Contradições no seio do povo
Publicado por waltersorrentino em 05/12/2010
Vejam só as contradições que marcam nossa trajetória nacional. Cleiva Silva Santos – vereadora de Amarante do Maranhão pelo PCdoB e membro da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais, registra um problema emblemático sobre o qual há muito que refletir. Ela se dirigiu ao deputado Aldo Rebelo, que me permitiu transcrever trechos de sua missiva.
O caso é o seguinte.
“Através de portaria da Fundação Nacional do índio (FUNAI) publicada em 6 de outubro de 2010, baseada no Decreto nº 7.056, de 28 de dezembro de 2009, está em curso uma revisão de terras para ampliação da área indígena em Amarante do Maranhão, para atender à etnia Gavião, o que vem provocando medo, revolta e desespero na população deste município.
Atualmente, a área indígena em Amarante do Maranhão tem 540 mil hectares de terra e já corresponde a 55% de toda a extensão territorial do município. Caso haja essa nova demarcação de terras para os índios, a área indígena passará a ocupar mais de 80% de todo o município. E isso é algo preocupante, pelos seguintes motivos:
1 – A economia do município é sustentada basicamente pela agricultura e a pecuária. Isso se consolidando, Amarante do Maranhão ficará inviabilizado economicamente, visto que ficará quase sem área destinada à agricultura e à pecuária, além de gerar um grande número de pessoas desempregadas e sem perspectivas;
2 – Um elevado percentual dos 37.762 habitantes de Amarante reside nessa área. Essas pessoas, em sua grande maioria, nunca moraram na zona urbana, sempre trabalharam com a agricultura e a pecuária e não sabem outra profissão.
3 – Nessa área há 11 assentamentos, sendo 5 do crédito fundiário e 6 de famílias assentadas pelo Governo Federal, através do INCRA;
4 – Perdendo a terra, a população dessa área ficará sem lugar para morar e sem trabalho e renda, o que pode agravar fortemente os problemas sociais nesta região. Essas pessoas já são muito sofridas com a dureza do trabalho no campo e pelas dificuldades típicas da região. E não podem piorar a situação de sobrevivência com esse irreparável golpe em suas vidas;
5 – Boa parte dessa área já tem energia elétrica, através do Programa Luz Para Todos, o que tem facilitado e melhorado a vida dessas pessoas, que contam também com o acesso a linhas de crédito de programas do Governo Federal para pequenos produtores. A maioria desses campesinos tem empréstimos junto às instituições financeiras para incrementarem suas atividades agrícolas.
Ressalta-se que essa área que a FUNAI quer tornar reserva indígena, não tem aldeia e sequer é habitada por algum índio (o grifo é meu)”.
Quer dizer, contra o interesse de garantir uma vida digna a esses homens e mulheres do campo, que sobrevivem do trabalho com a terra, uma agência de governo exacerba contradições e as trata erroneamente, como contradições no seio do povo que precisariam ser dirimidas de modo democrático (não tecnocrático) e no interesse maior de união do povo em torno de seus interesses. Em nome de que?

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06/12/2010 às 10:11
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06/12/2010 às 10:47
Camarada, meu colega ao lado é de Amarante. Segundo ele, a área a ser transformada em reserva indígena abrange os assentamentos e uma única fazenda, com quinhentas cabeças de gado. São pessoas que não têm para onde ir, acabariam em Imperatriz ou outra cidade maior, marginalizados. Hoje mesmo a economia do município já é fraca, imagine com a transformação de uma área tão grande em reserva indígena! Se realmente os índios da região precisam de mais espaço, a solução não é expulsar agricultores pobres, especialmente os assentados. A Funai deveria considerar que há gente de verdade nessa área, e gente que não tem para onde ir. Espero que o governo federal encontre outra solução para esse problema.
06/12/2010 às 12:30
Entendo, Leandro, obrigado pelo comentário. Será preciso acabar com um determinado critério de “politicamente correto” que está longe de ser neutro: atende a interesses determinados, e quase sempre não são os da nação e do povo. Essa é uma tentativa de dividir o povo brasileiro.