PCdoB 88 anos: Pensar o partido todo dia
Publicado por waltersorrentino em 25/03/2010
25 de março de 2010: 88 anos de PCdoB
É dia de homenagens justas do mundo político e dos trabalhadores à mais antiga organização política do país em atividade contínua. Devemos fazer tudo para merecê-las. A mais importante homenagem que nós, comunistas, podemos prestar a essa data é pensar o partido todo dia.
Construir a organização política tem sido uma das grandes artes revolucionárias. Fazê-lo, na atualidade, no nível posto da luta de classes, é de fato um grande desafio. Disse uma vez: em meio a tantas coisas novas, ainda não maturou suficientemente um novo invento em termos de organização política revolucionária. A questão do partido comunista segue fundamental.
É certo dizer que um grande défice da esquerda (não é o único nem o maior, mas nada justifica subestimá-lo) na atualidade é de natureza organizacional. Refletir adequadamente as relações de vivência e conflitos sociais, constituir a consciência transformadora e o(s) sujeito(s) histórico-sociais capazes de empalmá-la e abrir caminhos revolucionando a sociedade.
Entre nós, recém realizou-se o 6º Encontro Nacional de Organização, cujas deliberações serão apreciadas pela Comissão Política Nacional do PCdoB. Elas põem em relevo novos vetores de direção organizativa, voltadas para a execução efetiva da política de quadros como fator de governabilidade partidária; a luta por uma militância mais consolidada em organizações mais definidas; e o aprimoramento do processo de direção de uma organização política que promete chegar, possivelmente, aos 500 mil membros no bojo da vitória de Dilma Rousseff à presidência da República. A questão de fundo é que as questões de partido são dinâmicas, solicitam inovações, espírito de identificar problemas e encontrar soluções concretas.
O PCdoB vem revolvendo o arsenal político, teórico, organizativo e prático da construção partidária. Tal esforço vem já de 1997, quando um conjunto de conceitos e categorias novos foi introduzido no debate. Ali nascia um esforço de aprimoramento de compreensão mais dialética relacionando construção, estruturação e organização partidária, englobando política, ideologia e organização. Ao mesmo tempo, antecipou o esforço antidogmático que viria a se fazer premente após 1991-2 com a queda da URSS e do Leste europeu, ao lado de maior domínio sobre a própria trajetória e experiência dos comunistas no Brasil.
Desde então o tema partido vem sendo tratado em todos os Congressos. Deveu-se ao 12º Congresso, de 2009, a rara felicidade de combinar tal discussão em altos termos de maturidade, abarcando a orientação política do PCdoB, o novo Programa Socialista e a questão do partido – consubstanciada na renovação da política de quadros, essência do partido comunista.
Isso conferiu maior nitidez ao papel atual dos comunistas no país e é causa e consequência da maturidade e crescimento do papel do PCdoB. O pensamento organizativo acompanhou as exigências políticas, e compreendê-las foi uma grande vitória destes anos.
A questão, colocada em debate na direção nacional do partido, é que esse processo vai elevar as exigências com uma terceira vitória do povo à Presidência da República em outubro próximo. O PCdoB seguirá em trajetória ascendente. Preparar-se para um crescimento dessa magnitude é o que se procurou levar a termo no 6º Encontro Nacional de Organização. Poucas vezes estivemos tão preparados subjetivamente para abarcar essa possibilidade de crescimento.
O centro momentoso da questão está expresso em três vetores.
O primeiro a referir é aprimorar o processo de direção. Se é verdade que sem comitês fortes não há partido forte, o fato é que essa é uma condição necessária mas não suficiente. Alcançar maior estruturação da vida militante pela base não se resolve automaticamente com direções consolidadas, como a experiência revela claramente. A questão então é também como se dirige: aí pode residir poderoso fator de entrave à expansão partidária.
