DEMo: refundação permanente
Publicado por waltersorrentino em 15/03/2011
Convenção do DEMo hoje. Depois de 105 deputados na bancada, hoje estão em pouco mais de 40, com apenas dois governos estaduais, em franca desidratação.
As explicações são curiosas. César Maia em seu ex-blog diz que “em 1999, numa longa reunião com dirigentes nacionais do PFL, em Madrid, Ariola, consultor do presidente do PP, aconselhava que o PFL não tivesse objetivos eleitorais para presidente por alguns anos e que se fixasse no caminho ao Centro”. Ora, ora, exatamente o ano da quebradeira do câmbio fixo artificialmente mantido por FHC para suas eleição e reeleição.
Depois, diz ele, “as pesquisas terminaram alterando essa estratégia”. Em 2002, sem ter candidato a presidente, após a renúncia de sua candidata, o PFL se dividiu. Ora, ora, renúncia causada por operação policial muito da mal explicada contra Roseana, o caso Lunus. O PFL foi vítima do fogo amigo, muy amigo, dos tucanos.
Em 2003, “o PFL adotaria um nome que denotasse seu compromisso com o Centro, e mudaria o programa. Por isso, o Congresso de 2004 foi chamado de Refundação e seu novo programa afirma esses compromissos”. Posteriormente, veio a mudança geracional na direção.
Ora, ora: “o fortalecimento viria após um ciclo dietético, onde os sinais da Arena iriam desaparecendo, o que produziria uma perda de gordura, construída ainda nos anos de chumbo. O hábito faz o monge, diz o povo. Não são simples e nem de curto prazo, ajustes, especialmente os político-ideológicos”.
Entenderam? Para César Maia “a Convenção deste 15 de março de 2011 é o momento fulcral em que o DEM culmina esse processo e com a mesma estratégia e com mais integridade e unidade, acelera o passo na direção do que havia proposto desde o início dos anos 90”.
Mas como? O DEMo perde exatamente a banda mais ao centro, com o reposicionamento de Kassab rumo a uma nova formação política, o PDB.
Pelo visto a dieta ficará ainda mais frugal. Cesar Maia não explica muita coisa, a não ser seguidas refundações. Melhor seria olhar a realidade do povo e do país, compreender que sem programa que conduza o país ao desenvolvimento e a um novo lugar no mundo, nada feito. Ou então, deixar essa conversa de Centro para lá e assumir frontalmente sua condição de auxiliar do programa da Direita no Brasil, que de resto é, com o PSDB no comando. O resto é factóide.

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