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Mais PT, menor margem de manobra

Publicado por waltersorrentino em 03/06/2011

A situação do governo, neste momento, é a de quem vive um determinado tipo de crise política. A intensidade e profundidade são evidentes.O mesmo diagnóstico parte de onze entre dez observadores: é preciso rearticular a condução política do governo e isso exige liderança política da presidente.

Aos cinco meses de governo, a crise não nasceu na esfera da condução econômica. Esta, se tem contradições inerentes – défices, fragilidades cambiais, riscos para a indústria, dificuldades para alavancar investimentos – não deixa entretanto de se diferenciar positivamente da situação mundial. O governo busca mudanças na forma de condução da política macroeconômica, e Dilma chama a si o papel central nessa área.

Veio da política, como se disse. Mas como e por quê? As circunstâncias foram as de fragilização de Palocci e as enormidades de desencaminhamentos do governo e da base – principalmente entre PT e PMDB – na Câmara dos Deputados sobre o Código Florestal. Aliás, este se revelou a maior polarização política ocorrida na sociedade, no governo e no Congresso, tamanha sua importância e tamanho a falta de dimensionamento do que estava em jogo.

A questão de fundo é que, uma vez posto no centro do palco o eixo PT-PMDB, será difícil evitar esse tipo de derivação mais frequente no governo.

Certamente, essa aliança é indispensável à governabilidade. Mas isso levou em contraponto o PT a buscar se fortalecer isoladamente, para fazer frente ao PMDB.  As forças aliadas mais à esquerda foram (relativamente) apartadas do núcleo político do governo. Trata-se de uma situação que não é emuladora entre os dois maiores partidos da base, mas tendencialmente  instabilizadora do ambiente.  É uma lei física: insatisfações se acumularão com o PT e seu hegemonismo que exclui. O PMDB tem alto profissionalismo no jogo político e dá mostras de ter recomposto uma condução unitária para (quase) todo o partido. E faltou liderança política afeita ao conflito, ao imprevisto, ao comando.

Então a crise não diz respeito apenas aos atributos de liderança política necessários da presidente Dilma: se o motor é o estilo de Dilma, o combustível da crise é a opção adotada de eixo político do governo. Dificilmente será diferente, mesmo com juras crescentes de amor entre PT e PMDB.

Se só houver PT no “centro” do governo mais crises ocorrerão. A sua equação política será pobre e dará sinalização apenas de uma estratégia eleitoral de curto prazo para se perpetuar no poder. Mesmo com a ajuda prestimosa da (inexistência de) oposição, o PT não empolga a sociedade como antes, mesmo que em 2012 cresça como parece provável. Parece uma sina: alguns a chamam de peemedebização, um fenômeno bem brasileiro e cruel. Partidos e seus personagens podem ter maior ou menor consciência disso. A aparente prepotência com que agem indicam que a consciência é muito pouca. O fato é que grande parte dos problemas do governo, desde Lula, tem o PT, suas disputas e seu apetite pantagruélico como origem. Seria casual o fato de que um raio atingisse duas vezes à mesma pessoa?

Dilma é PT e o governo tem o PT na alma. Porém, quanto mais o governo se confundir com o PT, tanto menor será sua margem de manobra para o cumprimento dos compromissos assumidos em campanha. Ao lado da governabilidade, será necessário um “centro” de governo a um só tempo com clareza programática e mais amplo. Restará, mais uma vez, o desempenho real da economia e o avanço do projeto de desenvolvimento sob o governo Dilma, mas este tampouco pode ser liderado apenas pelo PT, como aliás se viu no debate do Código Florestal. Seria a diferença entre ter hegemonia política ou praticar o simples hegemonismo próprio do corporativismo.

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