Contra a extradição de Battisti!
Publicado por waltersorrentino em 20/11/2009
Julgamento do Supremo sobre caso Battisti é revelador. Gilmar Mendes tem vezo autoritário, quer que seu juízo prevaleça. De conjunto, prevaleceu a boa norma jurídica e política. Extradição ou não-extradição é ato de soberania do país, cabe ao presidente da República que é o responsável pelas relações internacionais do país.
O Brasil tem tradição ampla de conceder asilo. É democrático nesse sentido, acatando pedidos tanto de ditadores como os de Portugal e Paraguai, quanto de personagens da esquerda armada. Importante isso, já é parte da identidade brasileira.
Battisti cometeu “crimes” políticos na Itália. A exclusão dos chamados “crimes de sangue” invocados por Gilmar Mendes não comporta o mínimo juízo histórico, pois que inviabilizaria anistias, concessão de asilo e refúgio.
Brasil deve conceder refúgio a Battisti. Urge elevar a pressão do movimento democrático nesse sentido. Dar confiança a Lula de que esse é o melhor sentimento democrático nacional.

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20/11/2009 às 0:44
Por que os crimes de sangue cometidos pelo “camarada” Battisti devem ser entendidos como políticos? Matou em nome do comunismo, talvez a maior praga do século XX? Se o articulista entende que Battisti de fato cometeu os quatro assassinatos pela qual foi condenado, é cúmplice, ao menos, moral.
Além disso, mesmo que excluir “crimes de sangue” não comporte o que a história de asilos e refúgios mostra, daí não se segue que os crimes de Battisti sejam políticos.
20/11/2009 às 19:20
Até os fascistas sabem que foram crimes políticos, cometidos em nome de uma causa, mesmo sendo “de sangue”. O argumento de Gilmar Mendes torna disjuntivas ambas as coisas. Dar asilo ou refúgio abarca até mesmo tais circunstâncias, aliás quase sempre envolve conflitos desse tipo. Aliás, até mesmo conflitos judiciários, pois que as provas não são tão claras assim. Não sou cúmplilce de nada, cidadão, nem moral, nem político. Sou apenas de minha consciência, e ela estava preparada sim para ir ao Araguaia, se necessário fosse, combater pela liberdade contra a ditadura militar e o fascismo.
21/11/2009 às 1:45
Sorrentino, eu desconheço quais fascistas endossam a tese de que foram crimes políticos – e, de qualquer forma, não estou tão interessado na opinião de fascistas.
No mais, uma vez que você parece aceitar que ele cometeu os quatro assassinatos, fica em dificuldades para justificar o que o assassinato de pessoas comuns tem de crime político. Não há “causa” que justifique o assassinato de pessoas inocentes – ou agora um joalheiro ou coisa do tipo é passível de “justiçamento”?
Aliás, a tal “causa” é responsável por boa parte dos óbitos vindos de terrorismo estatal em toda a história da humanidade. Quase nada matou tanto quanto o comunismo. Infelizmente, para todas as partes, isso é um fato.
Voltando a questão, mesmo que crimes de sangue e crimes políticos não sejam disjuntivas excludentes, os crimes pelas quais Battisti foi condenado não parecem ser de natureza política.
E, Sorrentino, me desculpe, pois pode não ser seu caso, mas quando militante comunista diz que luta por liberdade, só posso, autorizado pela indução, desconfiar profundamente.
21/11/2009 às 11:32
Editorial de Vermelho hoje dá os elementos de minha visão, seria muito longo citá-los todos aqui. Pulemos também seu desinteresse na opinião de fascistas. Obrigado por ver uma dificuldade em mim que não vejo. Quanto a desconfiar, bem. Não subscrevo opiniões contidas naquelas teses do “livro negro do comunismo”. Desconfianças quanto a mim vindas por esse lado são bemvindas. Que o PCdoB tenha travado TODAS as lutas pelas liberdades em nosso país, mais uma vez, até os adversários reconhecem. Estou nessa.
21/11/2009 às 11:48
Sorrentino, não é preciso considerar o “Livro negro do comunismo” para perceber que os regimes comunistas estão entre os mais opressores e perversos já vistos. Ninguém é maluco hoje o suficiente para dizer que União Soviética, China e Cuba foram ou são paraísos de liberdade. Mostre-me um regime comunista e eu te mostrarei uma ditadura.
Sobre as lutas travadas pelo PCdoB pela liberdade, posso até dar-lhe o benefício da dúvida. Só tenho dúvidas do que fariam caso chegassem ao poder. E, novamente, a experiência aponta para ditaduras tão ou mais danosas do que os nossos anos de chumbo.
A respeito de Battisti, acho que podemos dizer que você não tem razão.
21/11/2009 às 14:18
Você até que é generoso pelo “benefício da dúvida”.
Nesse nível de fundamentos, mostre-me um regime capitalista e eu te mostrarei uma ditadura do capital, fome, guerra, opressão… Não vai resolver a disputa de ideias.
O socialismo que defendo para o país será democrático, ponto. Quem viver verá.
No caso de Battisti não defendo o caminho que ele adotou naquela ocasião. Mas, repito: minhas razões são as do Editorial de Vermelho. Estou achando muito bom que discordemos nisso.
Obrigado pela contribuição e encerro a polêmica por aqui.