Plutocratas de mercado
Publicado por waltersorrentino em 26/08/2011
Pelo que se lê em jornais, a oposição chegou a seu ponto: a transição da economia brasileira ficou incompleta, referindo-se ao patamar dos juros ainda existentes. Em seminário do IFHC, com o próprio mais a turma do Real (Arida, Bacha, Lara Rezende, Franco e Malan), o diagnóstico é o mesmo de sempre e mesmo assim é surpreendente.
Pode-se resumir tudo a uma frase: limitar os gastos públicos. Daí derivam a inflação, a dívida, o baixo investimento, tudo em correlação com o escandaloso patamar dos juros. Será preciso “paciência” para derrubar os juros, mas o caminho único é o proposto.
Uns lamentaram o não-aproveitamento da excepcionalidade da crise de setembro de 2008 para começar a reduzir os juros. Outros, questionaram exatamente as políticas “keynesianas” do segundo governo de Lula perante a mesma crise – elevaram os gastos públicos (é preciso coragem para negar que esse foi o caminho para o país ser menos atingido pela crise). Outros, ainda, foram mais fundo: o estado de bem estar social pretendido chegou ao limite – há escassez de recursos para o bem estar da maioria da população.
FHC é mais ladino: não há viabilidade política para as conclusões do seminário. A sociedade não formou o mesmo consenso havido contra a inflação com respeito ao gasto público. Foi menos contundente que Gianotti: então, que fazer com essa gente (beneficiada pelas políticas de bem estar social)? Ou Maria Hermínia: aprendi o que é bem público com vocês (sic), apontando incompatibilidades entre eficiência na economia e bem estar social.
Lembrar não custa: o mal chamado estado de bem estar, entre nós, data da Constituição promulgada em 1988 e é ainda muito discreto, para dizer o mínimo. Dali nasceu, aliás, o PSDB… Suas origens foram negadas. Hoje é o partido da “eficiência econômica”, leia-se, dos “mercados”.
Essa gente tem outro projeto de país em mente: atrelá-lo à ordem financeira internacional. Por que reclamar quando se lhes diz que, no fundo, buscam outro tipo de Estado, pondo-o diretamente a serviço do “mercado” e consolidando a dependência. Já fizeram privatizações e desconstituíram o Estado nacional em boa medida durante oito anos.
O que é surpreendente é que essa gente ficou sequestrado no antigo consenso, hoje em ruína. Não consegue lidar com o mundo que mudou, na economia e na geopolítica. É preciso um projeto de nação, não um projeto econômico apenas. O que existiu durante trinta anos na “nova” ordem mundial não durou e não prestou. Não sabem o que pôr no lugar das antigas crenças, mas seguem servindo seu deus mais mercado-menos Estado.
A (in)viabilidade de suas propostas é notadamente política e se expressa nas urnas em três eleições presidenciais consecutivas. Falam uma língua que não diz nada à maioria da população. Representam os plutocratas hodiernos. O futuro para eles vai demorar um pouco.

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26/08/2011 às 16:43
O canalha-mor FHC não tem a mímima condição de fazer qualquer avaliação da economia política do país. Não devemos tentar exumar este anti-nacionalista e seus asseclas, como a Dilma está cheia de graça com ele. O vacilante, acéfalo, desiquilibrado governo central Petista só quer falar em conferências onde o debate é pautado em políticas públicas (esparadrapos de políticas sociais) e não tem o verdadeiro plano devenvolvimentista-nacionalista. O plano real de Nação de Brasil.