• O blog

    O blog Projetos para o Brasil visa ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.

  • Contato

    meu e-mail
  • Twitter

    twitter
  • Facebook

    siga-me
  • Minhas Fotos

    1988_Turma_Unidade_e_Revolucionarização_Escola_Nacional_PCdoB (17)

    1988_Turma_Unidade_e_Revolucionarização_Escola_Nacional_PCdoB (3)

    1988_Turma_Unidade_e_Revolucionarização_Escola_Nacional_PCdoB (2)

    1988_Turma_Unidade_e_Revolucionarização_Escola_Nacional_PCdoB (1)

    1988_Turma_Unidade_e_Revolucionarização_Escola_Nacional_PCdoB (18)

    More Photos
  • Meus vídeos

    Watch videos at Vodpod and more of my videos
  • Compartilhar este Blog

    Bookmark and Share

PMDB: chamada a cobrar

Publicado por waltersorrentino em 23/02/2011

A proposta do PMDB, vocalizada pelo vice-presidente Michel Temer, é um despautério para a vida política nacional. Introduz o voto majoritário para a representação do povo na Câmara dos Deputados e a estropia. Comentei em artigo anterior a longa jornada regressiva que o voto distrital provocou na França, Itália, Inglaterra, Chile, para não falar nos EUA. Simplesmente ele bipolariza o quadro político e elimina a representação plural do povo (veja em http://www.waltersorrentino.com.br/2011/02/16/reforma-ou-retrocesso-na-politica/)

Em algum momento deve ser cobrado o valor de face das proposições partidárias. O PMDB, em programa apresentado a Dilma Rousseff como compromisso de campanha, pregava a reforma da política constituída por três conjuntos de medidas: o financiamento público das campanhas, ao lado das restrições ao financiamento privado; diferenciar a parte impositiva do orçamento público da parte variável, sujeitando esta a critérios definidos para o orçamento deixar de ser palco de negociação interminável; e organização das carreiras de Estado. Assino em baixo.

O que ocorreu em tão poucos meses para uma mudança assim abrupta e abstrusa? Não será uma desmoralização do PMDB? Se se bipolariza ainda mais e institucionalmente a vida política brasileira entre PT e PSDB, se se desmoralizam por completo os partidos políticos com o “distritão”, que ganhos pode ter o PMDB? A proposta talvez vise a constituir tal partido como espécie de fiel da balança entre os dois pólos. Mas desse modo o PMDB será não apenas um pêndulo ou o fiel da balança, mas força subordinada, sem programa próprio. Quem sabe é apenas um “bode” na sala para posterior negociação no Congresso.
Esse partido teve bons e grandes serviços prestados à democratização. Alcançado por vicissitudes como a morte de Tancredo Neves, buscou caminhos intermediários para não aderir integralmente à força do assédio neoliberal iniciada nos anos 80. Sofreu uma derrota política estratégica devido ao flagelo da hiperinflação. Desde então não se recuperou. Deixou, entretanto, legado importante, a Constituição cidadã de 1988. A proposta atual de reforma política, o “distritão”, põe por terra esse legado no terreno democrático.

Ser um pêndulo político centrista é uma coisa; oscilar programaticamente dessa forma é outra. Trafegar entre a centro-esquerda e a centro-direita desorienta seu eleitorado e nem sequer representa a base social que lhe dá sentido, os interesses do industrialismo e exportação, dos segmentos médios capitalizados da agricultura. Com isso, pode-se compreender a intimidação perante os grandes interesses financeiros hegemônicos, como se verifica com os apoios ao tripé macroeconômico vigente, afirmado no programa. Mas o primeiro passo foi dado, no rumo correto, em apoiar a onda desenvolvimentista com Dilma Rousseff. A ordem unida do PMDB quanto à votação do salário mínimo foi não apenas um cálculo político, como também expressão do caráter meeiro do programa citado.
Se o PMDB quer mais poder, não deve temer a disputa no campo democrático. A ameaça maior está à sua direita, com o PSDB e o programa regressivo que representa para os interesses políticos do partido bem como de sua base social. Para isso, seria melhor manter o legado que encabeçou com a Constituição, no caso, o voto proporcional como o mais adequado para incorporar todas as correntes de opinião na representação do Congresso Nacional. A democracia brasileira é jovem e mal conformada, ainda. O caminho é aprofundá-la, e o pluripartidarismo democrático, proporcional, é o que se impõe para unir o povo e aprofundar o desenvolvimento. A retomada da construção nacional é percurso de médio prazo, não há atalhos. O PMDB não deve continuar a se perder no “curto-prazismo” pragmático.

A chamada a cobrar é que o PMDB cumpra o programa que apresentou à campanha em 2010. PT, PCdoB, partes importantes do PSB e PDT defendem o financiamento público. Por que não, PMDB?

Bookmark and Share

Um comentário para “ PMDB: chamada a cobrar ”

  1. Tweets that mention Blog do Sorrentino » Blog Archive » PMDB: chamada a cobrar -- Topsy.com Says :

    [...] This post was mentioned on Twitter by Gilson Filho, walter sorrentino. walter sorrentino said: PMDB: chamada a cobrar http://t.co/LW1aZLv via @AddThis [...]

Deixar um comentário

XHTML: Você pode usar estas tags : <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>