PCdoB em fase muito especial
Publicado por waltersorrentino em 21/07/2011
A 13ª. Reunião da Comissão Política Nacional, no último dia 8 de julho, teve um debate inusual. Foi examinado o desempenho partidário deste semestre com base num mapeamento e conclusão apresentados pela Secretaria Nacional de Organização (vide link http://www.portaldaorganização.org.br/?p=6709), para concluir a realidade de uma nova escala de exigências de trabalho nacional de direção. O mapeamento cruzou, para todos os Estados, a construção do projeto eleitoral 2012, como ponta de lança da intervenção política e social do partido; com o monitoramento das conferências de 2011 para descortinar as perspectivas da trajetória partidária nos Estados; e, em particular, a constituição de novos núcleos de direção e o ingresso de lideranças nacionais expressivas em todo o país.
O sentido inusual não se refere aos avanços, felizmente progressivos no PCdoB das últimas décadas. Apenas que não se pode esperar o próximo Congresso em 2013 para avaliar desempenho e fazer ajustes necessários. De fato, o nível alcançado pelo partido em todo o país, particularmente a interiorização intensa que vem ocorrendo, vêm criando para a CPN grandes empenhos.
A essência das soluções foram assentadas na preparação dos quadros, a partir de apontamentos ao debate feitos por Renato Rabelo. Foi esse o enfoque apresentado pelo relator, Walter Sorrentino (vide abaixo). Pode-se dizer, em última e sintética instância, que as questões nevrálgicas são seguir com uma política justa e ampla no posto de comando, e insistir na Política de Quadros aprovada no 12o Congresso. A completude da instituição do Departamento Nacional de Quadros (vide matéria em link http://www.pcdob.org.br/noticia.php?id_noticia=158225&id_secao=3) e a próxima instituição do “Estudos Estratégicos”, voltado para a formação dos quadros nacionais, dão indicação da seriedade com que se vem tratando o tema.
Os vetores apontados para os desafios de direção foram quatro.
Uma primeira questão é quanto ao papel do CC, intensificar a participação de todos seus membros e dinamizar seu método de reuniões. Ele é o centro do sistema nacional de direção. Constitui, ao lado das novas direções a ser eleitas nas Conferências Estaduais (e com o fortalecimento proposto dos maiores comitês municipais que vêm sendo mobilizados nacionalmente em maior escala que nunca), o eixo verticalizado da estrutura de direções eletivas. No interior delas, as secretarias e coordenações nacionais-estaduais, que estão dotadas de linhas claras e bem definidas e devem seguir sendo fortalecidas, reforçam essa verticalidade que garante a unidade partidária na ação, em bases institucionalizadas e democráticas.
A segunda questão é elevar as exigências da direção nacional, geral e concreta, política e político-organizativa. Novo passo precisa ser dado quanto ao papel da CPN, conforme já proposto desde o 12º Congresso. São dois movimentos compostos: 1) unir indissoluvelmente o seu papel enquanto direção política mas também enquanto líderes do discurso sobre a construção e estruturação partidária; 2) intensificar o papel dos membros da CPN como dirigentes nacionais em todo o país, do ponto de vista concreto e não apenas geral. Ou seja, para além de suas frentes de atuação ou das funções em seus Estados, tanto quanto possível e crescentemente eles precisam se dirigir a todo o país.
Isso, para além dos membros titulares das secretarias, deverá envolver os demais membros da CPN. Liderar o partido em todo o país a partir da condição de membro da CPN. Nossa presença ajuda muito nos Estados, não se sobrepondo aos membros do CC que lá atuam. Cria um movimento, dá uma sinalização, mostra uma disposição, ilustra por ângulos variados a orientação política, ideológica e de estruturação do partido. Hoje essa presença é reclamada também nos comitês municipais: é um movimento que precisamos aprofundar, dar exemplo que repercute mais amplamente em todo o partido…
Isso não pode ser semiespontâneo. Carece-se de ter informação e prestar, depois, a informação correspondente à intervenção feita. Essas informações convergem para o Sistema de Gestão Integrada, para garantir um fluxo de informação dinâmico. Concretamente, formulamos seguinte plano de envolvimento crescente da CPN nessa esfera.
Terceira questão, correlata, é fortalecer o trabalho de direção nacional da organização, fazendo-o presente de fato no controle e mobilização partidários em todo o país, em apoio à direção política dos membros da CPN. A questão de MAIS VIDA MILITANTE, retomada em novas condições no 7o Encontro Nacional, será uma grande e prolongada batalha, com a qual a direção nacional se comprometeu. Não queremos nem podemos perdê-la. Lembram-nos que o novo modo de direção organizativa proposto no 7o Encontro Nacional sobre Questões de Partido implica a constituição de fóruns de quadros de base e fóruns de quadros intermediários, nas grandes cidades, que se ocuparão da estruturação orgânica da vida partidária desde a base.
