Dar chances à fortuna
Publicado por waltersorrentino em 07/06/2011
A semana será marcada pela expectativa de solução da crise Palocci levada ao centro do governo. O PCdoB se pronunciou a respeito: “a crise na qual está envolto o ministro exige uma solução que fortaleça a autoridade da presidente Dilma na condução política do governo. Esta resposta corresponde aos anseios da base aliada e da maioria da Nação”. Bem que a grande mídia, cínica no apoio incondicional a Palocci e, igualmente agora, na sua desestabilização visando a atingir a presidente, quis ligar isso a mais uma pressão sobre Dilma. Indevidamente como se pode constatar meridianamente.
Dilma intensificar o seu papel de líder política é a variável essencial da equação. Mas isso não se dará sem recomposição do núcleo político de governo. Se o motor da solução é o papel de Dilma, é preciso apaziguar o combustível da crise que foi a opção adotada de eixo político do governo entre PT e PMDB, que levou erroneamente o PT a impor seu hegemonismo sobre o governo como projeto próprio de poder, identificando PT e governo para além da medida.
O debate do Código Florestal é prenhe de lições, não apenas para condução política da matéria pelo governo mas,inclusive, desvelando a falta de capacidade de liderança do PT sobre temas estratégicos nacionais (o PT se dividiu na matéria, como se sabe).
Enquanto isso, na América do Sul se crava mais uma vitória importante com Ollanta Humala no Peru. Em geral, as economias, como no Brasil, estão em situação mais favorável, ao lado dos BRICS. Tudo isso faz parte da nova realidade acentuada pela crise capitalista. No mundo abundam notícias negativas da crise econômica e financeira na periferia da Europa e no coração do sistema, os EUA. Nesse país é frágil a recuperação, e instável. Será longo e demorado a digestão dos passivos da crise que atingem o setor privado e público. Ela vem provocando respostas mais reacionárias e vitórias eleitorais à direita, como em Portugal. Nos EUA o Patrioct Act, não desmontado por Obama, cria situações reconhecidas abertamente como tirania. É um mundo em transição, descongelando não só a realidade criada na guerra fria, como também aquela derivada do “fim da história” com a queda do Muro de Berlim. Durou pouco a “nova ordem mundial” proclamada então.
Tudo somado, ambas as crises representam oportunidades para o país avançar, se houver tirocínio estratégico e não nos perdermos nas pequenas lógicas pragmáticas da política cotidiana. Oportunidades cujo caminho são o oposto do arrazoado de FHC em sua coluna mensal, quando afirma que o país precisa de uma “estratégia consensual” (com quem, com a oposição?) mas que esta “não é um ‘projeto nacional’, expressão que em geral significa o Estado conduzindo o povo para objetivos definidos por um partido ou um grupo de ideólogos”.
A questão é outra: sem projeto nacional em torno do qual se agrupem vastas forças com um núcleo político bem determinado, não se aproveitam oportunidades. É preciso dar chances à fortuna. FHC fala de outras “chances”, de outra inserção brasileira no cenário mundial, de outras formas de dependência sob o tacão do mercado que produziu a tremenda crise em curso.
PS: vejam esse vídeo sobre a situação interna dos EUA, “sintomas de tirania”. Tudo (e mais coisas que nem desconfiamos) é permitido hoje nos EUA com o Patrioct Act. Obama curvou-se definitivamente, ou melhor, eram “muito exageradas as notícias da ‘pegada’ com que empolgou a campanha presidencial.
http://www.youtube.com/watch?v=SN35GLxmk1E&feature=player_embedded

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07/06/2011 às 12:11
Olá Walter e amigos: Se pensarmos em termos de “período” histórico, vivemos a 2ª crise política – a primeira foi a do mensalão. Ambas com um traço comum: a crise tem como vértice a (des) orientação do principal partido, o PT, na condução da aliança e do governo. E ambas tem como alvo minar a liderança do chefe da Nação. E é bem elucidativa a atuação de nosso principal aliado durante a votação do código florestal (o PHA diz que o pavio da crise Palocci foi aceso durante os embates na Câmara dos Deputados, em torno do novo código). Demonstra a necessidade da emergência de uma força de novo tipo, mais coesa e garante de um projeto de longo prazo. Capaz de compreender a necessidade da ampla aliança, para por em movimento as maiores parcelas do povo, uma “maioria heterogênea” que tem em comum a consciência (ou intuição) de que o Brasil pode e tem, agora, a melhor oportunidade de dar certo. É o PCdoB essa força, como tens lembrado a todos nós aqui no blog.