e estratégica para a construção partidária, em todos os sentidos. Bases precisam de pauta, agenda e bandeiras mobilizadoras e a iniciativa proposta é uma delas. Ela vitaminará a construção do partido, temperará a militância e antecipará a grande mobilização eleitoral de 2012.

Ainda disse Lênin, no mesmo texto: “É necessário refletir sobre o significado dos “sábados comunistas” para retirar desta grande iniciativa todas as lições práticas, de grande importân cia, que dela decorrem: o apoio por todos os meios a esta iniciativa é a primeira e principal lição”.

Essa a chave: todos os meios em apoio a esta iniciativa. Em todos os Estados, em todas as cidades, pequenas, médias e grandes, em todas as bases, de todos os tipos. A força mais poderosa da mobilização é a convicção da justeza da diretiva; materialmente, o papel das direções, de seus quadros; e esforço organizativo bem conduzido.

Vamos honrar o chamamento do Comitê Central. Vamos nos concentrar em torná-lo vitorioso, para emular a militância comunista.

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Os que vêm, os que vão, os que voltam

Posted by waltersorrentino on 1st agosto 2011


Alguns vão, é da vida (e sobretudo da luta, dilemas de consciência) de qualquer partido e seus integrantes. Política é atividade conflitiva, por natureza. No caso dos comunistas, envolve convicções e motivações: se escasseiam, ou se prevalece a angústia com o futuro pessoal posto acima de tudo, é inevitável a separação, tanto quanto possível não litigiosa. É uma marca do tempo.

Isso vai a propósito de comunicado de desligamento recente de um deputado do Rio de Janeiro e outro da Bahia. São poucos os que vão, mas o lamentamos. Quisera que ponderassem mais as vicissitudes que os levam a tal atitude extrema, rompendo com trajetória, identidade e bases sociais determinadas.
Para cada um que se vai, neste momento milhares afluem ao PCdoB. Também é marca do tempo: um partido que abre as portas para o povo trabalhador e líderes da sociedade. Partido que tem ideias, estratégia definida, projeto político único democraticamente estabelecido e uma conformação organizativa definida. Partido que pode assumir compromissos claros com os que vão caminhar juntos para fortalecer a legenda. Onde cada um somos parte de um todo.

Pouco refletido, no entanto, é outro fenômeno de grande significado. Diversos dos que se foram voltam, em medida nada desprezível. Sentiram o “mercado” político-partidário hostil, carregado de concorrências pragmáticas, busca de poder sem ideias, legendas sem identidades definidas ou coerentes em cada parte do país. O PCdoB permanece um porto seguro e coerente, parecem dizer, e sua vida política interna é formativa.

Por isso, ao lamentar a saída de quem quer que seja, saudamos os que voltam. Euler Ivo e toda sua forte corrente de quadros de massas retempera o partido em Goiás. O ex-vereador Paulo Fonteles e a ex-deputada Sandra Batista se reintegram no Pará. No Amazonas retorna Dora. Em Santa Catarina e Rondônia há sinais no mesmo rumo. Em São Paulo foram vários exemplos de quadros expressivos com Djalma Batigalhia, entre outros, nos últimos anos.

Há fenômenos que não se medem pelo aspecto quantitativo; este é um deles, a nos mostrar a paciência e perseverança política a manter perante os conflitos dos quadros, e a demonstrar a eles que às vezes é preciso “dar tempo” e não perder a perspectiva para que as coisas se assentem em torno de um projeto político coletivo.

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Partido de missão política

Posted by waltersorrentino on 12th julho 2011

Fui convidado a explanar para um conjunto significativo de quadros políticos e técnicos de alto nível que se aproximam do PCdoB a realidade do partido hoje no país. Abaixo ta publico, para partilhá-la com todos que pensam a trajetória do PCdoB e podem contribuir para sua elaboração. A intervenção foi feita em sete de julho.