Entre outras exigências: uma direção mais inclusiva, participativa, democrática; mais centrada na construção de um pensamento político maduro, habilidoso; e que amplie o contingente de quadros de direção geral efetiva (ao lado dos que se ocupam mais da direção concreta). Ou seja: o vértice desse processo deve estar nas comissões políticas ao invés de nos secretariados. Com a condição de que os integrantes de tais comissões compreendam que devem responsabilizar-se pelo conjunto dos aspectos envolvidos na complexa questão da construção e direção partidária, aí incluída política de estruturação partidária.
O que se torna indispensável é, consequentemente, facultar o fluxo de informação sobre o estado da arte do partido, em toda a extensão, a todos os integrantes das comissões políticas – só assim haverá um papel de direção geral da parte de cada um. Esse é mais um terreno para a inovação.
O segundo vetor é o da própria política de quadros. Não basta o consenso em torno de seu conteúdo político, ideológico, normativo e ético, mas propriamente pôr em marcha projetos que precisam ter lugar desde já. Vamos dar corpo efetivo a uma política que alcance uma infinidade de tipos de quadros, não só os de ativismo político cotidiano ou da estrutura formal dirigente do partido, em que pese a indispensabilidade desses entre os demais.
Os Departamentos de Quadros, nacional e estaduais, vão ser apetrechados para cumprir esse papel proativamente. Até o 13º Congresso, passando pelas conferências de 2011, devem produzir uma nova realidade nesse terreno e não apenas contar com o que se herda nas condições espontâneas.
Mas Isso se relaciona diretamente com o último vetor. Em que pese o PCdoB ser o (ou um dos dois mais) partido mais organizado do país do ponto de vista militante, a verdade é que o Brasil decididamente não é boa referência nesse item. De modo que é pouco estruturada a militância, sempre a crescer e sempre a flutuar. Isso revela baixa organicidade militante, particularmente na base. O outro vetor, portanto, é como dar maior consistência a esse processo de organizações partidárias mais bem definidas que mobilizem um contingente de militantes mais permanentes.
Não é apego a fórmulas passadas, em que pese saudável ortodoxia mantida pelos comunistas; não é para corresponder a um ideal pelo qual a realidade precisasse se regular. A contrário: visa a dar mais eficácia real à ação política e luta pela hegemonia, de um lado, e forjar o terreno da educação socializada, a vida partidária coletiva como fator formador da consciência revolucionária, por outro. A atitude mais produtiva será a de identificar problemas reais e propor soluções factíveis na cadeia de condicionamentos que dificultam a atitude militante organizada desde a base. Julgo entre esses problemas: como estabelecer linhas de comando para organizar a militância desde as bases – linhas políticas, pela política, para a ação política, consubstanciadas em pautas e agendas definidas desde as direções superiores; linhas de comunicação, pois não é fácil o discurso de direção chegar inteiro à base, ao militante, num país de dimensões continentais, sem grandes meios de comunicação de massa; e suportes organizativos – essencialmente, como já dito, os quadros intermediários e de base, de um lado, e sustentação material, de outro , pois é caro fazer política militante de base.
Enfim, isso se fará terreno de diretivas políticas de campanhas próprias dos comunistas junto ao povo, como forma de conferir permanentemente pauta e agenda para a vida das organizações partidárias, animadas por quadros intermediários e de base em profusão. Aliás, crescentemente, esse deverá ser o principal modo de se dirigir um contingente extenso de um partido comunista de massas. Creio que se poderá, num futuro bem próximo, fazer testes de mobilização nesse sentido, e estabelecer um conjunto de movimentos e campanhas partidárias visando a esse resultado esperado. Com a condição de ser um discurso geral de direção política e não mero discurso organizativo.
Por isso, justifica-se o título do artigo, citado por Renato Rabelo, e que reflete a experiência real que vimos palmilhando: partido é para pensar todo dia; é pensamento dinâmico; carece de inovação e inventividade. E dedicação.