Por isso o fortalecimento da CNO. Ela precisa chegar a todo o país, regularmente. Para isso, os Estados são instados a liberar maior energia em apoio ao trabalho de direção nacional, particularmente nos casos de BA, CE, PE, AM, RS, RJ e MG. Não é mais tempo de apoiar o grosso do esforço de trabalho de apoio à direção nacional com quadros auxiliares provindos do estado de SP.
A quarta questão, nova em dimensão, é manter e aprofundar o importante movimento que é a criação, fortalecimento ou diversificação de Fóruns partidários que integram centenas e milhares de quadros dos mais variados níveis à elaboração e ação. Além dos tradicionais fóruns de macrorregião nos Estados, que vão se consolidando como indispensáveis, foram constituídos o Fórum das Mulheres, o Fórum dos Movimentos Sociais, o Fórum Nacional de parlamentares, de democratização da mídia, etc., além do coletivo nacional da cultura. Esse movimento de horizontalização democratiza a elaboração, compromete mais extensa estrutura de quadros e tem dado dinamismo sem par ao trabalho de direção.
Em suma, a proposta apresentada foi de um nova modalidade de descentralização/centralização política do trabalho nacional de direção concreta, tendo por vértice a CPN; o fortalecimento da institucionalidade vertical, direções com mais autoridade política nos Estados e municípios; ampliação da horizontalidade de fóruns partidários.
Com base nisso foi formulada uma proposta que está em construção. Quanto ao Comitê Central, o de dinamizar métodos, com base numa enquete realizada entre seus membros na última reunião. Para a direção nacional concreta, propôs-se uma articulação com atribuição de responsabilidades entre o Grupo Permanente de Trabalho Eleitoral, os membros da CPN e o fortalecimento da Comissão Nacional de Organização.
O esforço será o de intensificar a presença de líderes da CPN em todos os Estados do país, chegar mais próximo aos comitês municipais e fazer acompanhar o trabalho de direção política com o trabalho de direção organizativa, como proposto no 7º Encontro Nacional sobre Questões de Partido. Quanto à CNO a ideia é chegar de fato a todo o país, acelerando a assimilação e aplicação da linha traçada.
A hora é boa para plantar; é preciso semear. Quer dizer, secundar a autoridade e o esforço da CPN com um trabalho especificamente de controle organizativo sobre a mobilização partidária e os quadros, em especial quanto aos quadros intermediários e de base. Assumimos o compromisso com essa batalha da qual depende a vida militante de base; precisamos vencê-la.
As Conferências já serão palco desse método. Proximamente será instituído o Sistema de Gestão Integrada, cujo papel será o de assegurar informação em tempo real sobre a situação do país nos 27 Estados, permitindo aos membros da CPN um trabalho efetivo de direção a cada momento.
São boas alvíssaras da direção nacional, que refletem o avanço do trabalho do PCdoB. Em fases assim, nos obrigamos a redobrar os investimentos na construção partidária.
Extratos da intervenção de minha intervenção na 13ª. CPN
A questão de nova escala para o trabalho da direção nacional é pertinente: ajustar o trabalho à força e complexidade exigidas pelo nível da atividade partidária. É próprio do metabolismo partidário responder à realidade de expansão da influência partidária com medidas elevadas de direção, fortalecidas nas linhas, atualizadas nos métodos. Isso diz respeito aos órgãos de direção.
No Balanço afirmamos que as chaves para consolidar as potencialidades do momento vivido estão em dois fatores: uma orientação política que vem se mostrando justa e produtiva; quadros que a interpretem e liderem o partido na perspectiva de avanços.
Pode-se dizer, em última e sintética instância, que a questão nevrálgica é seguir insistindo na Política de Quadros aprovada no 12o Congresso.
Assumimos o compromisso de forjar uma nova geração dirigente do PCdoB para os próximos dez-quinze anos. Isso está em curso, sem sempre da forma mais consciente possível e, em especial, autoconsciente por parte dos quadros nacionais. Essa é nossa batalha partidária estratégica, de certo modo a mãe de todas as batalhas. Ela tem concepção larga, se concentra nos quadros nacionais, e institucionalmente diz respeito centralmente ao papel do CC. Mas se estende decisivamente para a questão da vida militante no partido, por meio de estrutura de quadros intermediários e de base e um novo modo de direção organizativa. Esse foi o centro do debate do 7º Encontro e este ano de Conferências intermediárias é decisivo isso.
Cada vez compreendemos melhor que a essência do partido comunista são seus quadros. A estrutura mais perene do partido é sua estrutura de quadros. Foi um enorme avanço atualizar a política de quadros no 12º Congresso, dando-lhe um caráter amplo, fecundo e mobilizador. Os quadros são o alfa e o ômega da questão do partido e da revolução.
