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Dispersar usuários de drogas não é enfrentar o problema

Publicado por waltersorrentino em 06/01/2012

Repercute de maneira forte a ação iniciada pelo prefeito Kassab, em São Paulo, na chamada cracolândia. Trata-se, como se sabe, de uma chaga de múltiplas proporções na cidade. Mas é um tema universal, não só no país como em boa parte do mundo.

Por isso a celeuma. Uma ação da PM, ocupando permanentemente a região, é referida ao efeito “dispersão” dos usuários. O secretário alega uma “estratégia de dor e sofrimento”, advindo da “noia” dos usuários, para forçá-los à busca de assistência sanitária. Ao mesmo tempo, diz-se que visa a coibir o tráfico local.

De outra parte, há crítica ao caráter “higienista” da ação, referida ao meio urbano, e ao desvinculamento de medidas mais integradas, especialmente no tocante à saúde pública. É fato, até o momento, essa falta de estratégia integrada.

Em meio a isso, vai tomando corpo mais uma disputa política: a ação de Kassab (e Alckmin) seria uma antecipação aos intentos do governo federal enfrentar o problema das drogas nos grandes centros metropolitanos. Nesse sentido, o Ministro da Saúde, Padilha, estaria projetando ações nessa direção, com assistência de saúde fornecida por unidades volantes.

A questão é séria. Recuperar o meio urbano é importante, mas deveria ser compreendido como recuperá-la para seus cidadãos, por suposto. A questão dos usuários de drogas em geral, daqueles a “céu aberto” em especial, precisam de uma estratégia combinada, de largo prazo, envolvendo desde o tráfico até, sobretudo, o oferecimento de condições de saúde e sanitárias a quem dela necessita. A presença do poder público naquela região, de modo permanente e multilateral, é parte dessa estratégia.

A questão não comporta disputas políticas menores. É factível e indispensável. Aliás, um dos compromissos de campanha de Dilma Rousseff. Isso exige parcerias para o bem da cidade e sua população.

Ocorre, dizer, entretanto, que há um vício genético recorrente no poder público municipal e estadual de São Paulo: não têm olhos para ver a questão em sua dimensão social abrangente, falta-lhes sensibilidade própria para esse processo de políticas públicas. Veem a cidade de outro ponto de vista, que não a de integração dos cidadãos (ou, por outro ângulo, a veem do ponto de vista de sua base social decisiva para a qual, uma visão meramente higienista se põem). Consequentemente, suas equipes de trabalho não têm substrato para uma ação mais estratégica.

Para ser consequente, do outro lado, em São Paulo especialmente, tem se posto uma disputa permanente em torno de políticas públicas e sua paternidade. Isso, em última instância, configurou o mapa “político” da cidade, com um largo halo vermelho petista na periferia cercando o halo azul dos tucanos no centro expandido. É uma polarização a ser superada com visão política mais consentânea com o que acontece no país.

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