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25/03/2010 às 13:57
Estimado Camarada Sorrentino,
Lendo o seu texto em homenagem aos 88 anos do PCdoB, nos sentimos reconfortado de ver que exitem dirigentes com visão ampla de partido, que buscam modificar a estrutura estreita que alguns quadros teimam em manter no interior da organização.
Essa visão equivocada que, malgrado, ainda perpassa por algumas direções, vão de encontro a “política de quadros como fator de governabilidade partidária”. Essa visão arcaica, que coloca a vaidade pequeno-burguesa acima dos interesses partidários, e formam verdadeiras “confrarias burocráticas” no interior do partido, impede a construção de uma organização com uma militância consolidade.
Parabéns Camarada Sorrentino. Para mim, que conheço razoavelmente a sua forma de pensar, não é novidade a consciência e os rumos concretos da visão de PARTIDO que você, de maneira realista e democrática exprime.
São visões como as suas que fatão o PCdoB seguir “em trajetória ascendente” para a construção de um paetido forte, democrático, na busca de uma sociedade fraterna, justa e solidária.
25/03/2010 às 16:56
Boa tarde companheiro
Somos militantes e agentes de transformação social em nosso universo de atuação e desejamos ao maximo poder transformar as questões ideológicas que perpetuam no cenário político. Acredito que mais longe já estivemos do êxito tão esperado e com pessoas como nós que acreditamos no poder individual de cada cidadão, vamos somar para poder alcançar o êxito tão esperado, que é a conscientização que o poder emana do povo através de sua capacidade individual e coletiva.
De certa forma, a submissão está associada a uma atitude de docilidade frente aos processos de submetimento no trabalho e na vida. E o que é o caráter dócil senão a capacidade de aceitar facilmente o que se impõe ou sugere, o que se diz do indivíduo de “fácil trato”, “cordato”? Se for assim, é até esperado que os seres humanos que assumem este modo de agir não questionem de modo efetivo as condições objetivas que enfrentam no seu cotidiano; pelo contrário, é possível mesmo imaginar sua aceitação por acharem que “a vida é assim mesmo? E se o fatalismo está na base da explicação e justificação de tudo o que acontece na vida dos indivíduos, então, ele tende a ser, por isto mesmo, um valioso instrumento ideológico nas mãos de quem detém o domínio.
Se os indivíduos estão convencidos de que por vontade própria ou coletiva nada podem modificar, se crêem que toda e qualquer mudança real das condições sociais de vida só pode se efetivar com INTERVENÇÃO DIVINA e se estas mesmas condições dão sustentação a este modo de pensar, não há lugar para outra coisa senão a manutenção das relações de exploração e dominação
Lembre-se que o seu destino cabe somente a você dar o direcionamento para o sucesso ou para decepção. Levante a cabeça e mantenha a esperança na sua capacidade. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
Alberto Leite Santos
Betão
Presidente
25/03/2010 às 20:09
[...] This post was mentioned on Twitter by André Vitral, Alexandre Silva and Edson Santana, Edson Santana. Edson Santana said: @ulisses_uff Pensar o partido todo dia: http://bit.ly/9lDoUd [...]
25/03/2010 às 21:10
Como em tudo que Walter Sorrentino escreve ou melhor uma dissertação quase perfeita sobre o assunto, me senti extassiado com tamanha consciência de organização e de pensar no partido como um todo sem deixar nenhum detalhe sem comentários ou ações.
Cada artigo novo que me deleito ao prazer da leitura de Walter Sorrentino aumento o êxtase e acredito sumariamente que o partido vem tomando o caminho certo em sua nova estrutura, programa, quadros sem perder a essência dos 88 anos de lutas que marcam a vitoriosa e honrosa história do partido.
Parabéns Sorrentino, por mais esta maravilha de como um partido deve se estruturar e evoluir sem perder de vista o respeito por seus ideais.
27/03/2010 às 20:49
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