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São Paulo, 458 anos

Publicado por waltersorrentino em 24/01/2012

Sanpa 1

458 anos de Sanpa, nossa querida cidade, a maior metrópole do país e uma das maiores mundiais.

Vão aqui as homenagens de um paulistano da gema, aproveitando imagens e reflexões da melhor coisa que se fez sobre São Paulo nos últimos anos. Refiro-me à revista editada pelo mandato do querido companheiro Aldo Rebelo, por ocasião de sua candidatura a prefeito em 2008. Assim, homenageio também a ele: um alagoano que se fez um dos símbolos da cidade que o acolheu e, antropofagicamente, o fez paulistano ao mesmo tempo em que a cidade se fez síntese do Brasil, integrando gente de todo o país e de praticamente todas as partes do mundo. Esse é o belo cosmopolitismo da aldeia.

No início era a escola. Ao contrário da maioria das cidades, que surgiram de quarteis, Sanpa nasceu abnçoada pela educação. Os jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta ergueram, em janeiro de 1554, com ajuda de índios e caboclos, a escola que foi semente da metrópole, o Páteo do Colégio. O projeto evangelizador era baseado na educação e na igualdade. A ideia dos fundadores ainda mora no coração dos paulistanos.

As torres da Catedral da Sé apontam a grandeza do horizonte de SP, no marco zero da cidade. Símbolo de esperança dos paulistanos, alma e corpo da metrópole.

O museu do Ipiranga é dos monumentos que mais representam a cidade. Berço da Independência do Brasil, Sanpa destaca-se por conduzir as transformações do país. Para que São Paulo cumpra seu ideal é preciso preservar sua alma, sua beleza, sua cultura.

A cidade líder do Brasil. O espírito bandeirante de São Paulo desbravou o Brasil. O Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, impõe-se como símbolo da cidade como que para lembrar-nos que a marcha continua. Primeiro foi Raposo Tavares, Borba Gato, Fernão Dias e outros. Agora é o tempo dos Severinos, dos Giovannis, dos Mustafás, dos Yamadas. Sanpa tem de exercer sua liderança também na América Latina e no mundo. Para isso sua população precisa estar preparada e unida. O brasão municipal já diz tudo: “Não sou conduzido, conduzo”.

São Paulo é terra de sonhos e oportunidades mediante o trabalho. Os brasileiros que aqui nascem e os que aqui chegam querem construir suas vidas, estabelecer raízes, plantar e colher os frutos do crescimento com educação, saúde, paz e justiça social. O trabalho é a força de São Paulo, de onde nasce o quadro “Operários” de Tarsila do Amaral como retrato sensível da vida do povo tyrabalhador, homens e mulheres simples, mistura de raças e povos que, de São Paulo, ninspiraram a luta sindical nacional.

Em São Paulo, brasileiros e estrangeiros se fundiram em uma só cultura. Uma multidão que acorda cedo e dorme tarde movida pelo sonho comum de crescer com São Paulo e fazer São Paulo crescer. Na terra onde os sotaques e os temperos se misturam, as diferenças se encaixam para criar unidade. A cidade é generosa, mãe que acolhe todos de braços abertos. A luta é para que todos tenham direito a tudo que a cidade oferece.

Generosas foram as contribuições de todas as forças democráticas, progressistas e de esquerda para com São Paulo. Os comunistas a honraram desde sua fundação, na mesma década em que ocorre a Semana de Arte Moderna, fundam-se importantes periódicos nacionais, ocorrem as maiores greves operárias em 1917, até as célebres jornadas grevistas de 1953 e as  lideradas por Lula no fim da década de 1970. Segue nas lutas democráticas contra o Estado Novo, o fascismo, a força expedicionária brasileira, a luta contra a ditadura militar, com forte protagonismo de São Paulo.

Em 1945 foi no Pacaembu que o maior líder comunista da época, Luiz Carlos Prestes, comandou gigantesco comício de esperança. O Petróleo é nosso, na esteira da histórica vitória de Getúlio Vargas em São Paulo em 1950, foi outro marco. Depois, na década de 1970, aqui ocorreu a tristemente célebre Chacina da Lapa, assassinando dirigentes  comunistas.

Aqui foi semeada a luta por justiça social e direitos, com o movimento unificado dos trabalhadores, o movimento contra a carestia, a luta pela anistia e pela constituinte, a vigorosa imprensa alternativa democrática como Movimento. Na cultura, em São Paulo foram semeadas as correntes artísticas mais influentes do país. Em todos os momentos, os comunistas presentes. Desde 1989, construindo as vitórias políticas da última década, que abrem novo tempo para a nação.

São Paulo está destinada a liderar, ombro a ombro os brasileiros de todos os recantos, a grande jornada por novo ciclo civilizatório desenvolvimentista no Brasil. De 2008 para cá, os números expostos se alteraram. Já são 74,3 km de metrô, 35 mil táxis, 7 milhões de veículos. Não para de crescer. Mas segue um défice civilizatório: moradia, educação, saúde, nem sequer há um rodoanel pronto nem transporte de massa para o maior aeroporto do país. O principal rio da cidade, após vinte anos de obras, não está saneado. Sua vida política é um funil estreito para a participação da cidadania: elege-se um prefeito e 55 vereadores, não há subprefeituras ativas.

Por isso também a fecunda sociedade civil da metrópole. Nela residem as esperanças. O principal défice da cidade é a vida democrática participativa, para o que o poder público precisa se fazer mais descentralizado.

Com tudo isso, São Paulo é uma síntese do Brasil. Viva São Paulo.

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