Fui indagado de como o PCdoB não apenas resistiu e “sobreviveu”, mas vem avançando nos 27 anos de legalidade, ininterruptamente. Como se inscreve entre os maiores partidos comunistas do mundo, fora dos países socialistas. Como prospecta o mundo e o Brasil e o que está fazendo para se preparar como partido estratégico… Como se chegou até aqui, a ponto de protagonizar matérias políticas estratégicas da vida do país, como, entre outras, a do Código Florestal. Por que? Como? Quando se deram passos que definiram esse papel? Procurei dar a opinião, que vai transcrita abaixo.

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9 de julho na terra de Vargas

Posted by waltersorrentino on 10th julho 2011

Reencontrei ontem os companheiros e amigos do Rio Grande do Sul. Dei-me conta de que, embora paulistano, fora comemorar o 9 de julho (feriado estadual em São Paulo, em registro da Revolução Constitucionalista de 1932) na terra de Vargas, onde nasceu o movimento que levaria o Brasil a um novo patamar com a Revolução de 1930.

Duas “revoluções” se confrontaram. A plutocracia paulista levou o povo à guerra civil em nome da Liberdade e da Constituição, mas o Brasil fermentara longamente as mudanças ocorridas em 1930, na fértil e decisiva década de ‘920, quando as raízes da modernidade ansiada foram lançadas definitivamente. Os que morreram no enfrentamento dos paulistas não o mereciam; nosso respeito vai a eles, mas o Brasil venceu em 1930. Durante 60 anos, o nacional-desenvolvimentismo, depois fracassado, abriu caminhos de desenvolvimento, porém sem incorporar o povo à nação e sem liberdades fundamentais. Mas os caminhos de São Paulo eram outros. Confluíram, ulteriormente, com enfrentamentos vitoriosos que levaram ao golpe militar de 1964 e outra vitória temporária no período 1994-2002, com Fernando Henrique Cardoso na presidência.

Liberdades são fundamentais como caminho para novo patamar civilizacional. Elas constituem o único caminho para a decisiva incorporação do povo à nação e ao seu comando. Nada a ver com a pregação da liberdade para impôr guerras no Oriente Médio ou no norte da África, como ocorre nos dias atuais.

Bem, volto ao Rio Grande do Sul.  O PCdoB reuniu cerca de 400 quadros partidários, de 51 comitês municipais, pela primeira vez. Como no resto do país, para debater o partido, o papel do partido, a construção do partido. É isso que me permite dizer: o PCdoB vai surpreender. É um partido de ideias, com visão estratégica clara, tem projeto e está se abrindo amplamente para o povo. Dedica ainda enorme energias por alcançar vida militante de base e forjar quadros políticos. Que outro partido está fazendo isso no país, nessa escala?

No caso do RS, todos estamos “embriagados” com a enorme perspectiva de uma jovem talentosa e comprometida como Manuela D’Ávila conquistar a prefeitura da emblemática Porto Alegre. Foi o que marcou indelevelmente o encontro de ontem.

Entre os amigos, reencontrei os sempre gratos Mara e José Loguércio, irmãos que fazem parte da história do partido no Rio Grande do Sul. Quero partilhar com vocês a reflexão de fundo do “Zé” sobre a premência de partidos leninistas na atualidade do Brasil e do mundo, intervenção educativa que ele dirigiu aos participantes. E, junto com isso, para relaxar, um conjunto de fotos enviados por Mara, que parecem brincadeira, mas talvez sejam um dos grandes retratos da vida da humanidade hoje, registro até antropológico da era atual.

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É preciso liderar

Posted by waltersorrentino on 16th junho 2011

O primeiro semestre de 2011 demonstrou que os comunistas vivem mais um momento significante. Um rol bastante grande de avanços pode ser registrado. No entanto, até devido ao crescimento, há relativa ausência de liderança quanto ao discurso político-organizativo sobre a vida partidária.

