EUA: saída à japonesa
Publicado por waltersorrentino em 02/08/2011
A crise política dos EUA em torno da votação no Congresso do aumento do limite de dívidas deu uma saída à japonesa.
Quer dizer, prolongará a estiagem da economia estadunidense, agravará as políticas sociais e o desemprego, manterá o país em semi-estagnação. Como o Japão ao longo das últimas décadas.
Delfim Netto, escrevendo em Carta Capital antes da votação, vai ao ponto. Obama foi sequestrado pela ofensiva conservadora, apequenou-se politicamente e fraudou a esperança motivada na campanha presidencial. Recebeu uma herança maldita, é verdade, mas não a enfrentou.
O problema nos EUA é, assim político, e politicamente foi encaminhado o acordo votado enfim na segunda-feira: concessões terríveis que prolongarão a falta de confiança nos investimentos, com pesados custos sociais. Custos políticos também, como diz Delfim Netto: “O cabo de guerra entre republicanos e democratas que estamos assistindo no Congresso americano tem como objetivo definir quem chega mais bem fantasiado na festa eleitoral do ano que vem”. Refere-se à decisão adiada para o ano eleitoral quanto a dar calote seletivo em dívidas de governo impagáveis.
Obama pode chegar sem roupa a 2012.
A íntegra do artigo citado você encontra em http://www.cartacapital.com.br/politica/explica-mas.
A propósito. Saída à francesa, algo como sair de situação conflitiva sem ressentimentos, foi a crítica mordaz feita por Stendhal aos franceses, que houveram perdido o impulso e paixão da vaga revolucionária que promoveram em toda a Europa. O autor a ironizou com a saída à italiana, cheia de energia e potência no tempo de sua obra A Cartuxa de Parma.
À japonesa fica com o pior dos dois mundos: nem energia, nem potência, mas cheia de ressentimentos que dividem o povo estadunidense.

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