A opção do PCdoB e o curso adotado foi o de contemporaneizar os desafios da luta do partido comunista. Desde as lições da experiência socialista, de molde antidgomático, todo um programa de trabalho teórico-ideológico, programático-estratégico, político tático e político-organizativo vem sendo empreendido.
Renato Rabelo aponta, com razão, que um limiar foi transposto com a 9ª. Conferência Nacional. Experiência inédita, atuar no seio de governo amplo, sem os comunistas como força principal, com o hegemonismo sem hegemonia de uma força de esquerda limitada estrategicamente, na vigência não só do capitalismo monopolista como também da dominação dos círculos financeiros neoliberais, lançar-se a abrir caminho para objetivos maiores e acumulação de forças estratégicas, compreendendo uma nova janela de oportunidade que se abria, foi de fato uma opção de coragem política. Isso foi o que descortinou o papel do PCdoB no cenário político nacional e seu ulterior crescimento e afirmação.
A rigor, isso nos abriu caminho para a elaboração programática inovadora, numa mudança metodológica na perspectiva socialista que envolve décadas de debate da esquerda brasileira e do próprio partido. Um rumo socialista e um caminho de um novo projeto nacional de desenvolvimento é a marca crescente do PCdoB na luta política.
O partido formula que isso tudo se dá nos marcos de um mundo em marcante transição, hoje caracterizado pela crise do sistema capitalista, na tendência a manter experiências socialistas em outras condições diversas do passado, de emergências de nações em desenvolvimento que lutam por afirmar seu lugar no mundo, alterando a configuração de forças internacional.
Entretanto, ainda uma realidade marcada pela dificuldade de retomada de uma postura ofensiva da proposta socialista como alternativa real e tangível ao regime do capital.
Ser comunista hoje encerra desafios distintos de outros tempos. Enseja, na política de quadros, conferir-lhes ideais, princípios e papeis no curso da luta contemporânea pelo socialismo, e no curso da vida política concreta do país.
Quando renovamos a Política de Quadros, afirmamos que o drama é como encontrar o caminho concreto para a acumulação de forças com sentido revolucionário, no rumo programático. Tudo pelo movimento de acumulação de forças ou tudo pelos princípios não levam àquele porto. Não nos refugiamos em montanhas escarpadas para resistir, e esperar a luta em melhores condições; tampouco consideramos que o movimento é tudo, expresso em curtoprazismo, atalhos pragmáticos, praticismo desenfreado, tudo sem perspectiva estratégica. Não: o movimento é para acumular forças para objetivos superiores, no rumo programático. Atuamos sim no vale em meio a forças mais largas para enfrentar as forças mais poderosas da humanidade – o imperialismo, o capitalismo, o poderio do sistema financeiro – mas pretendemos caminhar nesse caminho não tangidos pelo “rumo natural”, e sim vincar a corrente dos comunistas, ter partido, programa e estratégias maduros, intervenção e influência políticas crescentes, projetos que se apresentem como alternativa política avançada para a sociedade, constituir força organizada autônoma para sustentá-los.
Ou seja, uma teoria e identidade definidas: socialista, programática e politicamente, comunista quanto à ideologia e caráter do partido; ideias, programa e estratégia claros como um partido crítico da realidade capitalista; habilidade e flexibilidade tática; e, acrescente-se, a condição de partido militante, organizado, unido: essas são e devem ser cada vez mais as marcas do PCdoB. Só o PCdoB pode ostentá-las em conjunto hoje no país.
Foi essa a elaboração feita no último período acerca dos desafios presentes para a construção de uma força de fato revolucionária, classista, abnegada e disciplinada. Não têm sido poucos os obstáculos de toda ordem: ideológica, organizativa, material, de pressões pragmáticas… Nunca escondemos os riscos das opções políticas feitas; ao contrário, a linha traçada explicita-os e aponta para combatê-los. Estamos progredindo nessa batalha.
Em especial nos últimos anos, vimos dando um salto na compreensão de que a luta política e a construção partidária são indissociáveis. Política e organização, organização e política, uma a serviço da outra. A política nos organiza mas não espontaneamente. Organizar-se para a luta política, sim, mas compreendendo que é com a organização que se pode materializar a orientação política. E uma das essências da organização, central mesmo na operação concreta, são os quadros – dirigir cada vez mais e melhor a construção do partido por meio da política de quadros.
Precisamos forjar os integrantes dos órgãos de direção e a nova geração de quadros que vamos formando, nessa perspectiva estratégica e partidista como também em consonância com a linha política e político-organizativa.
Walter Sorrentino 11/7/2011

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