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Momento de confraternização no 7º Encontro do PCdoB

Em ano de entressafra eleitoral, com uma orientação política clara, as diretivas traçadas pelo Comitê Central vêm sendo desenvolvidas em todo o país, com ênfase não apenas na construção do projeto eleitoral 2012, mas igualmente no conjunto da intervenção e fortalecimento da vida partidária. O partido foi pólo ativo no amplo debate nacional sobre o Código Florestal e, igualmente, no Fórum das Centrais Sindicais e na Coordenação dos Movimentos Sociais; há vitórias na atuação sindical com os comunistas no interior CTB, das mulheres no recente Congresso da UBM, no movimento estudantil com o próximo congresso da UNE, e a vitória no Congresso da CONAM, que abrange o movimento comunitário.

Foram realizados encontros nacionais expressivos no tocante à comunicação, às questões de partido e sindical. O Fórum de Movimentos Sociais, o Fórum de Parlamentares que organiza a campanha contra o fim das coligações no âmbito da reforma política, os seminários e atividades da Fundação Maurício Grabois foram todos eventos muito concorridos, com milhares de participantes, e que vêm se reproduzindo nos Estados. Marca saliente é a participação massiva, de certo modo inédita, dos comitês municipais das maiores cidades do país: a orientação nacional está chegando mais aos meandros partidários. As frentes de direção do trabalho internacional, da mídia, saúde, cultura, direitos humanos, meio ambiente, contra a discriminação racial, esporte e todas as demais continuam desenvolvendo ações e elaborações intensivas.

A questão saliente de o PCdoB se apresentar como alternativa política efetiva mobiliza muitos quadros da sociedade.  O propósito de se abrir para a sociedade e para o povo vem provocando um frêmito de expectativa quanto a abrigar lideranças emergentes e dar lugar a uma identidade partidária ainda mais característica de nosso povo. Ao mesmo tempo, o partido vinca a imagem de que pode assumir e cumprir compromissos com os que ingressam tendo em vista um projeto político comum, ao lado do esforço claro de reforçar a estrutura de direções e de vida militante que assegurem a unidade do projeto com a política no posto de comando.

É mais uma relativa mudança de fase, como vem ocorrendo nos últimos anos. As linhas definidas são as responsáveis por esse percurso e elas devem estar no foco dos esforços da direção nacional, por consolidá-las e extrair delas todas as consequências.

Um partido amplo, de múltiplas intervenções, mais influente é, consequentemente, mais complexo de dirigir e unificar. Entre as múltiplas dimensões a alcançar, destaco a que ainda é pouco visível ou assimilada: é preciso liderar com mais intensidade o discurso político-organizativo da vida partidária, como parte da consolidação do papel do PCdoB. A vida mostra que esse é um diferencial dos comunistas, ao tempo em que os partidos políticos em geral estão imersos em grande pragmatismo de curto prazo e dedicam pouca ou nenhuma energia à questão militante.

Por vários anos o discurso do PCdoB nessa matéria acentuou o crescimento das fileiras partidárias: não ser apenas um partido de quadros, mas um partido leninista de quadros e de massa. Isso segue indispensável. Assim, foi um avanço compreender que a construção partidária se efetiva no plano político, ideológico e organizativo, de tal sorte que ela envolve todas essas esferas, necessariamente, em diferentes perspectivas. Para dar conta disso, se constituiu o conceito de estruturação partidária, o qual materializa as linhas políticas da construção em condições concretas.

Essa é linha política de estruturação partidária. A nervatura é a política justa no comando, a identidade partidária e a estrutura organizada; esta se assenta inteiramente na política de quadros e nos pressupostos de vida militante de base. O 7º Encontro Nacional sobre Questões de Partido, realizado em abril último, em São Paulo, produziu orientações claras e renovadas quanto a isso. Como toda linha política, envolve luta por sua assimilação e implementação prática. Esse é o esforço em curso hoje. Nas conferências do segundo semestre estará à prova, para produzir um sistema de direções estaduais mais fortalecidas, apoiadas em comitês municipais mais maduros em cerca de 2.500 municípios e retemperar a militância em toda a extensão. O alvo especialíssimo são as 300 maiores cidades do país.

