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A grande deformação

Publicado por waltersorrentino em 26/06/2011

Mais uma subida de juros pelo COPOM ocorreu dia 9 passado, para 12,25% ao ano. Notícia velha, quem sabe, ou já esperada. Aumenta o coro nacional contra essa chaga: ser campeão mundial de juros, renitente e há tantos anos, é liderar o campeonato dos que não conseguem defender integralmente seus interesses de nação.
Juros

A tabela está em Carta Maior,  onde Amir Khair crava que esse é o veneno brasileiro que impede uma economia saudável. Veja em: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17926&boletim_id=935&componente_id=15157.

No quadro da economia internacional, pode repipocar a recessão. As atribulações da Europa e o quadro econômico-financeiro dos EUA não autorizam outras expectativas, ao contrário. É atribulada a digestão do passivo da crise deflagrada em 2008. Foi salva da morte súbita a banca, dívida privada foi transformada em dívida pública. Mas o défice fiscal arrasta nações inteiras (como Irlanda, Grécia, Portugal, a Espanha e Itália à espreita) a condições leoninas para seu financiamento e a resposta vai provocar mais crise com os despedimentos, cortes salariais, de direitos e de orçamentos públicos. Mais que as guerras comerciais e cambiais de baixa intensidade, a ameaça imediata é a estagnação com inflação.

Compreende-se que o mix de medidas monetárias e macroprudenciais   do governo Dilma seja cuidadoso e processual. Mas é exasperantemente pouco progressiva a sinalização que dá. A equação inflação-câmbio-juros, está desequilibrada e o Brasil, com isso, é o principal porto para a avalanche de liquidez à procura de ganhos. O impacto disso nas contas nacionais são tremendos. Muitos os lembram: juros custam 5,6% PIB (contra média internacional de 1,8%); programas sociais do governo custam 1,1%; rombo externo pode chegar a U$60 bi; as reservas internacionais – necessárias – custarão este ano até outros U$ 60 bi pelo diferencial entre juros internos e externos.

Tal conteúdo e ritmo da política econômica do governo é uma contradição intrínseca do modelo adotado pelo PT, porquanto representa o interesse do mercado financeiro que é remunerado com os juros da dívida pública. O xis do modelo será o índice de crescimento econômico de 2010. Pela positiva, o “Brasil sem miséria” prevê investimentos de até R$ 20 bi até 2014. A segunda fase do Minha Casa, Minha Vida, prevê R$ 125 bi até 2014. As novas concessões ou prorrogações do sistema elétrico envolve opções que permitirão auferir entre R$ 128 bi e R$ 238 bi, so nas licitações das concessões de geração a ser extintas em 2015.

Mas os custos podem ser elevados: os altos juros e câmbio valorizado desestimulam investimentos cuja meta é 23% do PIB até 2014, e afetam fortemente a indústria brasileira.Visto pelo prisma político, o governo teria condições de maior ousadia.

A crise Palocci evidenciou o problema político do governo, que vai sendo superada. O núcleo político de Dilma, por ela constituído desde a campanha, tinha Palocci, Dutra, Cardozo, Rui Falcão e Pimentel. Cardozo ficou menor na crise;  Falcão foi para a presidência do PT; Pimentel é ministro mas pouco saliente até o momento. Os outros dois estão fora. Agora, se está refazendo um núcleo político, mas dependerá da liderança presente de Dilma. Ou lidera o processo político, ou seguirá um vazio, mesmo com o papel importante das ministras Gleisi e Ideli. O PMDB está mais forte. O PT travou batalhas internas voltadas ao passado: a vitória de Maia à presidência da Câmara dos Deputados, a liderança com Paulo Teixeira, a disputa com Vacarezza, a substituição da presidência nacional (!) e a influência pretendida pelos paulistas no Ministério. Não foi uma contribuição do PT ao governo. Por isso, dividido, não blindou a presidente na condução da votação do Código Florestal.

Mas, somadas as forças mais amplas de apoio ao governo, Dilma pode liderar um plano mais avançado para enfrentar a grande deformação nacional: juros e câmbio. Um plano pelo lado desenvolvimentista, com centralização de câmbio e baixa dos juros aos patamares internacionais, antes que a situação mundial piore. Assim se alcança outro patamar para os investimentos e para a defesa da economia nacional.

É hora de deixar para trás esse flagelo do qual não nos orgulharemos jamais no futuro. Apoio não faltará a Dilma nesse rumo; ao contrário, empolgará a nação, embora desagrade o sistema financeiro. Nessa matéria, o interesse de uma é o antípoda do outro.

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