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Política de Dilma é incompatível?

Publicado por waltersorrentino em 22/03/2011

Pronto: uma opinião sincera e explícita na oposição. Uma crítica conservadora que ajuda a enxergar melhor o que está em jogo. Pelo menos param com essa pobreza que é explorar diferenças entre Lula e Dilma, numa lua de mel com a presidente tão enternecedora quanto falaz. Ninguém aguenta mais…

Luiz Carlos Mendonça de Barros sustenta, em VALOR deste 21 de março:

1)      Dilma traz ao governo, finalmente, alguns dos conceitos e prioridades do pensamento econômico do PT. Nos mandatos Lula, prevaleceu uma simbiose confusa entre conceitos e objetivos herdados do período FHC, mais respostas pragmáticas a desafios conjunturais e, claro, algumas prioridades históricas do PT.

2)      Dilma defende o controle da inflação por um receituário diferente do sistema de metas de inflação instaurado desde 1999. Defende ser possível o combate à inflação de demanda de hoje sem comprometimento do crescimento. No regime anterior, a variável crescimento econômica era dependente da intensidade do aumento dos juros.

3)      O BC de hoje trabalha com mandato duplo: trazer a inflação para a meta e viabilizar uma meta mínima de crescimento fixada pelo Planalto. Além disso há a decisão de não permitir nova rodada de fortalecimento do real.

4)      Portanto, a trajetória de convergência da inflação para o centro da meta será outra, bem diferente da que ocorria até agora. Nesse caso, estaríamos jogando para 2012 o fim do aperto monetário em andamento.

Não é que ele está certo? É bom ter oposicionistas assim, capazes de falar às claras.  É tudo de que a oposição precisa, para falar ao país, não se esconder por trás do biombo do “mercado” nem da mídia. Mesmo que, como é o caso, mantenham-se numa posição extremamente conservadora, refém do mainstream do mercado financeiro, cujas posições afrontam o interesse nacional e popular protegidos pela bandeira (necessária) do combate à inflação.

Pode-se pensar de que lado ficar. As conclusões dele foram:

“Se a limitação na redução do ritmo de crescimento for um impedimento à liberdade do BC estamos diante de uma política monetária de outra natureza”.

“Os objetivos de Dilma, se confirmados são incompatíveis! Tratar-se-á de terrível inconsistência teórica que é parte do receituário tradicional do PT”.

Eu fico de outro lado. Inflação pode e deve ser combatida, mas não há caminho único para isso. A crítica ao modelo, paciente e construtiva, é outra. Veja em http://www.waltersorrentino.com.br/2011/03/19/contribuicao-a-critica-do-modelo/

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