A questão é que com a maior e diversificada influência do PCdoB, desenvolvendo-se às centenas os quadros partidários, líderes em seus campos de ação, há um relativo vazio quanto a liderar, no interior do partido, o discurso político-organizativo da vida partidária. Essa não é matéria organizativa, mas de todos os dirigentes partidários; não é também “questão interna”, porque o tema partido (ou crise dos partidos) se transformou em debate que alcança parcelas combativas da sociedade.

Hoje compreendemos melhor que antes a questão de integrar decisivamente política e organização, e o de incentivar a liderança do discurso político-organizativo da maior vida partidária. Isso, em suas respectivas dimensões, abrange a todos os quadros, onde quer que atuem. E se os principais líderes políticos e de massa do partido não o encabeçam ou lhe dão sustentação, tanto quanto os presidentes e secretários de comitês, não ganha credibilidade, reduz-se indevidamente a tarefas organizativas esquemáticas e impotentes.

Dos gabinetes ministeriais e parlamentares até as frações de entidades representativas; das direções partidárias às bases que precisam se consolidar em atuação mais regular; da atuação no movimento social até o da academia e instituições da ciência, há sempre novas exigências para melhorar a atuação organizada e unitária dos comunistas. Que sentido tem fortalecer direções se elas não se reúnem regularmente? Que sentido tem ampliar as fileiras se elas não produzem vida associativa dos militantes em formas diversas e regulares de organizações desde a base? Por quê esse discurso deveria ser confinado a uma dimensão meramente “organizativa” e segmentada, ao invés de ser universal, e afirmado por todos? Em várias direções estaduais, hoje, não há quem se disponha a liderar o discurso político-organizativo e, realmente, não há como fazê-lo sem que os presidentes se ponham à frente.

A questão é essa: as lideranças políticas do PCdoB, seus agentes públicos, as lideranças internas, em primeiro lugar os presidentes e secretários de organização, todos precisam se apresentar perante os 300 mil inscritos no Partido, com essa mensagem. Escrever, proclamar, agitar, educar, promover esse esforço. Esse é o legado maior e mais imediato do 7º Encontro, para este momento: reforçar esse discurso e a liderança desse discurso em todo o partido. As conferências são o momento crucial que nos põe à prova nesse rumo e, se vencermos, será outro poderoso fator de avanço do PCdoB e educação da militância. A linha justa se comprova na prática e ela estará submetida ao teste maior no segundo semestre.

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Seminário Internacional Comunista: uma apreciação

Posted by waltersorrentino on 15th maio 2011

Seminario Comunista Internacioal Bruxelas 2011

O seminário teve por tema a crise e o fortalecimento dos partidos comunistas, como informado nas três últimas matérias. É a 20ª vez que ele se reúne, por iniciativa do PT da Bélgica.

Nele se manifestam todos os convidados, com disciplina e camaradagem. Há diferentes visões da teoria da revolução no geral, mais particularmente no 3º mundo. Nesta edição, situações específicas como as do Oriente Médio e mesmo da América Latina exigiriam e necessitam ser mais aprofundadas, com melhor informação, para poder se expressar num consenso mais avançado.

Sobre a crise, o primeiro ponto, não há inteira convergência de análise, nem sequer sobre os conceitos e categorias que melhor se apliquem. Uma crise estrutural do próprio sistema capitalista – que julgo abordagem correta – muitas vezes é ponto de partida para proposições politicamente maximalistas ou de radical economicismo, tipo colapso indeclinável do sistema, “crise final do sistema”.

Análises mais multifacetadas e realistas se prendem à premissa de uma crise financeira do capitalismo neoliberal, que se estendeu à esfera da economia e vem produzindo grandes crises sociais em desfavor dos trabalhadores e povos. As saídas se prendem a rupturas com as poderosas engrenagens do imperialismo das potências financeiras e este reage com seu poderio monetário, financeiro, comercial e cambial, sem falar das agressões militares. Mas, embora se observe um declínio relativo das potências neste momento de crise, em particular dos EUA, o capitalismo tem capacidade de desenvolver-se sob as contradições e crises inevitáveis que se desenvolvem.

