Tempos de ouro (falso)
Publicado por waltersorrentino em 31/05/2011
Números em si mesmo não levam a lugar algum, não têm pernas próprias. Mas dão dimensões dos dilema agônicos da crise capitalista.
Grécia. Dívida pública de 330 bi euros. Questão de tempo o default. Só está adiado porque ninguém sabe como fazer um “plano Brady”. Só sai empréstimo com intervenção: austeridade e privatizações. Cerca de 38% da dívida é da banca privada. Já falei que em Portugal, por exemplo, os juros dos empréstimos obtidos da Europa são 5,5% para o governo, cerca de 1,1% para a banca. Vão ser décadas perdidas para essas nações e povos, aí incluída a Irlanda, Espanha e, quem sabe, Itália.
EUA. PIB 1º trimestre 2011 só em 1,8%. Mercado projeta 3,5%. Em 2010 f 2,8%. Desemprego em 8,8%. Juro básico 0,25%. Recompra de títulos injetou antes 2,7 tri de dólares, mais 600 bi em seguida. A banca foi segurada. S&P rebaixou nota da dívida do país que foi de 62,7% do PIB antes da crise para 100% do PIB. Défice fiscal foi de 2,7% naquele período para 11% agora.
Enquanto isso, no Brasil, a receita da banca com títulos e valores mobiliários, principalmente papeis públicos federais, cresce mais (6,4%) que o crédito (1,8%). Pudera, com os juros nesse nível!
O que há em comum? A banca. Essa não vem perdendo jamais. Tempos de ouro (falso).

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