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Partido de feições modernas e brasileiras

Publicado por waltersorrentino em 21/04/2011

Ontem tive um debate com a imprensa partidária quando me perguntaram que sentido, afinal, tem a chamada Política de Quadros tão decantada pelo PCdoB em seu último Congresso. Respondi que a política de quadros é essencialmente a de dar consciência transformadora estratégica aos quadros, liberdade de consciência em dedicar energias a essa luta e forjar compromissos de consciência para dar-lhe eficácia. Para não retornar ao documento oficial, lembrei frase de um dos patronos do exército brasileiro – na verdade de sentido positivista – mas que expressa em parte o espírito das coisas: “É fácil comandar homens livres. Basta indicar-lhes que cumpram seu compromisso de consciência”. Quadros políticos, para o PCdoB, são a essência da força política organizada; no caso, da fidelidade ao povo trabalhador, à nação e ao socialismo, bem como dos compromissos e disciplina partidária em torno da causa comum definida estrategicamente no Programa Socialista do PCdoB.

Quero dizer que apesar de tema partidista, a importância dele vai além disso. A questão envolve a construção de força política apta a abrir caminho para um novo projeto nacional de desenvolvimento para o país. E se liga intimamente à vida democrática porquanto lida com o fortalecimento dos partidos políticos como fundamento da democracia. É o que o PCdoB propõe: um novo projeto nacional de desenvolvimento como modo de dar completude à modernidade brasileira iniciada com a formação da nação nas lutas da independência, da República e abolição e avançada nos anos 30 com o projeto nacional-desenvolvimentista. Retomar nas novas condições do mundo e do Brasil essa luta tem sentido civilizatório e é indispensável à afirmação da nação brasileira.

O assunto me veio à mente ao ler o corajoso discurso de Raul Castro no Congresso do PC Cubano. De forma autocrítica profunda e até dura, ele enfrenta a questão que o PCdoB formulou para si no 12º Congresso (2009), de modo original, renovado e ao mesmo tempo de princípios. Na verdade, chamamos para nós há mais de 14 anos a luta por atualizar concepções e práticas de partido, dar-lhe feições contemporâneas em resposta aos problemas do tempo, com evidentes resultados quanto às feições modernas do PCdoB e sua crescente afirmação no cenário nacional.

Raul propôs, aliás, uma Conferência Nacional do Partido com o “objetivo de modificar métodos e estilo de trabalho”, pois “o partido se viu involucrado em tarefas que não lhe correspondem,  limitando e comprometendo seu papel”.  A importância que ele atribuiu ao tema foi central, partindo da afirmação de que “o único que pode fazer fracassar a revolução e o socialismo em Cuba (…)  é nossa incapacidade para superar erros que vimos cometendo durante mais de 50 anos…”.

Ele se refere a diferenciar com clareza os papeis do partido e do Estado. Mas não só: adentra plenamente as deficiências da política de quadros do partido, que fornecem “lições amargas… por causa da falta de rigor e visão”. Propõe uma severa autocrítica, inclusive quanto a não ter promovido na medida necessária mulheres, negros, mestiços e jovens, em mais de meio século, “uma verdadeira vergonha”. A crítica se volta precisamente a se “deixar guiar pelo espontaneísmo”. Subsequentemente, apontou para limitar mandatos de governos a dois períodos de cinco anos, no máximo, reforçar crescentemente a institucionalidade e superar, na vida interna partidária, o formalismo, superficialidade, métodos e termos antiquados, reuniões excessivamente extensas, agendas inflexíveis ditadas pelos órgãos superiores sem considerar o cenário em que se desenvolve a vida dos militantes.

Em suma, “mudar a mentalidade”! Saúdo a coragem, clarividência e firmeza com que Raul aborda os temas.  É próprio de quem sabe que sem partido forte, que una a nação e tenha firmeza de vontade, o socialismo fracassa.

Saúdo, também, como não pode deixar de saudar nenhum militante do PCdoB, que estejamos bem apetrechados nessa mesma luta em nosso país, com a reafirmação comprometida desse rumo  no 7º Encontro Nacional sobre Questões de Partido. Decididamente, o PCdoB é o partido político brasileiro que mais energias dedica à organização política, pelos mesmo motivos da autocrítica de Raul. A propósito, o tema do Encontro Nacional, que pode se equiparar a uma Conferência Nacional sobre o Partido foi: “Mais vida militante para um partido do tamanho das nossas ideias socialistas”. Isso quer dizer: quadros comprometidos como ossatura dessa organização política militante, e um partido de princípios e de feições modernas, com a cara do povo brasileiro, para a luta dos brasileiros pelo Programa Socialista do PCdoB. É um bom rumo esse do PCdoB!

PS: os interessados poderão consultar os documentos referidos no texto nas páginas disponíveis do PCdoB.

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