Um pano de fundo poucas vezes acentuado – mas que julgo muito importante – é se as grandes aquisições da revolução científico-tecnológica vão produzir um novo salto de paradigma do sistema produtivo. Nesse caso, se estaria, ainda sob a égide capitalista, elevando a produtividade social do trabalho e o superlucro dos monopólios.  Quer dizer, retomar o tema de fundo das forças produtivas e seu desenvolvimento é necessário, em interligação com as respostas capitalistas às suas contradições inerentes ou por saídas socialistas.

Há de todo modo o consenso bem focado de que se trata de decorrências das contradições intrínsecas do sistema capitalista, em cujo enfrentamento se acirram os antagonismos entre capital e trabalho, como também aquelas inter-imperialistas e entre as nações poderosas e os povos e nações dependentes. E isso cria possibilidades de fortalecimento dos partidos comunistas.

Nem sempre se acentua suficientemente as profundas alterações do equilíbrio geopolítico do mundo, aceleradas pela crise. BRICS são bastante citados, mas em particular o papel das lutas latinoamericanas e do Caribe, agora inclusive a partir de governos populares ou democrático-progressistas, em contraponto aos interesses imperialistas dos EUA, não é inteiramente bem aquilatado em toda a Europa ou gera muitas controvérsias políticas. Em geral, envolve o debate sobre o caráter anticapitalista que deveriam assumir esses governos, subestimando, talvez, aquilo que é muito proclamado em palavras, o enfrentamento dos interesses e estratégia dos EUA para a região.

Ou seja, os enormes avanços em termos de desenvolvimento, soberania, política exterior autônoma, democratização e, em termos menos saliente, distribuição de renda que se promove a partir de vitórias eleitorais ocorridas na Venezuela, Uruguai, Bolívia, Equador, Brasil, Argentina, Paraguai e que pode ser avançada no Peru com Ollanta Humala. Essa eventual subestimação teria um peso terrível pois que os EUA reagem à nova realidade de maneira estratégica: de um lado a Quarta Frota no Atlântico Sul; de outro, a costura do Acordo do Pacífico, com Tratados de Livre Comércio num arco que vai do México até o Chile, mas pode ser rompido no Peru.

Ressalto isso porque, ao lado dos levantes populares que se verificam no mundo árabe, a realidade da América Latina é ponto destacado na resistência que se trava no mundo contra a crise e o legado neoliberal. No caso, não só resistência mas caminhos alternativos exequíveis. A dificuldade parece residir na avaliação do peso da questão nacional na atualidade dos países dependentes. É certíssimo que a questão nacional tem conotação inteiramente diversa para a esquerda europeia, justamente, desde as formulações de Lênin. Mas seria um grande problema absolutizar apenas a contradição capital X trabalho e subestimar a enorme consequencia que tem o combate pela autodeterminção nacional nos países dependentes, inclusive como reserva estratégica da luta dos próprios europeus inclusive.

Do mesmo modo, a realidade da China continua a desafiar não só os comunistas, mas todo o mundo. A evolução daquela experiência, mantendo-se sob comando de uma força comunista sob o plano estratégico da construção do “socialismo com caractererísticas chinesas”, pode gerar muitos interrogantes, mas não ser desconhecida como força isoladamente mais poderosa para o sucesso ou insucesso da luta socialista, dada sua pujança econômica e papel mundial crescentes.

O segundo ponto é sobre o partido comunista. Em palavras há total convergência: partidos fortes, proletários, marxistas-leninistas, com influência de massa, que demarquem com o oportunismo de direita ou de esquerda, aprimorem o centralismo democrático e o sentido militante ligado aos trabalhadores e ao povo. Mas as experiências diversificadas existentes não são muito assimiladas reciprocamente, dado o estágio de retomada em que se encontra o movimento comunista no mundo.

De todo modo, seria preciso uma melhor mediação entre os princípios e sua manifestação concreta por meio da orientação política de cada partido, no contexto da apreensão da realidade concreta de cada país e de seu desenvolvimento histórico. Uma tendência a “dar notas” segundo pretensa maior ou menor adesão a “princípios” seria bastante improdutiva. Ademais, seria necessário examinar a influência real desses partidos no âmbito da realidade política e inserção social em cada país, ao lado do desenvolvimento teórico que são capazes de produzir para reformular programas e estratégias de luta.

