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Tambores da guerra política

Publicado por waltersorrentino em 13/11/2009

Foi assim outra vez. A turma da mídia grande tem seus sapadores, preparando o terreno para 2010. Estavam esfalfados, batendo latas, fazendo fumaça com folhas verdes, conclamando à guerra contra o governo desde já. Não se conformavam com os índices de popularidade do governo e de Lula.

Para Mervais, Doras, Pizas, Mainardis, Leitões, e alguns outros ventríloquos, tudo serve. É a transposição do São Francisco, é a CPI do MST. É a CPI da Petrobrás, é a não realização de obras do PAC. É os projetos do pré-Sal, é a Venezuela do Mercosul. Si viene del gobierno soy contra.  Como não dá para segurar a peteca o dia todo, todo dia, de fundo têm o prato de resistência na crise do Senado. Tudo imputado a Lula.

Qual comando-em-chefe da oposição, bateram bumbos contra a suposta inércia da oposição, PSDB e DEM, de quebra PPS. Não puderam comemorar por muito tempo por Marina no PV, pois que ela pode tirar votos de um e de outro lado ou atrapalhar as articulações intentadas pelos tucanos nos Estados. Mas por via das dúvidas, comemoraram a “perda” para o campo Lula-Dilma. Enquanto isso, as pesquisas são inequívocas: curva tendente ao ascenso de Dilma e descenso de Serra. No jogo político, não faltam vozes para “exigir” que Serra se decida logo, ou por chapa puro sangue Serra-Aécio e quejandos. 

Estava ficando difícil a “voz dos donos” seguir por muito tempo nessa toada. Eis que entram  “donos da voz”, vozes cantantes como dizem os chineses. FHC irrompeu no centro do picadeiro, qual pavão, precedido do fiel escudeiro malas-artes, Armínio. Eles tinham o diapasão e deram o tom.

 “Cuidado com o autoritarismo popular!” “É preciso re-estatizar o Estado”. Durma-se com um barulho desses. Mas foi a salvação da lavoura. Porque agora, em vez dos sapadores, a batalha se deslocou para o editorialismo dos jornalões – sem grande originalidade, diga-se, podia-se até repetir o editorial de um órgão em outro – e foi só louvor, dias a fio, em caixas de ressonância poderosas. 

Soma-se a isso a pauta da reação sul-americana, pensamento único acerca de “liberdade de imprensa”, de “democracia” contra plebiscitos e constituintes, de “intentos guerreiros” da Venezuela, e coisas tais. O aumento da presença militar na Colômbia é sinal, para os mais incautos, de que EUA não estão para brincadeiras na tentativa de não perder hegemonia nesta parte do hemisfério. Fiori chama a atenção para o fato de que, “depois de uma década à esquerda, a América do Sul está entrando em zona de forte turbulência”. É fato. E a eleição brasileira tem papel central para definir os rumos políticos do continente. Suceder a Lula mantendo o atual campo de forças no governo será sinal formidável de que as coisas não têm retorno. Uruguai se define em dezembro, Chile a seguir; Bolívia, Equador e Colômbia vão às urnas em 2010; depois Argentina e Peru em 2011. 

A entrada de FHC e Armínio no debate é interessante. Eles deram o tom algumas oitavas acima e pode ser que ninguém o alcance no coro da campanha. Reforça o caráter plebiscitário e de comparativos de governos – senão até de épocas – que marcam as experiências de FHC e Lula. Vamos então falar de FHC que intentava enterrar a “era Vargas”, num assomo de realismo antinacional e antipopular. Vamos falar desse tripé de ferro do câmbio flutuante, superávites primários e metas de inflação manejadas por juros estratosféricos, a serviço dos interesses financeiros e fiscalistas da “turma da bufunfa” como gostosamente os chama Belluzzo. Vamos falar da quebra do país em 1999 e 2001, revelando o país à mercê de ausência de autogoverno de acordo com seus interesses. Vamos cotejar uma vez mais a plataforma Serra-2002, ou Alckmin-2006. Vamos falar do cosmopolitismo subserviente em política externa, que dá as costas à América do Sul como espaço de integração regional indispensável para enfrentar os desafios do desenvolvimento no mundo marcado por forte assimetria de poder.

Veremos como essa oposição vai contrastar com novo desenvolvimentismo, para o qual o papel do Estado nacional é decisivo, tanto quanto a intervenção do povo na política e sua incorporação integral aos benefícios do desenvolvimento. 

Enfim, será bom combate esse de 2010. À sombra de tantas flechas batalharemos mais frescos.

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Um comentário para “ Tambores da guerra política ”

  1. Mara Loguercio Says :

    Estou querendo acreditar em tudo isso e sentindo cheiro de vitória. Mas a EC do calote (esta que reduz a 2% do orçamento o pagamento das dívidas líquidas e exigíveis, inclusive dos trabalhadores do Estado não ajudam. Some-se a isso a completa ausência de uma política para os servidores públicos os quais, ao contrário, são ainda vistos e tratados como um peso para o Estado e como uma cambada de aproveitadores. Ficou muito ruim a amla divulgação aqui no Sul do nome de nossa Deputada Federal votando a favor dessa PEC.

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