Estresse na oposição
Publicado por waltersorrentino em 18/11/2009

Dificuldades crescentes na oposição foram postas em evidência nestes dias. O Estadão bateu muito duro nela, editorialmente. Cesar Maia idem, mas no caso refletindo interesses eleitorais estreitos dele no Rio. Aécio com Minas mais uma vez busca ser o ponto onde se amarra o laço do “pacote chamado Brasil”. Joga com o fator de que seu nome “soma, aglutina”.
Na aparência, Serra candidato não os contempla de alguma forma. Mas é evidente que sem Serra é pior para eles em termos de chances de vitória. O mais certo é que tudo isso representa pressões sobre a candidatura presidencial do PSDB, visando quebrar a autosuficiência e teimosia de Serra, acomodar interesses regionais e de aliados. Mas parte disso é exasperação.
Um argumento novo tem comparecido. Aécio insiste num “pós-Lula” como se fosse um novo começo, um novo ciclo político. É a única condição em que ele poderia almejar vôo mais alto neste momento, pois está claro que Aécio não encarna particularmente os atributos de conduzir o Brasil rumo a um projeto nacional avançado.
Essa chave é importante e Cesar Maia encarregou-se de dar-lhe tintas. Afirma que Lula não deixa legado, que comete um erro em considerar seu governo como início de novo ciclo; segundo Maia, seria mais o fim do ciclo de democratização. Bem, para isso ele manipula certos conceitos sobre o PT e seu futuro papel. Mas é muita viseira ideológica centrar a complexa análise da retomada de horizontes pela nação brasileira em relações tão concentradas quanto o papel de Lula ou do PT.
Ciro Gomes entra na canoa pelo outro lado, no limite da coerência. É estranha a afirmação que “se Aécio se viabilizar como candidato a presidente… minha candidatura não é necessária mais”. Se é certo que se isole Serra como o mais perigoso retrocesso, Ciro parece considerar também que o pós-Lula será uma redenção, começando de zero, onde o principal seria superar o PT. Porque, para dar vazão a seu argumento de superar “o provincianismo estreito da disputa entre PT e PSDB de São Paulo”, bastaria apoiar a candidatura indicada por Lula.
Vejamos melhor a questão do legado. O Brasil está bombando, e isso ocorreu durante o governo Lula. Lula interpretou o povo brasileiro no centro da arena política. Se não incomoda recordar, foi a primeira vez em 180 anos de vida independente da nação em que isso ocorreu. E foi um sucesso. Depois de duas décadas perdidas em termos de desenvolvimento, o país reencontrou o eixo. O lugar do Brasil no mundo está mais bem definido, num mundo muito modificado. O país é respeitado lá fora. No plano social, salário mínimo em retomada, consolidação de leis sociais, emprego. Incremento da participação democrática do povo na vida política e na elaboração de políticas públicas. Ainda há a Copa 2014 e Olimpíadas 2016 no Brasil; e há o pré-sal, que redefine o horizonte de investimentos para o desenvolvimento da nação.
Puxa, que legados maiores pode haver?
Quanto a ciclos políticos, o melhor é não fazer escatologia e não confundir desejos com realidade. O fato é que forças sociais novas ocuparam, pela primeira vez na história, o centro do poder político nacional. Foi fruto de 25 anos de lutas democráticas e sociais. Tal luta fortaleceu-se sob governo Lula, compreendeu as exigências de afirmação da nação e integração do sub-continente. É preciso manter essas forças aí, com uma terceira vitória do povo. Fortalecer um pólo de unidade das forças de esquerda, progressistas e democráticas, para dar eixo ao programa, à candidatura e ao futuro governo. Ter inteligência suficiente para ampliar forças de sustentação, neutralizar antagonismos secundários, fixar alvos bem definidos para avançar e impedir retrocessos. A esquerda em primeiro lugar tem obrigação de compreender isso. O PT, PCdoB, PSB e PDT têm grande papel a jogar nesse rumo. O Brasil tem um rumo. O pós-Lula não é um novo começo, mas aprofundamento desse ciclo.
A oposição não tem um sonho para vender; não tem uma imagem apropriada do novo Brasil que emerge; não entende o que está acontecendo no sentimento do povo. As declarações estúpidas de Gonzáles, o marqueteiro de Serra, ou as mais recentes de Caetano sobre Lula são tão lamentáveis que até Dona Canô se opôs. Ambas expressam preconceitos profundos sobre o povo brasileiro e falta de confiança nele. A rinha política do PSDB contra o apagão pode se esfumaçar como as acusações “evidentes” de que o acidente da TAM foi devido a erros do governo… A oposição que se cuide: vai aumentar o estresse nas suas fileiras até 2010. O campo liderado por Lula vai chegar forte em 2010.

The Estresse na oposição by Blog do Sorrentino, unless otherwise expressly stated, is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 3.0 Brazil License.





14/07/2010 às 1:46
Walter, sou do PCdoB de Mariana – MG. Sou engenheiro de produção, professor da área. Passei a ler seu blog de uns tempos para cá. Seus debates estão muito bons. Se ainda não fez um debate sobre o código florestal, aconselho-te, pois muitos militantes do Partido mais cedo ou mais tarde vão ser cobrados haja vista que Aldo tem ganhado destaque nos meios de comunicação. Saudações camarada!