Nesse sentido, a questão nacional, seja nos termos da realidade do Norte da África ou Oriente Médio, seja nos termos do capitalismo dependente da América Latina, gera controvérsias. A defesa dos interesses nacionais, como em China, Vietnã, Cuba ou Coreia, nem tanto. Mas quando a questão nacional se apresenta em Rússia, por exemplo – ou no Brasil, ligada aos caminhos da luta pelo socialismo, ao lado da questão democrática e popular – a controvérsia se eleva. Na preocupação crítica, se ressuscita um conceito-categoria de burguesia nacional ou compradora, de modo anacrônico.

A questão do desenvolvimento autônomo e soberano, democrático e popular, para atender às demandas sociais, é bastante subestimada como caminho para o socialismo. A luta patriótica nessas circunstâncias, enfim, é um dos pílares estratégicos da luta dos comunistas pelo socialismo na história, como em Cuba ou Vietnã . Inclusive, ela pode adquirir o caráter de contradição principal em dadas circunstâncias, mesmo fora do âmbito estrito da luta de libertação nacional, como é o caso em países capitalistas monopolistas porém dependentes. Agora, com a hiertrofia da esfera financeira hegemonizando a reprodução do capital e a divisão internacional do trabalho, o papel dos Estados nacionais autodeterminados, de orientação avançada, são fatores fundamentais de luta por desenvolvimento soberano. Tal luta integra a ampla frente antiimperialista que é necessário estabelecer no mundo, o que se constitui, ao mesmo tempo, em direção anticapitalista, pela transição ao socialismo.

A questão se liga também às formas de lutas: preconceitos claros são manifestados quanto à luta eleitoral-parlamentar. Toma-se por conteúdo aquilo que é forma de luta. Em geral, é muito reduzida a presença parlamentar dos partidos comunistas, quando existe; em geral, também, há excessiva preocupação com o “eleitoralismo”, como forma de luta que abre as portas ao oportunismo “de direita”.  Em muitos casos se subestima o oportunismo de esquerda, feito de proclamações maximalistas sem influência real nos acontecimentos, de forte base dogmática.

Quer dizer, ao lado da consciência de que é preciso apresentar alternativas políticas, há muita dificuldade de enquadrar a luta institucional-eleitoral dentro de uma reflexão estratégica de acumulação de forças, combinando formas de luta. Daí a importância das experiências comuns a nós hoje em vários países da América do Sul, além da África do Sul e partidos comunistas como os da Índia.

Em conjunto, manifesta-se nesse âmbito uma visão congelada do marxismo, ainda excessivamente eurocêntrica, ou mais, centrada na experiência soviética. Curiosamente, porque durante a maior parte do tempo o PCUS fez a defesa nacional e patriótica com que se possibilitou a vitória na guerra e a transformação da URSS em potência. O mesmo em Cuba, hoje: quem questiona o indispensável patriotismo de Martí, integrado ao pensamento estratégico do PC de Cuba? Além disso, o leninismo não é só em palavras que se define por análises concretas de realidades concretas como o prumo da orientação política dos comunistas.

Se é difícil apreender uma realidade nacional, formular um programa e uma estratégia, sobretudo a “maldita questão tática” que lhe dá materialidade, imagine-se o que seja apreender de passagem essas realidades em múltiplos países e formular juízos… Felizmente, prevalece o sentido de camaradagem e aprendizagem mútua, com muito respeito por parte de todos.

A declaração do Seminário será publicada logo. Foi formulada por consenso, embora cada partido tenha liberdade para assiná-la ou não. O mesmo quanto a uma moção sobre os acontecimentos no mundo árabe. Uma próxima edição do evento para 2012 terá por tema a relação entre luta por reivindicações e tarefas imediatas e a luta pelo socialismo como alternativa política, em ligação com o reforço político, ideológico e organizativo dos PCs como força dirigente da luta.

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